Quanto vale uma emoção positiva?

(ou saudade de uma Olimpíada particular)

Acordei com uma saudade borbulhante no peito. Fechei os olhos e me concentrei pra resgatar de onde vinha esse sentimento. Percebi que era saudade da sensação de participar das gincanas da minha cidade quando eu era adolescente. Claramente, o gatilho para essa memória foi o clima de Olimpíadas. Mas a emoção nem se compara. Nada se compara às gincanas de Três Rios. Humpf… Pergunte a qualquer trirriense que foi adolescente na década de 90. :) Não há nada que se compare a uma emoção positiva guardada na memória.

Imagine que durante as férias de julho a cidade inteira era dividida em duas equipes: GB e Gancho. Cada equipe tinha seu QG (quartel general) “ultrasecreto”, onde a equipe confabulava como seriam atendidas as provas, que incluíam várias modalidades de esporte e dança, atividades culturais e até espécies de caças ao tesouro pela cidade. Posso dizer que foi o meu melhor treinamento de liderança e trabalho em equipe. Sem dúvida.

Lembro de uma prova em que deveríamos representar a cultura dos anos 60. E enquanto eu e o pessoal mais ligado à dança estávamos ensaiando uma performance evolvendo meninas de vestido rodado de bolinha e meninos de jaquetas de couro ao som de “Grease”, outros integrantes estavam revirando acervos de discos de vinil e revistas antigas de pais e avós para incluir na exposição e convencendo o pai de alguém a ir dirigindo um carro de época para chegar “arrasando”. O negócio era sério. ;) Uma exigência que não há como me esquecer: a última prova era sempre uma dança envolvendo todos os integrantes. Era praticamente a cerimônia de abertura da Rio 2016 na minha lembrança adolescente. :) E, claro, o encerramento tinha direito a fogos, carros de som e desfile por uma das vias principais da cidade: a Avenida Beira-Rio.

Se nesses últimos dias vibramos com cada medalha do Brasil, nos enchemos de orgulho com a beleza da cerimônia de abertura e com o clima delicioso da cidade, imagina como era ter isso todo ano sendo ao mesmo tempo atleta, voluntário, comissão organizadora e torcida. Para os adolescentes da cidade, o clube CAER, onde eram realizadas as atividades, era como se fosse o Maracanã. Era o melhor lugar do mundo para estar nas férias.

Quanto vale uma emoção positiva? Quanto vale uma vivência cheia de vibração, torcida e orgulho de pertencer a algo grandioso? O que hoje ainda tem de arestas e pontas soltas, amanhã, a memória se encarrega de arredondar, amarrar e arquivar numa prateleira ao lado de outros troféus e medalhas da vida. A autoestima e as emoções positivas são a maior conquista que podemos ter. E este é o maior legado das Olimpíadas para os brasileiros. São elas que nos dizem que a vida valeu a pena. Como você vai se lembrar do que está vivendo hoje?

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