Fratura exposta.

Escoro meu queixo sobre as mãos e fico pensando no que escrever quando na verdade eu tenho imaginado como faz pra sumir um pouco do mundo. Daquelas fases que a gente quer dormir e só acordar no Carnaval, onde cada um esquece das dores que lhe arrancam a pele e a gente faz de conta que é feliz.

Em pouco menos de dois meses serei jogada dentro daquele cômodo escuro e sujo que já me assombra daqui. Me vejo novamente com as pernas moles, em tombos, caindo e me arrastando pelo chão aos berros, urrando pra ser mentira e me perguntando o que vai ser de mim à partir de agora.

Ok, sei que muito disso é pura bobagem, que no fundo a gente tá pronto pro que der e vier. Na real, a gente é preparado pra pior cena possível. Se tem uma coisa que a gente sabe é se reinventar ou fingir. Assumo o risco de ser boa em ambas as coisas, mas sei também que, apesar de tanta fortaleza e coragem (esses itens exigem, acredite), minha fragilidade tem sido como uma fratura exposta que eu tento curar com gaze. Enfaixo de qualquer maneira e vou aos trancos e barrancos.

Trancos também que eu despejo em quem se propõe à tentar me curar. Sou injusta e sei disso. Autossabotagem, sabe? É como se a minha cabeça quisesse potencializar aquilo que já dói, como se fosse necessário. Não bastasse tudo até aqui, tem que piorar. Ou não tem, ou espero que não. Na verdade, é o que me salva.

Até lá, vou sofrendo por antecipação. 
E me mutilando aos poucos pra já me acostumar com a dor que lateja um pouco todos os dias e que ainda vai doer interminavelmente, como naquele 25 de novembro que jamais será o mesmo daqui pra frente.