Florzinha.

Dos muitos desejos que tenho pro futuro, o mais bonito é escrever um livro. Eu ainda não faço ideia de como se começa isso, mas certamente deve ter no youtube. Tem tudo no youtube.

Talvez seja sobre um super herói, mas desses bem carne e osso, que sangram, batem e correm de medo. Que tem que ralar pra descolar um carro, trocar informações com gente normal pra conseguir chegar ao destino, escalar montanhas, dormir no frio e atravessar desertos. E tem que escapar da morte inúmeras vezes forem necessárias.

Bem real, gente como a gente.

Melhor de tudo é saber que esse super herói existe. E que ele nunca me iludiu com suas estórias de sucesso. A vida desse cara foi sempre na porrada, mas também teve muito amor. Tem 60 anos, é alto, forte e fora de forma (mas já teve seus dias de glória!). É conhecido como Florzinha. Ou Flôr. Esse cara é o meu pai, prazer.

Se eu tivesse nascido com um gravador, certamente esse livro já estaria compilado. Acho que não conheço nesse mundo alguém que tenha mais merda pra contar do que os meus pais. Vai desde a pedrada na casa do vizinho até vender vaso chinês em antiquário sendo que o vaso é do próprio dono do antiquário. Deu nó? Pois pense bem.

A verdade é que eu adoro tudo que ele conta e morro de rir como se nunca tivesse escutado. E fico aflita com as inúmeras vezes em que se meteu em enrascada séria, e de todas as vezes que tudo no qual investimos deu errado. Mas o super poder desse cara é se reinventar. Não houve um só dia em que o visse derrotado e pensando em desistir de tudo. Nem um dia sequer que se deixou abater.

Sei que esse livro, na verdade, é nosso projeto de vida: colocá-lo sentado numa cadeira de balanço e deixá-lo contar todas as peripécias. Da vida nas estradas brasileiras, do dia em que foi comer pastel na Central às 3 da manhã, que foi parado numa highway por jogar uma bituca de cigarro pela janela, de como se virou sozinho no deserto para entrar nos EUA, de como nos salvou a vida.

Vai do mundo das drogas ao encontro com Deus.

Eu tenho tudo projetado aqui na caixola, só me falta inspiração. Tipo aquele filmes americanos que o cara abre o computador e nada acontece? É, essa sou eu. Talvez seja um livro de crônicas; talvez seja uma narrativa; talvez seja uma fábula.

Ou talvez seja só a biografia, meu pai é minha eterna poesia.

Não parece o Clark Kent?
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