Por que é tão difícil entender o outro?

Muito já se foi dito sobre as diferenças entre os homens e como isso o destrói. Destrói porque causa conflito e conflito em grandes proporções é guerra. E guerra mata. Você pode até achar que a maior prova disso a obediente Alemanha de Hitler de 1939, mas está errado. A maior prova disso está acontecendo a cada segundo e está destruindo a raça humana.

Bem-vindo à geração que (finalmente) aprendeu que a vida é curta e deve ser aproveitada. Deixando de lado todas as possíveis crenças sobre ressureição e reencarnação, chegamos à época em que todos têm conhecimento do seu tempo sobre a Terra e querem tirar o máximo proveito disso. A grande era do EU. Se pararmos pra pensar que nossos avós sentiam aquela pesada obrigação de permanecerem casados até o fim de suas vidas há menos de 50 anos, até que aprendemos rápido. Aprendemos que divórcio é uma alternativa banalizada, dar bom-dia pro porteiro é um ato superestimado e oferecer passagem pra outro carro no cruzamento é perda de tempo. E como se aprendizados fossem caixinhas que necessitassem de espaço no cérebro com a retirada de outras caixinhas, desaprendemos o significado das palavras deveres e responsabilidades.

Na grande era do EU, você tem o direito de se colocar acima de tudo e de todos. Se você pensa de determinada forma, todos devem pensar assim, ou estão errados. Isso também vale para assuntos sobre os quais você não tem nenhuma relação ou interesse, como o casamento gay, se você é heterossexual. Quando a grande epifania sobre o “aproveitar a vida” pairou sobre a sociedade, bloqueamos o fato de habitarmos o mesmo mundo com outras 8 bilhões de pessoas. Passamos a ouvir supostos ensinamentos, do tipo “Se você não enfrentar o mundo, ele vai comer você vivo.”, “É sua obrigação ser o melhor engenheiro do mundo, ou seus concorrentes serão.”, “Não importa se a sua carga horária é de 8h, trabalhe 12h para chegar ao topo.”. Basicamente nascemos em uma grande gincana onde todos ao seu redor são seus concorrentes e o seu único objetivo é chegar em primeiro lugar, mesmo que você tenha que empurrar alguns na lama.

Quando o mundo em que você vive ensina que você deve se colocar em primeiro lugar sem se importar com os outros, por que você perderia seu tempo tentando entender e conhecer quem está ao seu lado? Por que a opinião do outro deveria ser levada em consideração? Por que o que é diferente do que você faz pode também estar certo?

Pare 1 minuto para refletir sobre tudo aquilo que você não acha correto dentro dos seguintes temas: aborto, sexualidade, ideais políticos, poliamor, consumo de drogas, crenças religiosas, evolução digital, diversificação cultural. Provavelmente você tem uma opinião formada e sólida sobre o assunto (se não tiver, tudo bem, mas lembre-se de não deixar que os outros pensem por você) e tem consciência de que milhares de pessoas por aí têm uma opinião exatamente contrária à sua e também acreditam estarem rigorosamente certas. Você é capaz de se desarmar de suas certezas e tentar imaginar que o outro lado também pode estar correto ou que, talvez, o seu não seja tão bom assim? O mundo não ensinou você a fazer isso, mas você deve lembrar que as guerras (sejam as pequenas guerras diárias dentro do seu escritório ou as grandes guerras mundiais) acontecem pela incapacidade humana de compreender o outro lado. Por que é tão difícil entender o outro?

Que cada ser humano vive uma realidade única não é novidade, mas você sabe exatamente o que isso significa? Isso significa que enquanto você está aí sentado lendo uma notícia sobre uma atriz americana que colocou implante de silicone e a julgando negativamente por isso, você jamais será capaz de compreender a realidade na qual ela está inserida e por que essa decisão foi tão importante para ela. Da mesma forma, quando você julga determinada pessoa por ter fé em uma religião com crenças tão diferentes das suas, você está declarando que somente o que é bom para você pode ser bom para os outros.

As mudanças na sociedade não são repentinas e podem demorar gerações para aparecer. Mas as mudanças em cada um de nós podem acontecer em minutos, quando decidimos redirecionar os nossos pensamentos. Agora, por exemplo, tenho a esperança de ter redirecionado os seus pensamentos a buscarem compreender um pouco melhor quem está ao seu lado. Quem sabe, daqui a gerações, sejamos capazes de compreender todos os fluxos de pensamento e coabitarmos com pessoas tão distintas de nós, em paz.