A pessoa certa para a tarefa

*Momento autoajuda*

Conversava há pouco com uma amiga sobre escrever (resenhas de livros, artigos, textos de ficção, etc.) e sobre a insegurança que bate na hora de sentar e fazer.

De insegurança eu entendo. Muitas vezes, demoro a escrever uma coisa que quero muito porque fico esperando o dia em que serei a pessoa certa para escrever aquele texto. Fico achando que ainda não estou pronta, que todo o preparo foi pouco.

Aí, não escrevo. Minha produção é ínfima e, no dia seguinte, continuo não sendo aquela pessoa capaz de criar as maravilhas que sonhei.

Então, percebi que a gente só se torna aquela pessoa quando senta e começa a fazer.

Sempre acharei que preciso ser melhor, que devo ser melhor para estar à altura do trabalho que quero fazer. É o meu jeito. Mas como é que chegarei a isso se não praticar, não é?

Então, estou, com o perdão da palavra chula, tocando o foda-se.

Estou sentando e fazendo, com as ferramentas que tenho hoje, com a pessoa que sou agora. Por enquanto, o hoje é tudo o que tenho. Pode ser que amanhã eu seja melhor que hoje, mas não serei se não começar agora mesmo. Continuarei sendo exigente comigo mesma, sabendo que, na prática, há coisas que realmente ainda não estou pronta para fazer, e talvez nunca esteja. Mas o resto, aquilo que meu coração pede, só conseguirei se der o primeiro passo.

*Fim do momento autoajuda*


Adendo: Publiquei este texto no Facebook e me surpreendi com a quantidade de amigos e colegas que se identificaram com ele, falando na síndrome do impostor. Parece que a maioria de nós nunca sente que está pronto. Mas saber que tantas pessoas conhecem a mesma sensação nos faz sentir menos sozinhos, menos loucos. E talvez seja um sinal de que, de fato, não estamos prontos; mas começaremos a ficar quando passarmos a trabalhar para isso.

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