Nao fui criada para ser a mulher para casar. E é uma aberracao achar que eu posso ser varias. A mulher superior e a inferior. A cozinheira e a executiva. A exploradora, aventureira, e aquela que faz o ninho.
Simplesmente nao é para mim e muito disso é por causa da criação, mas muito disso é parte de mim. Nao sei separar a criação que tive do que eu sou. Sociologicamente. O resultado da criação, o que é cultural, o que foi familiar, e o que me cabe bem.
O que sei é que hoje eu me encaixo bem no que sou. Nao gostaria de trocar minha vida pela de ninguém. E por isso preciso lighten up e curtir a vida que eu tenho sem olhar tanto para fora. No aniversario da juliana, fiquei olhando ela e o namorado, a flávia e o namorado e aquilo simplesmente não sou eu.
Não é o tipo de relacionamento, eu não sou esse tipo de mulher, enfim. Eu sou muito diferente, e é normal que eu seja, estou longe disso faz tempo, eu poderia ter sido se as coisas tivessem sido diferentes. Nao fui criada para ser mulher, eu fui criada para ser pessoa.
E talvez por isso essa roupa de mulher seja tao apertada para mim. Essa necessidade de ser caçada, de ser inferiorizada, de deixar que o outro tome a frente isso não serve tanto para mim. Sonhar em ser resgatada, a baixa auto estima de se esperar um pedido de casamento. Não.
Mas eu procuro mesmo assim um companheiro. Isso é tão discrepante assim?
Ontem eu me abri com meu pai, algo que é muito muito muito raro, e eu falei do John pra ele, ate o nome dele é enjoado, eu falei que eu tinha achado que tinha encontrado a ideia do rapaz “do meu nível”, porque outra coisa que percebi sobre mim é que gosto de coisas diferentes e discrepantes, como dois tipos de música totalmente diferentes, e até nisso o John encaixa e entende.
Mas é muito cedo para fazer assumptions sobre sua personalidade ou sobre o quanto ele se encaixaria na minha vida, mas ele parecia ser alguém que fosse ficar uns 3 meses pelo menos, alguém para fazer coisas legais, dar risada, conversar. Só que como homem talvez nao existisse uma atração assim ele é muito alto, o sexo era estranho e eu não sentia uma “stamina” sabe, um tesão, da parte dele, e talvez da minha.
Achei-o meio frigido, mas ele me parecia alguém que se encaixaria em todo o resto. Um homem honorável. Um cara para ler na cama. E apresentar pros amigos e fazer programas culturais. Um companheiro, que soubesse conversar. E como falta empatia nesse mundo. E ao me abrir com meu pai eu comecei a chorar. Porque eu sei lidar com todo o resto. Meu imposto de renda, minhas finanças e investimentos, manter as unhas limpas, e roupas semi novas no armário, e pagar a faxineira para passar aspirador no sofá.
Sao muitas as tarefas para se ter uma vida em ordem. E malhar a bunda meia hora por dia e aprender uma terceira lingua sei lá porquê. Mas isso, isso, que deveria ser a coisa mais fácil e natural, para mim é difícil. E vendo minhas amigas, sei que, se eu quisesse qualquer um eu fecharia com qualquer um, mas eu nao quero qualquer um. E aí sobra pouco.
Porque tem que ser alguem legal, que saiba conversar, que tenha um mesmo nível econômico e social que eu, e que me de tesão e isso sobra muito pouco. Mesmo sabendo que ninguem se encaixaria 100%. E por isso achei que o John pretty much se encaixava, mas eu acabei deixando ele escapar por entre os dedos. Talvez por estar carente. Talvez por demonstrar demais, ou cobrar ou sei la o quê.
A ferida do Bruno ainda doi, porque eu fui rejeitada eu acho que em grande parte pelo fato dele nao se sentir bem ao meu lado, mas o que ficou para as atas foi que eu enchia o saco dele. E eu realmente acho que eu não enchia. Mas ficou assim. E quando alguem te julga negativamente e simplesmente se afasta. Ó que dor. Oh the horror.
E ai eu fico dirigindo bebada procurando qualquer um que me toque. E eu fui conhecer esse rapaz no bar do Lu, o tal do Rodrigo. Meio que sem saber se ele era legal ou bonito. E turns out ele era bonito, e ele era articulado.
Algo me lembrava o Vitor. Mas ele queria viver o papel de ser o cara mais velho e seguro, “a roupa que eu dei pra ele” sabe, logo que nos vimos pela primeira vez. Tó, seja isso por favor hoje.
E o cara é vendedor, e ele entendeu o subtexto, and he played the character. E valeu pra mim porque fiquei a noite conversando com alguem legal, que me deu carinho, me abracou e me beijou e disse que eu era bonita. Alguém que não disse que se sentia assustado por saber das minhas coisas boas, na verdade que nem quis saber muito pra nao atrapalhar.
E se vendeu como um cara poderoso, mesmo sem ser. Ele provavelmente mora com os pais e está à beira dos 40 anos. E quando sai para comprar o jornal, compra o jornal local. You are doing it wrong I guess, mas deixa pra lá.
E parece que ele gostou dessa mulher supostamente poderosa mesmo que eu não estivesse cheirando bem ou bem vestida. O que eu tenho é minha cabeça, o que eu tenho são minhas experiencias. E por algum momento não estou conseguindo me arrumar como me arrumava.
Eu to em algum lugar inbetween. Nao gosto de me sentir feia, ou mal arrumada, mas às vezes eu penso que tem tantas outras coisas pra fazer, e acaba que ando meio sem roupa também. Minha visão mudou sobre essa parafernalha de ser mulher, de ser feminina, de ter que ter os aparatos. Eu gasto meu tempo me olhando como pessoa e não como mulher.
O que me irrita bastante é preconceito. Com pobre, com gente que não tem informacao, não sabe ler e escrever, com lésbica, com gay. Acho isso de uma pequeneza de espirito. De não ver a whole picture de tudo o que está por tras. Que a pessoa não sabe escrever por toda uma estrutura falha, da qual ela é a vitima. Ainda mais quando isso vem da suposta elite intelectual. Algo realmente nojento.
Sigo então tentando conviver com minha solidão. Às vezes bate mais doido. Às vezes fico meio tasting everyone I meet. E no fim é bom ser solteira. Experimentar. Ouvir histórias. Em um mês e pouco já conheci muitas pessoas novas pelo tinder.
Eu quero desvendar as pessoas. Entendê-las, e por tras de todas essas pessoas vejo muita beleza, muitos ensinamentos. Sou uma socióloga de mim mesma. Quero descobrir quem sou, quem os outros são, estou arriscando.
Me sinto muito viva, remando para mim mesma, trabalhando por conta própria nesse projeto que é ser feliz, que é me encontrar, que é encontrar alguem que some, eu mesma