Fiquei uma semana sem Instagram e foi assim

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2017

Meu marido me fala no café da manhã sobre os planos dele de desconectar um pouco. Não checar o Twitter por um determinado período, por exemplo. E me sugere fazer isso também, mas com o Instagram.

O fato é: eu sou uma viciada nessa rede. Quando não tô fazendo nada, apenas abro o aplicativo e fico dando scroll nas fotos. Likes aleatórios: fotos de comida, moda, cachorro e memes. Às vezes eu até tento ser mais seletiva, mas só vou clicando duas vezes mesmo. Eu também pego o celular no meio de uma série, se um filme. Sabe aquele momento meio boring da história? Então…

Assim que meu marido saiu pro trabalho, eu decidi deletar o aplicativo e prometi pra mim mesma ficar uma semana sem usá-lo.

Já fiquei muito curiosa sobre o meu comportamento. “Será que agora eu vou usar mais o Pinterest? Será que eu vou desencanar de pegar meu celular toda hora? Será que eu finalmente vou parar de procrastinar?”.

Nesse dia mesmo, eu posso dizer que eu mal senti falta. Parecia que meu cérebro tinha bloqueado a existência dele. Apenas segui em frente.

Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2017

Hoje eu acordei e senti um pouquinho de falta de dar aquela olhadinha. Mas segui em frente. Percebi que minha manhã já foi um pouco mais produtiva.

Durante o almoço coloquei um episódio de The Crown e me peguei abrindo o celular pra mexer no Instagram. Foi uma ótima ideia ter deletado o app do celular. Assim não tem como dar aquela roubada no jogo. “Se concentra na série, Camila”. Mas ainda assim, peguei o celular mais duas vezes pra mexer. E sempre lembrava que não tinha mais o app instalado. Vida que segue.

À noite, antes de dormir, eu sempre ficava mexendo e vendo as fotos. Hoje não, fui pensando. Tive várias ideias. Tirei minha máscara de dormir, abri os olhos e peguei o celular só pra anotar algumas delas. Dormi.

Quarta-feira, 1º de Março de 2017

Eu nem ia contar sobre essa experiência pro meu marido agora. Queria fazer surpresa, mas eu não consigo. Quando fico animada com algo quero compartilhar. E sabia que ele ia curtir. Queria deixar ele curtir junto comigo. Então contei. Ele ficou orgulhoso, perguntou como eu estava me sentindo. Eu disse que estava me sentindo bem e mais produtiva. No geral, não sinto falta do app.

Coloquei minha ideia anotada em prática. Fase de testes. Me sinto animada.

Saí pra almoçar com os amigos. Nem relei no meu celular durante o almoço, ficou no bolso da jaqueta. Às vezes eu sinto meio que falta de gravar um Stories. Mas ninguém precisa saber tudo o que acontece comigo. Na verdade eu nem me acho tão interessante assim. E por que eu gosto tanto de compartilhar as coisas?

A previsão do tempo dizia que ia chover o dia inteiro, mas olha só, fez sol a tarde. Quando voltei do almoço, aproveitei o tempo quente pra levar a Frida ao parque. “Nossa, que dia lindo, que luz bonita”. A Frida às vezes fica uns 5 minutos cheirando o mesmo lugar (tá, não 5, mas algum tempo), é nessa hora que eu pego o celular, abro o Instagram e dou uma conferida, às vezes faço um Stories. Pego o celular e “putz, não”. Deixo pra lá.

Às vezes eu dou uma substituída pelo Bloglovin’, mas como são blogs e tem muito texto, eu nem fico muito tempo por lá. Não me leve a mal, não tenho preguiça de ler, mas ver uma imagem é diferente de ler um texto, daí sou mais seletiva e leio coisas que realmente me interessam, não perco tempo com coisinhas bobas.

Essa noite eu tive insônia. Li alguns blogs, olhei o Facebook. Pensamento: “ficar sem Facebook”.

Quinta-feira, 2 de Março de 2017

Hoje eu não senti falta do Instagram quando acordei. E sim, eu substituí pelo Facebook. Shame on me. Paciência. Mas eu notei que procrastino bem menos com o Facebook.

Fui ao parque de manhã e nossa, estava uma manhã linda. Queria postar no Stories? Sim. Mas que diferença isso faz pra mim ou pros outros? Fiquei refletindo. “Será que alguém já ficou mais feliz, ou pelo menos deu um sorriso, ao ver minha foto ou vídeo? Isso faz diferença na vida da minha rede?”.

Quando cheguei em casa recebi mensagem de uma amiga perguntando se estava tudo bem comigo, pois eu estava meio sumida das redes. É, pra alguém eu faço falta. Me deu uma certa felicidade ler aquilo. Falei que estava tudo bem, só evitando as redes um pouquinho. Percebi que minha produtividade aumentou.

Hoje eu senti bem menos falta do aplicativo. Mas o fim de semana está chegando. Às vezes meu marido coloca uns filmes ou séries que eu nnao curto muito, daí fico com ele, mas aproveito pra ficar no celular, vendo fotos. Como será agora?

Sexta-feira, 3 de Março de 2017

Hoje eu tinha muita coisa pra estudar e um workshop pra atender. Minha manhã inteira foi dedicada a isso. O workshop foi depois do almoço, então até ele acabar, não tive muito tempo livre.

Depois do workshop, acabei indo ver um pouco de série e depois um filme. Daí nisso o marido avisou que estava saindo do trabalho, fui fazer a comida da Frida e pronto, o dia praticamente acabou. Ou seja, não tive muito tempo ocioso pra ficar mexendo nas redes sociais.

Mas hoje, pela primeira vez lembrei que sigo uma chef que está grávida e pensei se a criança nasceu. Engraçado como a gente se torna íntimo das pessoas, né?

Uma colega também postou no Facebook sobre como a gente sofre essa pressão da vida perfeita. E mesmo quando não tem nada rolando, seja uma coisa legal, como uma viagem, ou até mesmo um problema, que faz você se sentir como se tivesse que ter pena de si, a gente sente a pressão. Parece que as coisas não podem estar inertes, pois as pessoas da sua rede estão mostrando algo: “olha, estou viajando e está sendo MUITO legal”, “ai, fiquei doente, tô de cama, mimimi”. A gente não pode mais ter dias sem nada de mais acontecendo. Até um day off, deitado no sofá vendo Netflix se transforma num evento, né?

Sábado, 4 de Março de 2017

Hoje meu marido acordou antes de mim. Isso significa ficar um tempinho de preguiça na cama. O que significava ficar quase que horas no Instagram. Como eu escrevi em algum outro dia, acabei trocando uma rede pela outra. Mas sabe que eu não achei o Facebook tão mais interessante assim? Fiquei alguns bons minutos navegando, mas ficou desinteressante.

Realmente, o Pinterest não tem tanto apelo assim pra mim. Durante toda essa semana, eu abri o app umas 2 ou 3 vezes.

O Bloglovin’ não conquistou um espaço imenso na minha vida nesse período. Continuou a mesma coisa.

Mas eu tenho sentido falta de tirar uma foto bonita e publicar. De dar uma olhada em referência. Essa semana participei de uma palestra de um fotógrafo do New York Times e acabei entrando no perfil do Instagram dele. Mas no desktop. Dei o follow, vi as fotos e saí rapidinho. Pra mim isso não contou como um roubo.

Segunda-feira tenho um evento importante pela manhã. Não quero baixar o app e perder tempo. Então decidi que vou fazer isso quando chegar em casa, a tarde. Mas tô torcendo pra essa experiência ser legal e que eu nem lembre de fazer isso até terça (RISOS NERVOSOS).

Domingo, 5 de Março de 2017

Sinceramente, eu me acostumei a ficar sem o Instagram. De verdade. Às vezes me bate sim uma vontade de dar uma espiada, mas daí eu reparei que isso não faz a menor diferença na minha vida. Eu REALMENTE preciso aprender a desapegar e usar melhor meu tempo. Aproveitar mais a vida aqui fora. E se for pra usar como rede de pesquisa, ok. Mas não preciso ficar o tempo todo no aplicativo.

Até aqui, senti falta? Sim. Mas não foi algo crucial pra mim. Foi um bom aprendizado.

Tirei um cochilo a tarde e, geralmente quando eu acordo eu fico imprestável. Essa hora eu pegaria meu celular e ficaria vendo fotos e mais fotos. Dessa vez fiquei só pensando na morte da bezerra mesmo. Por uma boa meia hora… Até que decidir levantar e brincar com a Frida. Acho que ao invés de brincar com ela, em outro cenário, eu teria gastado todo esse tempo vendo imagens que muitas vezes nem me dizem nada, distribuindo likes aleatórios e, sim, infelizmente, invejando a vida alheia.

Segunda-feira, 6 de Março de 2017

Acordei 6 da manhã pra ir ao meu evento. Óbvio que nem deu tempo de pensar em nada. Saindo de lá, fui fazer compras. Voltei pra casa e preparei o almoço.

Fato curioso: no meu caminho de volta chequei meus emails e TCHAM: o Instagram me mandou um email! Eu fiquei chocada com isso. Era algo tipo: “Camila, veja o que as pessoas estão postando”. Algo como: VOLTE A USAR NO APP IMEDIATAMENTE OLHA TUDO O QUE VOCÊ ESTÁ PERDENDO!!!

Mas eu não caio nessa. Só dei risada. Mas sigo chocada com esse algoritmo deles. Fico imaginando o que o Facebook não sabe sobre mim! Que eu deixei de usar o aplicativo por um tempo defitivamente ele sabe.

Só fui baixar o app depois de comer. Fiquei alguns (poucos) minutos dando uma olhada e… cansei.

Daí resolvi postar uma foto. Sinceramente eu queria testar o algoritmo. Ver se meus followers seriam impactados logo de cara. Até que demorou pra aparecer o primeiro like. Talvez a culpa seja da foto. Mas, novamente, quem se importa?

Talvez da próxima vez eu tente um jejum maior. Espero de verdade que eu não fique mais tão viciada nisso. Quero dar mais valor pro meu tempo e pras pessoas que eu gosto. Quero apreciar mais tudo que eu puder.

Que a lição dessa experiência demore muito tempo pra se diluir de mim.

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