um desabafo

Ser publicitária no Brasil não é fácil. Não tô dizendo isso por ter tido experiências no exterior, porque não tive. Nem me baseando nos amigos que tiveram. Nem sou íntima de tanta gente assim que teve. Também não posso afirmar que estou dizendo isso porque estou vivendo numa fase meio… digamos que tensa.

Eu tinha um emprego numa agência legal. Era um trabalho que eu estava acostumada a fazer, mas tinha os desafios. E isso é uma coisa que me move: de-sa-fio. Não era apenas o arroz com feijão: posts de Facebook, planejamentos de conteúdo, se certificar que tudo subiu certinho, sem erro, etc. Na verdade, parece que era bem isso. Mas eu estava aprendendo algo legal, a lidar com culturas diferentes, pois coordenava em outras línguas e estava conectada com times em diferentes países. Daí veio a crise e PÁ, saí da estatística legal pra outra, do desemprego.

Eu fiquei bastante chateada com isso, afinal de contas era um lugar legal. Eu gostava muito do meu trabalho, do meu cliente, do meu time. Mas depois de um tempo, ponderando, eu percebi que ter saído de lá não foi só bom pra mim. Foi ótimo.

Foi ótimo porque eu finalmente estou conseguindo cuidar da minha saúde. Antes eu não tinha tempo pra nada, marcava médicos e não ia. Sempre tinha uma demanda ou uma reunião em cima da hora e nunca dava tempo de ir. Deixei minha saúde em segundo plano. E o que eu ganhei além de muito estresse? Uma labirintite.

Conforme fui evoluindo nos trabalhos, mais tempo eu passava dentro da agência. Mais tempo dentro da agência significa menos tempo com a minha família, tendo momentos de descanso e lazer. Menos tempo pra ler, ouvir música, desenvolver um hobby.

E o que eu ganhei com meu tempo dedicado ao trabalho e deixando todas as outras coisas de lado? Sinceramente, nada de bom. Afinal nunca estamos seguros, mesmo sendo comprometido, fazendo horas extras que nunca serão pagas ou nem mesmo reconhecidas. Tendo que lidar com o ego de quem estava acima de mim… e também de quem estava abaixo.

Em um ambiente de agência não existe a cooperação. Você faz o seu e, provavelmente, o trabalho de mais algumas pessoas. E se der merda, você será o culpado.

O que eu quero pontuar aqui não é que esse lugar que eu trabalhei, ou algum outro específico é assim. São todos. Não exatamente dessa forma, mas cada um tem a sua característica ruim. Aposto que existem mais um milhão de exemplos. Mas esse não é meu ponto.

Meu ponto é que a gente deve começar a mudança. Que tal começar a se unir com a arte pro layout sair a tempo? E pode ser qualquer área, porque basicamente todo mundo precisa de arte. E se a gente começar a ponderar MESMO o que é urgente? E se ao invés de falar “ainda não é isso, mas eu também não sei o que é” e dar um insight construtivo e se envolver mais em determinado projeto? Que tal se a gente parar de querer abraçar o mundo e não fazer o trabalho de três (usando a desculpa de que estamos aprendendo e sendo versáteis) e começamos a fazer o trabalho de um e fazer bem feito?

Estar no momento afastada dessas coisas realmente me faz enxergar que o que eu tinha não era saudável. E de que adianta você ter um mês de férias por ano se mesmo estando afastado muitas vezes a gente não consegue desligar a cabeça?

Será que a gente precisa mesmo de tanto esforço pra morrer na praia? Não. Não precisa.