Yours truly

Há muito tempo não escrevo nem uma linha sequer. Talvez por culpa deste estúpido bloqueio que não me permita expor sentimentos puros com coerência ou porque seria mais palavras que você não iria ler.

É patético como sinto sua falta e desesperadamente procuro sua presença em lugares que sei que não frequentas. Por exemplo, certa noite sentei-me no meu restaurante favorito (o mesmo que você odiava com todas as suas forças porque não havia opções suficientes de quesadillas e deixavam a desejar no preparo da piña colada) e um dos meus amigos fez o tipo de piada que você apertaria os lábios para suprimir o riso após entrelaçar os dedos nos meus e sussurraria o quão problemático aquele comportamento era.

Num gesto tão automático, estendi a mão, procurando pela sua. Minha melhor amiga que conhece tão bem meu comportamento, viu a cena e lançou-me um olhar de pena que fez meu estômago revirar. A partir daquele momento, ela soube que deveria ter me deixado enfurnado naquele quarto bagunçado com Arcade Fire e minhas revistas em quadrinhos. Portanto, a fiz pagar, literalmente. Ela enfiou o dinheiro debaixo do cardápio e cutucou aquele menino — com quem não aprendi a conviver, mas dividimos o mesmo círculo de amizades — no braço. Foi um diálogo longo e minha angústia não podia esperar sua finalização. Corri o risco de reafirmar a fama de marrento, contudo, não me despedi de ninguém. Nem da Marie (porque ela é curiosa demais e acabaria tentando me arrastar para um pub lotado ou falando uma besteira do tipo “você está melhor sem aquele relacionamento”.)

Depois de longos meses evitando pegar um papel para desabafar e escrever sobre nós, corri para meu sofá e iniciei essa carta. Espero que seja capaz de perdoar os erros; os meus e os de português. Desejo, do fundo do coração, que possamos nos conhecer melhor, nos perdoar e que em tais versões aprimoradas, nossos corações batam no mesmo ritmo.

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