Cautela, consciência e empatia em relacionamentos inter-raciais

No Brasil, é difícil não conhecer alguém que seja fruto ou esteja em um relacionamento inter-racial. Pode ser (e provavelmente é) você mesmo. É sabido o porquê (os vários porquês) do Brasil ser composto em sua maioria por relações inter-raciais, o mito da democracia racial se apoia muito nas ideias eugenistas de embranquecer o país, e isso afeta (de maneira distinta) todas as etnias que nossa nação compreende.

Hoje, porém, esse texto não vai falar sobre o porquê da existência da relação inter-racial, mas sim vai falar sobre como não ser tóxico com seu parceiro (ou parceira), dentro de uma relação inter-racial.

Primeiramente, uma breve explicação sobre a importância dessa conscientização: Ainda que a relação inter-racial seja tão presente em nossas vidas, não significa que o racismo não exista nessas relações. Ao contrário, muitas vezes o racismo é extremamente presente, juntamente com a negação desse racismo, dado o mito da democracia racial. E vale bater na tecla de que racismo não é só a ofensa; racismo é tratar a pessoa de modo inferior de acordo com a sua raça. Faz parte do racismo toda a falta de compreensão em relação ao seu parceiro quando este afirma se sentir mal com determinada situação cotidiana, faz parte do racismo aceitar que sua família fale coisas (com seu parceiro presente ou não) que remetem ao racismo, faz parte do racismo tentar colocar panos quentes em situações complexas e fazer com que o indivíduo que você supostamente escolheu pra apoiar ache que está fora de si, imerso em questões que só ele vê.

Então, como você, enquanto pessoa que já se encontra ou pode entrar num relacionamento inter-racial faz com que sua família ou você individualmente não machuque o seu parceiro? O primeiro passo que vejo é ter consciência de quem é o seu parceiro, como ele é visto na sociedade, e ter consciência de quem você é, étnico-racialmente falando. Depois, basta ter cautela e empatia por e para com o outro; ou seja, em situações cotidianas, preste atenção ao que sua família diz, ao que seus amigos dizem, em como eles agem em relação ao seu cônjuge, e se algo acontecer mesmo com desconhecidos na rua, tenha empatia para com o indivíduo o qual você escolheu estar ao lado. Porque o racismo destrói uma pessoa por dentro, tira suas forças pra continuar lutando e qualquer um que esteja ao lado desta, deve fazer de tudo para que a mesma não caia.

Se não houver disposição de sua parte para se dar ao trabalho de passar por esse exercício, talvez seja melhor poupar os dois do sofrimento mútuo. Construam uma consciência. Ou então não construam nada.