Eu passo semanas com a mesma música na cabeça, tentando entender os acordes e descobrir as palavras escondidas dentro dos silêncios espaçados pelas notas que seguem construindo a melodia que me prende feito um labirinto. Acho absolutamente incrível a capacidade que algumas pessoas têm de transformar conceitos abstratos em uma linha de texto que segue acompanhado de uma série de sons que transformam poesia em movimento.

Sempre achei que em algum momento a música tivesse exigido palavras e discursos mais racionais do que notações. Mas há pouco descobri que na verdade foi a poesia que pediu o acompanhamento de notas musicais pra criar canções como conheço hoje. A palavra trouxe o som. Junto com o som vem o ritmo e eu não sei de nada capaz de transformar tanto o meu humor e a minha percepção quanto um compasso.

Quando rápido, ansiosa, quando lento, calma. Quando rápido, árvore, quando lento, folha. Quando rápido, cidade, quanto lento, mundo.

Essa construção complexa torna o ato de ouvir, apreciar e me deixar impactar por música ainda mais interessante, porque não é só gostar de uma série de estrofes e pronto. Consumir ativamente uma canção também significa abrir mão do controle o suficiente pra me permitir ser guiada por um ritmo. É uma entrega absoluta, de corpo e de mente. Tudo o que eu conheço como verdade se torna refém daqueles 2 ou 3 minutos e esse tempo de vulnerabilidade é capaz de subverter qualquer certeza que eu achava que tinha.

Que sensação brilhante.

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