A dor não dura uma noite

A dor não dura uma noite e a alegria certamente não vem ao amanhecer.

Cheguei à essa conclusão quando o sol iluminava todo o ambiente, os passarinhos cantavam na janela e o cheiro de chá de hortelã me fez sentir tanta saudade do seu hálito que eu não sabia onde enfiar as mãos (ou o resto do corpo).

Não sei distinguir se estou solitária, maluca ou apaixonada. E francamente, todas as opções clamam ao conceito que inventei de você.

Você é bonita como o inferno com seu clássico batom vermelho, o cabelo com pontas coloridas, o grande senso de estilo e a forma deslumbrante de sua sobrancelha. A mão delicada carregando um Red Bull, o furinho no queixo e os lábios expelindo palavrões que assustariam mulheres conservadoras.

“Tá tudo bem.” Você sussurra, inserindo seu polegar na minha boca. “Somos criaturas da noite.”

Empenhei-me para não tremer tanto durante o tempo que você se dissipava entre a fumaça do beck que acendeu na intenção de dividir comigo. Ao contrário do que muitos presumiam, nós éramos a porra do universo congelando.

Acabando.

Não com um estrondo, mas com um gemido.

Amores tão intensos são injustos e foram feitos para acabar em tragédia.