Como era a previsão do futuro na Rio 2016

fonte: Mario Alberto Magallanes Trejo/ stock.xchng

A conhecida frase “A melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo” me remete ao valioso poder da imaginação. Na brincadeira de prever o futuro, o verdadeiro papel da liderança toma forma quando a equipe é incentivada a encontrar suas próprias ideias e é guiada para que cada um se desenvolva.

Como preparar liderados para o que vem pela frente quando não temos todas as respostas?

Uma estratégia muito comum no Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016 era se preparar para o momento do evento com frequentes reuniões onde cenários eram simulados. O líder lançava uma possível situação que poderia acontecer durante as competições e os participantes debatiam como resolver o problema. Era assim que os gaps e falhas apareciam, a linha da comunicação se organizava e os departamentos conheciam melhor as limitações e capacidades de outras áreas.

Naturalmente o grupo encontrava uma solução sozinho enquanto o condutor simplesmente ouvia e guiava com perguntas para amarrar a teia de pensamentos. Quando a solução parecia satisfatória, o líder finalmente questionava se todos concordavam com aquela forma de agir e se deveriam usá-la como padrão. Todos então se sentiam responsáveis em cumprir o combinado, afinal, nada havia sido imposto. Assim, todos se comprometiam com a maneira de resolver o problema caso ele surgisse no futuro.

As reuniões de “faz de conta que” eram tão produtivas que copiei a estratégia dentro do nosso departamento. Primeiro eu me certifiquei que o time se sentia confortável em compartilhar as soluções que encontrava, que não havia censura e que tudo poderia ser dito. Havia respeito e não constrangimento. Todos os pontos de vista eram válidos e reconhecidos. A equipe usava as políticas e procedimentos da nossa área para ponderar se aquela era uma solução viável. Depois, fortaleci que uma ideia não era de ninguém, e sim do grupo que poderia modificá-la o quanto fosse necessário. Eu ficava admirada com a criatividade, bom senso e flexibilidade. Cada um com seu background trazia vivências que acrescentavam. Muitas vezes havia uma ótima forma de tratar o problema que eu nem tinha pensado.

Fiquei surpresa que durante os jogos, aqueles cenários caóticos que testávamos não se realizaram. Talvez pelo fato de que estávamos mais atentos ao que poderia acontecer e evitamos que pequenas situações se transformassem em problemas. Apesar disso, as horas investidas nessa estratégia não foram em vão: era uma incrível oportunidade lúdica de rever políticas da empresa e suavemente alinhar comportamentos. Além das reuniões serem divertidas, o grupo se via muito mais seguro e confiante para executar o trabalho. Era como se já tivesse vivido de alguma maneira o que de pior pudesse acontecer, ficando assim preparado mentalmente para agir independente do que se desdobrasse no futuro.

Por mais experiente que seja, nenhum chefe tem bola de cristal para saber como o futuro na empresa vai se desenrolar. Apesar das incertezas, preparar seus subordinados pode ser uma tarefa leve e sem ansiedade. O maior papel do chefe não é ter mais conhecimento técnico, nem soluções para todos os problemas, e sim ter a capacidade de inspirar e incentivar que a equipe vá além e encontre saídas com o conhecimento que já possui.

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Publicado originalmente no LinkedIn