Cultura do Estupro: Não deixa de ser estupro por ganhar outro nome!

Hoje resolvi contar uma história sobre abuso e estupro.

Toda noite ela chorava e uma noite sentei e perguntei o motivo do seu choro e me abri para que ela contasse sua história:

“Meus filhos foram levados!” E com essa frase, uma das gatas mais sensacionais que conheci, começou a contar sua história. “Um dia nos encontraram (ela e os filhotes) na rua numa caixa e nos resgataram. Estávamos na rua e eu não comia há alguns dias para poder tomar conta dos meus filhos. Não quis sair de perto deles. Assim que nos levaram começaram a dar injeções muito doloridas (o lugar que resgatou essa gatinha deu injeções para parar a lactação para que ela e os filhos fossem adotados mais rápido) e um a um vi meus filhos sendo levados e eu fui adotada por uma casa que apanhei muito da outra gata.”

Eu estava aos prantos e estarrecida quando ouvi essa parte da história. Desde criança perguntei se os animais não sentiam falta dos seus filhos… A resposta era: não eles são animais, sentem nos primeiros dias e depois nem se lembram. Aquilo nunca me convenceu, mas como sempre, eram adultos que eu confiava respondendo, deveria dar algum crédito. Quando ouvi essa história dessa gatinha, minhas suspeitas foram confirmadas, sim, os animais sofriam E MUITO com a retirada dos filhotes. A dinâmica do reino animal é muito diferente da dinâmica humana, assim como a dinâmica humana também é muito diferente entre as diferentes culturas, mas retirar um filho a força é retirar um filho a força para qualquer espécie, e esse é um dos grandes abusos que cometemos como raça humana diariamente.

Imediatamente pedi perdão como parte da raça humana e expliquei que muitos humanos de fato não sabem o que estão fazendo e não tem esse conhecimento do mundo animal. Com todo amor do mundo, ela me explicou que não tinha que pedir perdão, mas pediu ajuda para limpar os traumas emocionais desse evento e acessamos os filhotes naquela noite para que ela pudesse vê-los energeticamente (após esse evento, ela nunca mais chorou a noite buscando seus filhos).

A segunda parte da sua história foi em relação à concepção dos filhotes. “Fui muito ferida”, ela definiu, a expressão que ela mostrou de terror e de dor só podem ser definidas como: estupro. Eu nunca tinha ouvido falar em estupro no reino animal, mas a história modificou minha forma de entender. Novamente, porque o reino animal tem dinâmicas diferentes, precisamos abrir nossa concepção para entender. Ela mostrou que entrou no cio e teve uma gato que a dinâmica foi consensual. No entanto teve um gato, maior e muito agressivo, que ela tinha terror por ser pequena e não tinha qualquer afinidade energética, no entanto ela apanhou do gato que a dominou e tudo aconteceu sem ela querer: estupro. Os animais tem uma habilidade de mostrar as histórias com muita clareza e essa história até hoje me dilacera o coração, considerando que além de tudo, essa é uma das gatas mais amorosa e doce que conheço.

A conversa com essa gata foi uma conversa muito especial, pois após mostrar suas dores e traumas, pediu ajuda para trabalhar com eles e logo depois passou a contar sobre sua missão e aspectos muito peculiares dos animais, ponto que ficará para um próximo texto.

Numa outra conversa, pedi que ela falasse mais sobre abusos e estupros no reino animal. Ela mostrou que existe o instinto, mas os animais também estão em faixas vibratórias diferentes, tem mais ou menos consciência, mais ou menos agressividade e alguns eventos acontecem pelo uso exclusivo da força e que isso é sentido como um estupro. Não obstante, ela se conectou ao reino animal e trouxe outras informações, mostrou os estupros induzidos e facilitados por humanos e os abusos e mostrou que damos nomes como cruza incentivada, inseminação, etc e nada mais são do que atos de estupro e abuso para muitos dos animais, muitas vezes não apenas para a fêmea.

Ela me mostrou acontecimentos com cachorros e diversas espécies de 4 patas, humanos colocando fêmeas pequenas com machos super estimulados e/ou agressivos e assistindo como um ato brutal esperando o macho “subir” na fêmea e várias pessoas assistindo (e torcendo) sem ouvir os apelos do animal que está lá desesperado para sair do local… Fêmeas que são seguradas a força ou amarradas e presas em determinada posição para facilitar que o macho possa chegar… Machos que são masturbados pelos humanos e encaixados nas fêmeas… Machos que são masturbados para os humanos coletarem o esperma e usarem na expectativa de aumentar sua “masculinidade”… Fertilização de animais… Fui pesquisar sobre esses temas, todos verdadeiros e todos terríveis. Ver a cena transmitida por um gato amoroso é uma coisa, ver as cenas na internet é mais grosseiro e brutal.

Essa gatinha mostrou também como o tratamento sem compaixão se torna abusivo para os animais e como eles sentem o abuso e isso fica profundamente registrado. Sim, o estupro existe no reino animal, mas o estupro promovido pelos humanos no reino animal só demonstra a cultura do estupro e da falta de consciência que continuamos propagando, não importa o nome bonito que se dê para a ação. O mesmo vale para o abuso.

Essa conversa me levou a questionar outros animais sobre abusos (galinhas, cavalos, cachorros, gatos, etc) todos mencionam a falta de consciência e compaixão humana e como eles se sentem feridos pelas agressões que sofrem.

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Aqui acaba o que eu queria transmitir da conversa, mas cabe a minha opinião (reforçando que o que vou dizer nas próximas linhas nada tem a ver com a conversa com os animais).

Questionamos a cultura do abuso e do estupro, mas não estamos percebendo que somos responsáveis por propagar essa cultura com nossas escolhas alimentares, escolhas de vestuário, escolhas de “animais de estimação” (não gosto dessa expressão, mas é bem cabível nesse momento).

Quando tive essa conversa, tentei dourar a pilula e não usar a expressão estupro, mas numa palestra em um retiro essa expressão foi utilizada várias vezes para descrever o processo de tornar as vacas grávidas e como internamente eu não estava sabendo lidar com as minhas escolhas, na hora fiquei toda revoltada. A grande verdade é que a revolta era o meu horror a entender que minhas escolhas faziam propagar essa cultura e que eu não estava pronta para assumir isso, mas só consegui me libertar quando passei a assumir o que eu gerava com minhas escolhas, o que abriu espaço para minha alma dizer: “Chega! Está na hora de mudar!” Hoje eu percebo que é a expressão mais correta. Sim é estupro e sim são abusos constantes, não importa que nome bonito possamos dar para tentar disfarçar os atos dos quais não estamos tendo a menor compaixão.

Já vi muita gente afetada por estupro e abusos de formas inimagináveis. Desde uma mãe que tira a roupa da própria filha criança até mesmo pais que abusaram de suas filha(o)s. Homens que sabem fazer projeção astral e estupram mulheres no astral. Namorados que se acham no direito de ter sexo a força. As histórias são muitas e são de homens, mulheres, crianças… Se queremos a liberdade e viver sem medo, precisamos achar o respeito não apenas pelo outo ser humano, mas também pelos seres de outras espécies, ainda que não entendamos essas espécies. Supremacia tecnológica não é supremacia de raça… Nossas escolhas fazem diferença em como contribuímos para a energia do abuso e do estupro se propagarem. Pense sobre suas escolhas!