A decisão de matar
André Kano
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Kano, querido. Eu tive que tomar a mesma decisão que você, há muitos anos. Dezesseis, pra ser exata. Foi dividida com a minha mãe. Ela não tinha coragem de decidir. Eu não tinha coragem de levá-lo. Eu decidi, ela levou. Mesmo assim, mesmo no fifty-fifty, foi a decisão mais difícil da minha vida. E naquela época, o Darry era um cãozinho “das crianças”, um irmão que cresceu com a gente. Não tinha aguentado a metade das barras que eu já dividi com a gata Nina, por exemplo. Que foi quem cuidou de mim em crises de depressão aguda. Que hoje tá comigo em Portugal, com os dois irmãos de pelo e bigode. Mas que tá ficando velhinha, é verdade, o que me traz à tona a memória daquela decisão, a mais difícil da vida. Ter um bicho não é fácil mesmo não. Mas eu faria (e faço) tudo de novo. Um beijo pra você. Abraço apertado.

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