Eu não queria sentir nada.

“Seu padre toca o sino
Que é pra todo mundo saber
Que a noite é criança,
Que o samba é menino
Que a dor é tão velha
Que pode morrer!”
(Olê, Olá — Chico Buarque)

Essa dor é tão antiga! E ai, Chico, tens razão… Bem que estava na hora de ela morrer! Olê, olá… quem sabe quando o (meu) carnaval chegar?

Dores latentes.
Latejantes, latitudinais.
Lancinantes, lacerantes.
Languescentes, lacrimejantes.

Assim, tudo começando com la. Lalala. Láaaa. Como a nota musical.
E essas aliterações são mesmo música pros meus ouvidos cansados, sugerindo: Senhoras dores, dá pra ir pra ? Não ouviram? VÃO EMBORA!

E esqueçam de uma vez por todas dessa alma frágil, curvada, aquilina.
Aqui, isso…me deixem aqui. Oca, sozinha, não tem problema. Desde que, finalmente, sem dor. E talvez um dia eu cate do chão os confetes e vá pular meu carnaval em paz Aqui, lá, em qualquer lugar.

(Novembro, 2006)