Tá tudo bem, você pode dizer não

Nesse momento da minha vida ocupo a posição de estudante de mestrado. Veja bem, não sou, estou. Por isso, faz parte do meu trabalho assistir aulas, fazer muitas (muitas, muitas, muitas, ad infinitum) leituras, atuar como professora assistente em disciplinas da graduação e sim, fazer pesquisa.

Estou nesse exato momento vivenciando a fase de fazer pesquisa no modo hard, com toda a minha energia, tempo e massa cinzenta focada na minha pesquisa de dissertação. Isso significa que sim, essa é a tal hora da “ida a campo”.

Essa é a hora que meu corpo começa a dar sinais de resistência, isso é claro, a mando da minha mente. Não me orgulho disso, mas sim, assumo que tenho um certo pânico de abordar pessoas que não conheço. Não sei bem o que é, tenho trabalhado comigo mesma essa questão nos últimos anos e acho que é um misto de medo do desconhecido + medo de rejeição + medo de me expor. Mesmo assim, ainda não é molezinha ligar pra alguém e pedir um favor ou mesmo estabelecer um primeiro contato e, nesse caso, convidá-lo para participar da minha pesquisa.

Como a vida e o universo estão ai sempre prontos para nos jogar nas situações que mais tememos, para que possamos, a partir delas, nos tornarmos pessoas melhores e mais conectadas conosco (ou pelo menos é isso o que eu acredito), eu sou dessas que acha que devemos ser espertos o bastante para respirar fundo, vencer o medo e se jogar de cabeça em cada vivência. Por isso, tenho vivido intensamente nas últimas semanas essa experiência de contatos, telefonemas, mensagens, encontros com desconhecidos e me sinto grata pela oportunidade de poder vencer um pouquinho mais essa batalha contra meus medos e, de quebra, ouvir histórias incríveis e inspiradoras de gente que se predispôs a compartilhá-las comigo.

Todo esse blá blá blá é pra finalmente chegar no tema que gerou esse texto: não, você não precisa ter medo de (me) dizer não.

Eu já fui dessas pessoas que não tem coragem de dizer não pra alguém: “não quero, obrigada. não tenho interesse. não concordo. não estou afim.” Hoje, depois de ter vivido na pele o que é estar no outro lado, sendo aquela que pergunta, que demanda, que solicita e que espera uma resposta, sei o quão duro é perder tempo e energia com gente que não quer/não pode e, ao mesmo tempo, não diz isso claramente. Ao invés de dizer não, o que fazemos? Dizemos: “vou pensar. vou ver e te respondo. acho que sim, mas te confirmo. já te retorno.” Por favor, faça um favor para você mesmo, para o outro, para mim e para a humanidade: quando alguém te perguntar algo, pare. Reflita. Quero isso? Posso? Devo? Estou afim? Se seu coração ou sua razão nesse momento disserem: não, só transmita essa palavra curta e simples ao seu interlocutor. Ele pode não ficar feliz na hora, mas ele vai ficar feliz quando se der conta do volume de horas que salvou ao não precisar ficar correndo atrás de você perguntando: “e agora? decidiu? vai rolar? e agora? me avisa?”.

Não precisa gente. É só fazer um exercício de empatia e pensar: como seria estar no lugar do outro? Eu gostaria de ser enrolado? Eu, pelo menos, já sei que não gosto. E sim, é mais fácil, mais honesto, mais libertador e várias outras coisas mais dizer não quando é isso que a gente sente, e a partir disso, seguir em frente.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.