Vinte e cinco

Em 25 dias eu completo 25 anos. E agora?

Sempre fui muito ansiosa e sempre pensei muito no futuro. Até demais, acho. Quando eu tinha 8 anos meu sonho era fazer 16. Era a idade dos personagens de Malhação, e tudo que eu queria era ser igual a eles, sair com meus amigos e beijar na boca. Quando eu cheguei lá, fazia tudo isso, então foi incrível. Aí, quando cheguei aos dezesseis e me tornei a adolescente que eu queria ser, meu sonho passou a ter vinte e cinco. Quando eu chegasse lá, naquele dois mil e dezessete tão distante, eu, com certeza, já teria pelo menos dois ex namorados e um atual sério o suficiente pra pensar em casamento. Eu moraria sozinha e bem longe de Jacarepaguá, claro, porque eu seria totalmente independente financeiramente.

Em 25 dias eu completo 25 anos. O primeiro de maio de dois mil e dezessete que parecia longe à beça lá em 2008, chegou com o pé na porta. É bem certo que eu não tô nadinha parecida com o que sonhei aos 16. E nadinha parecida com o que algumas amigas minhas estão hoje. Muitas estão casando, tendo filhos, com a vida profissional estabilizada e passando férias no Caribe. O que trago de bagagem até aqui são vários pseudo relacionamentos breves e fracassados, muitas decepções, uma faculdade trancada, uma concluída (01 vitória) e um trabalho que não paga minhas contas. Minhas férias inexistem porque eu mal tenho dinheiro pra pagar o cartão de crédito. No momento, minha conta corrente tem cinco reais, e, acreditem, é um milagre que não esteja no negativo. Realização profissional? Pff. Me formei, tá certo, mas será que era isso mesmo?

Chega um momento que só dá vontade de gritar a plenos pulmões: QUE PORRA É ESSA QUE TÁ A MINHA VIDA?

Mas, apesar de tudo isso, prestes a fazer 25 eu posso dizer que amadureci alguma coisa, pelo menos. Aprendi que é melhor ficar sozinha do que com boy lixo. Aprendi que eu sou intensa assim mesmo e problema deles que não sabem lidar com isso. Aprendi a olhar o preço das coisas no supermercado e desistir de comprar feijão porque meu deus tá caro demais. Entendi que ser adulto, juro, é um saco. Adulto tem que ir no banco, trabalhar doente, ser simpático com gente chata e aceitar que uma noite de bebedeira vai ter consequências drásticas na sua semana. Se virar a noite, então, já era. Café vira seu melhor amigo, muitas vezes é o seu almoço. Você não vê mais seus amigos tanto quanto gostaria e juntar um grupo grande virou missão impossível. Posso dizer também que aprendi a conversar sobre política, que hoje tenho um posicionamento mais definido e, velho, eu finalmente consegui ser fã de outra banda que não seja Los Hermanos.

Colocando na balança o que ganhei, o que perdi e o que era só ilusão de adolescente, talvez eu não esteja tão ruim ao completar um quarto de século. É bem verdade que não tenho um relacionamento sério, que não me sustento, não me encontrei profissionalmente e ainda moro em Jacarepaguá, mas, de uma certa forma, eu cresci um pouquinho. Ainda tenho minhas crises com a vida, ainda sou intensa nos relacionamentos e ainda tô aí em busca daquela pessoa que vai ficar. A diferença é que hoje eu encaro estar sozinha como uma forma maravilhosa de me conhecer. A solidão é doce, como eu já disse em outros devaneios por aí. E acho que isso foi um dos presentes mais valiosos que ganhei em estar ficando adulta.

Quando comecei um trabalho difícil esse ano, eu escrevi e coloquei como fundo de tela do meu celular que tudo vai dar certo. E é nisso que me agarro. Eu não tô onde achei que estaria, mas talvez eu precise passar por essa fase turbulenta de fim de faculdade, início de carreira, dúvidas e mais dúvidas, pra chegar onde eu quero. E vai rolar, pra mim, pra você, pra todo mundo. Vai dar certo. E não esqueçam de me dar parabéns, eu gosto muito de receber parabéns.