Musa medusa

Não arrasto pelos sete mares se não quiser, com todas as serpentes da minha cabeça, o seu abraço

A distância é o reino de “Foi Melhor Assim”.

A esfinge fascina o mundo, mas quem viajou para conhecê-la voltou desamparado. Não há mistério de perto, só um bem real deserto. Você desposaria a bela se soubesse que no fundo não há dilema, só há ela? Se amou de longe, longe fique, não soterre sua miragem com areia quente.
 
 Prefiro ser medusa de carne e osso. Não arrasto pelos sete mares se não quiser, com todas as serpentes da minha cabeça, o seu abraço. Se arrasto, pode apostar, vai ter comida, vai ter amasso, vai ter amiga, vai ter bolo, vai ter jogo e vai ter briga no fim. Só não vai ter “foi melhor assim”.

Não quero intrigar ninguém, sou uva e não armadilha de raposa. Meu mistério tem cor, gosto e cheiro, dá para apalpar antes de vê-lo inteiro. Poucos sabem o que fazer com um mistério de verdade. Será que seus sentidos estão treinados para além da imaginação e da vaidade? Ou só sabe simular o gozo alheio? 
 
 Troco todos os seus likes por um olhar boquiaberto, que absorvo lento. Não dou pra musa romântica, prefiro queimar no seu colo do que esfriar no seu poema.