A urgência e a redoma

“Courage, dear heart!”

Tragédias têm o poder de despertar o senso de urgência em demonstrar o quanto gostamos das pessoas, agilizar aquele sonho e rever o uso do seu precioso tempo. É como um alerta de que a vida é um fiozinho frágil que pode arrebentar a qualquer momento. Senti isso duas vezes nessas últimas semanas: quando soube que o namorado de uma colega morreu afogado e no acidente com o avião com o time da Chapecoense. Quis declarar meu amor às pessoas, pedir demissão na empresa — acompanhada de uma bateria de escola de samba, claro — e ir embora pra outro país. Mas aí eu dormi. Acordei no outro dia mais tranquila e voltei a ser conformada com o trabalho-merda, fazer joguinhos de não mandar mensagem e mostrar interesse e achar que ainda não é possível realizar aquele desejo de viver diferente. O efeito de urgência passou e a vida volta a ser o que era: entediante, mas segura, pois você já conhece cada detalhe dessa casca chata. Alguém me dá uma lente para enxergar que essa redoma não é proteção, mas limitação?

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