O som do silêncio.

Minha mente grita.

Basta me calar por uma noite e eu ouço todas as vozes que eu nunca gostei muito de escutar. Arrancam de mim as vísceras, martelam, obrigam e querem me fazer varrer embaixo do tapete velho que eu resolvi esconder.

Quanto mais me calo, mais eu falo. Falo comigo e fico imaginando se é monólogo ou apenas um diálogo excêntrico entre duas pessoas completamente loucas que não sabem bem usar as palavras.

E dessas palavras da qual sou rainha de papel, ao saírem de minha boca me ferem, me cortam e espalham pedaços que talvez nunca mais eu consiga juntar. É tanta gente machucada que resolvo parar e ficar em silêncio.

Some a voz, some o barulho, sobra o som.
E o som do silêncio é ensurdecedor.