Lost in translation

Num bar em Berlim, Helena percebeu que se apaixonara de novo. Depois de um hiato de muitos anos, o coração disparou pelo barman. Os dois litros de cerveja recém bebidos encorajaram a moça, que chamou o moço para beber depois do expediente. Acordou, sóbria, na paixão mais intensa dos seus 30 e poucos anos de vida. Viveu sete dias de consumação física do sentimento e, depois de cruzar o oceano de volta pra casa, o estado de encantamento durou algumas semanas.

Em uma noite de domingo, Helena realizou que não teria mais aquilo. Porém, a história vivida transformou suas camadas de um jeito tão profundo que ela não quis chorar — como em todos os términos anteriores. O relacionamento meteórico foi o mais transformador. Ela aceitou, de coração, que cada coisa dura um tempo. Nem tudo é e deve ser estendido. Helena nunca se sentiu tão leve diante de algo que ia de encontro ao seu desejo. Passou enxergar o fim de uma coisa boa como um presente, e não mais como uma perda. Entendeu que umas histórias rendem romances e outras são contos curtos.

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