O sofrimento existe. E está tudo bem.

Em época de rede social, a tristeza não tem vez. Ninguém fica triste, melancólico ou para baixo, esse é pior sentimento que existe. Sentir ou demostrar qualquer nuance de tristeza é sinal de fraqueza ou ingratidão. Quando esse sentimento culturalmente ruim chega, já tomamos artifícios para elimina-lo, ou pelo menos, abafa-lo, mesmo que momentaneamente. O desapego e a gratidão estão em alta, então não dá tempo de ser triste. Sentir raiva, ciúmes, inveja, frustração, também não pode. Somos evoluídos demais para isso. Se você sente, tem algo errado.
Por que separamos e categorizamos sentimentos? É claro que ninguém gosta de se sentir triste, mas é algo inevitável. O que fazemos e como lidamos com esse sentir é que deve ser posto em cheque. Quando escondemos e não falamos sobre isso, o mundo entende que é uma falha do indivíduo vivenciar esse sentimento “ruim”. Mas não é isso que nos torna humanos? Não é a subjetividade e a diversidade de maneiras que um estímulo pode gerar nas pessoas que nos fazem interessantes e distintos? Que nos despertam a curiosidade no outro, que nos fazem querer relacionar, discutir entender, escutar… Qual seria a graça de viver se tudo o que acontecesse em nossas vidas gerasse só felicidade e alegria? Será que saberíamos apreciar esse sentimento?
O ser humano quer evitar o erro, a decepção e o sofrimento a qualquer custo. Quando sofremos nos vemos obrigados a refletir, avaliar, remoer algo que não é tão agradável assim. Além disso, nos sentimos inseguros para demonstrar ou dividir isso com alguém. Claro que não é legal ficar triste. Entretanto, se isso fosse tratado com mais carinho e com a naturalidade que deveria ser atribuída, o sofrimento viria com uma carga mais leve, e às vezes até positiva.
Temos que parar de negligenciar e esconder o sofrimento e a tristeza. Deveríamos até valoriza-los. Você não é o único que vivencia isso, você não está sozinho. Quando sofremos e erramos é quando aprendemos e evoluímos. É no momento de crise que nos obrigamos a olhar para dentro, a nos priorizar. É esse momento que dá espaço para a felicidade, para a alegria, para o aprendizado, para o crescimento e para a evolução. Os sentimentos são flutuantes. A questão é dimensional e não categórica. É completamente normal não ser feliz e satisfeito o tempo todo e isso é incrível.
