O que será?

Cecília queria amar a todo custo.

Os amigos diziam “não se afobe, nada é pra já”, mas ela não quis saber e, na primeira oportunidade, deu metade de si a um rapaz.

Ah, o começo! Só dizia sim!

O corpo de Cecília era prova do bem que uma paixão pode fazer. As rosas e poemas a deixavam num estado constante de felicidade. Sentia a alegria crescer a cada noite em que o amado pousava as coxas nas dela. Falavam em casar em Porto Rico, ter uma casa para fazer feijoadas para os amigos e perdiam a noção das horas ouvindo sambas.

Mas uma noite ele não apareceu.

Ela chorou a madrugada toda.

Na outra, ele chegou direto do bar. 
 
 — Escuta, Cecília, não me leve a mal, mas estou predestinado a ser todo ruim. Desejo que seja feliz e passe bem.

— É pena, porque foi tão lindo amar. Meu coração parece que perde um pedaço!

Ele levou embora os discos de Noel, mas deixou a imagem de São Francisco. Cecília chorou, implorou, prometeu amar mais ou amar menos, o que ele preferir, e marcou a pele com uma tatuagem.

Não teve volta.

Não vai passar.

Numa noite de Carnaval no centro da cidade, bebeu muita cachaça. Bambeou, cambaleou e não resistiu às letras de amor da banda que passava. Subiu a Consolação na contramão. A queda foi dura. Morreu no canteiro central.

Crédito da imagem: https://www.flickr.com/photos/61898092@N06/9546442346/sizes/l/
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