Objetificação , noites cariocas e funk
Pra mim ir a qualquer evento na noite carioca é motivo de forte reflexão, sobre coisas diversas. Talvez algumas delas sejam tratadas nesse texto.
Em geral tudo começa bem, pessoas felizes, dançando , se divertindo , curtindo a música.
Me parece que a medida que a noite passa os limites também passam, o nível desce a posições que me incomodam muito. Pra mim chega a ser insuportável pois fere minha existência.
A música que deveria ser expressão artística e de entretenimento se torna trilha sonora de depreciação e exposição. Insulto, exposição, depreciação.
Antes que os adeptos do gênero apresentem suas defesas, esse textos não é sobre um julgamento a respeito do gênero e sim sobre como me sinto quando por algum motivo estou em um lugar em que toca funk.
Penso em militância, em tantas mulheres conscientes, bem articuladas e posicionadas.
Penso em objetificação da mulher, do corpo da mulher...
Penso em como é possível se posicionar e rebolar ao som de uma potente ofensa. Será que não sentem a ofensa? Será que se o mesmo discurso fosse dito por um meio "não musical" ia gerar algum posicionamento?
Será que eu vejo demais? Será que enxergam em esferas diferentes?
As vezes a reflexão é tão profunda que as palavras faltam, pra mim isso é estranho pois raramente as palavras faltam.
Que posição social é essa para a qual caminhamos? Temos uma expressão de discursos ideológicos dissociado de vivência prática? Até que ponto o discurso de respeito e valorização são aplicáveis?
Por que em geral o "objeto" de exposição é feminino?
Seria dança de liberdade ao som de ideia opressoras?
Seria "meu corpo minhas regras" ao som de "sou um belo pedaço de carne"?
Seria um orgulhoso "sou feminista" ao som de "faço tudo pelo prazer de um macho"?
É , vou parar por aqui, são tantas as perguntas...
O objetivo desse texto não é criticar, mas falar sobre sentimentos.
Na ausência de todas as resposta deixo algumas perguntas.
