Ossos e nada

Eu acordei sentindo-me sozinha
De cara com suas costas, contei então
Todas as vértebras da sua espinha.
Você sentiu, na pele fria, minha mão?

Eu quis fazer um colar de suas costelas
Para sentir-me mais perto de si.
Imergir-me em sua respiração singela
Ou falha, ainda não sei o que sentir.

Apenas uma certeza me resta
Você não é pessoa física, com lábios e testa.
É uma ideia que surge de vez em sempre
Uma casca vazia, para tocar tão logo me lembre.

Os versos estão longos de mais
Para cálcio que é ausência.
E o que essa lamúria me traz?
Que não seja de amarga essência?

Eu o toquei e de seus ossos veio o pó
No fim, sempre levanto-me quando estou só.
É o ciclo da minha vida dando um nó
Na minha mente tentando sentir dó.

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