Mashup do Dia:

Design Aberto + Memórias + Educação

O post dessa semana vai muito além do cafezinho com gosto de amoxicilina, que eu tive em um dowloading de informações com a minha brother, rata dos rolês tijucanos, Marcelinha Richa. Trocamos ideia sobre coisas mil e hoje é um pedaço dessa conversa. Design aberto, educação, afeto, universo, futuro, ação e é claro, TCC. Esse momento que estamos vivendo, entre a monografia e tudo o que vem depois.

Quinta passada, ela me chamou para ir no seminário de inovação social que rolou sexta na ESDI, evento organizado pela pós graduação do curso. Para quem não conhece, a ESDI é a Escola de Desenho Industrial da UERJ, que fica bem ali na lapa.

Quando cheguei já era um pouco tarde e a Samara Tanaka, primeira “palestrante”, já estava a meio caminho andado, citando algumas de suas vivências com design aberto, neste imenso campo de golfe que é a vida né? Mas, mesmo com certo delay pude ver que esse conceito de design era tudo que eu e Marcela estávamos buscando e de certa forma muito do que estávamos vivendo também. A Marcela com os eventos que ela desenvolveu em parceria com os amigos na Tijuca, como Faz na Praça e outros e eu engatinhando nos workshops de marcas com a Food-se.

O design aberto é esse design sem “aparente metodologia”, ou que não bebe de uma única fonte, mas que é definido e adaptado participativamente pelos que dele compartilham, pelo menos foi o que entendi rapidamente no contexto. Fiquei louca, como é que eu não ouvi falar disso antes? Pesquisando mais descobri que ele já é explanado por aí há algum tempo, no Brasil desde de pelo menos meados de 2013 por um grupo de Curitiba, o Faber Ludens, que inclusive lançou um livro a respeito, Design Aberto, que disponível é claro abertamente (que agora está na minha top list de leituras pro TCC hehe).

Mas voltando ao seminário, a Samara lida com o design de maneira bastante livre e presente, desenvolvendo projetos que possam auxiliar nas regiões onde ela vive, na associação de moradores por exemplo. Recentemente ela se mudou para o Complexo do Lins, uma das “comunidades” mais barra pesadas do Rio de Janeiro. Ela também tem um coletivo com quem ela viaja para aplicar o design aberto de forma itinerante. A partir desses casos ela organizou alguns tipos de designers abertos, roupagens por assim dizer. Estrategista, conector, pesquisador, facilitador, mediador e o meu preferido, o intruso não convidado, aquela pessoa que chega e começa a polemizar, jogar coisas que a princípio não se comunicam muito com ambiente, mas que reverberam e instigam de alguma forma.

Depois organizou uma espécie de matriz em que cada um desses atores era um ponto e os lados da matriz se opunham entre estrategista e fazedor, generalista e especialista. Basicamente esses designers, não necessariamente designers de formação, praticavam esse design relacional em que mais tangível era o processo e as soluções em si eram praticadas por todos. A não ser por um caso ou outro, por exemplo de um time de especialistas, arquitetos em Bogotá, que ajudavam e coordenação de obras arquitetônicas comunitárias. Nessas descobertas ela concluía sobre quantas metodologias ricas não tinham sido criadas nesse processo? Em relação essas diferentes culturas e pessoas. De fazer os olhinhos brilhar e o coração bater mais forte.

Quando eu tinha 18 anos eu fiz uma viagem para o interior do Maranhão, para casa da minha vó. Depois de muito tempo no Rio, ela resolveu voltar, e assim sem aviso prévio e muita satisfação ela foi. Com certeza uma dessas experiências mais marcantes que eu tive de contato, mas uma experiência de de contato meeesmo com pessoas. Minha chegada na cidade foi um acontecimento, assim como a de outros membros da minha família vindos do Rio de Janeiro. Passeio na praça, café da manhã, tudo era muito diferente para mim, alienígena feelings.

E hoje quando a gente conversa, eu e vovó sobre a infância dela, coisa que fazemos muito, ela me conta sobre sua infância simples, sem muito recursos, mas de muita brincadeira, festas, vivências muito ricas que não dependiam muito de dinheiro, mas do desejo das pessoas de festejar e criar. Infelizmente já nesses pelo menos 5 anos atrás que eu estive para lá, muito disso já tinha desaparecido, mas uma professora, a Alexandra, muito bonita e determinada dava aulas livres e teatros na praça.

Mas o que isso tem a ver? Uma das frases que a Samara falou na conclusão da sua apresentação foi: Não há participação sem conflito. Que foi o mesmo que o Álvaro Dantas na última aula de educação disse com “Não há educação sem afecção”. Afecção? Ecaa, que palavra feeeia, limpa esse pus, hahaha. Não, é isso mesmo, a-fec-ção, de afeto. Ah, afeto, agora sim, achei bom. Até que não, não necessariamente, afeto pode ser uma picada de mosquito, ou pior um zunido no ouvido. Afeto de interferência, transpassar de gente, querência, paixão, por isso afecção. E o que mexe com desejo também pode mexer com desequilíbrio também. Na verdade o que eu estou querendo dizer é que design aberto e educação também se cruzam a partir do momento que educação é interferência.