fazia tudo na tentativa de esquecer você. secava o cabelo imaginando porque não teria dado certo. cortava as unhas lembrando do dia em que se declarou apaixonado. fechava as janelas com o vento frio como quem fecha, estanca a ligação entre a garganta e o estômago. já não queria mais estar ansiosa, já não queria esperar o amor que não veio. bebi dois litros d’água pra eliminar teu cheiro do meu corpo, eliminar sua vontade de estar perto de mim mesmo sabendo que não dá certo. comia com vontade de tirar o gosto de maresia que você traz.

e aí que você faz anos semana que vem.

eu já não quero estar perto. espremi cravos pra tirar a fumaça do cigarro que você fumava, varri a casa querendo esquecer o seu rosto de prazer, o seu sotaque, o cafuné que eu fazia.

porque ainda queria estar perto de mim? porque ainda insistia se sabemos que você está ligado à outra? e a minha função era ser pedra, seca. minha função era não chorar diante de tudo isso. o meu medo de me afundar era maior. era minha obrigação de segurar a onda, de não deixar bater. até quando sentir pela metade vai ser visto como virtude? e eu que sinto tanto, ainda quero sentir mais.

mas não por você.

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