No Corpo Certo
Oct 1, 2018 · 14 min read

Psicóloga questiona o tratamento a crianças e adolescentes identificados como “trans” (1)

Sasha Ayad, M. Ed., LPC, é uma Conselheira Profissional Licenciada que trabalha atendendo privadamente adolescentes e jovens adultos que enfrentam questões de gênero. Nós entrevistamos Sasha por e-mail para este post.

Ela usa uma abordagem baseada na investigação para descobrir questões ocultas e ajudar seus clientes adolescentes a desenvolver o autoconhecimento, a resiliência e o bem-estar a longo prazo. Ela também conduz consultas ocasionais para pais cujos filhos apresentam Rapid Onset Gender Dysphoria - ROGD (2). Numa newsletter mensal, Sasha faz reflexões interessantes sobre temas da psicologia e os relaciona ao fenômeno da disforia de gênero na adolescência. Ela também oferece aconselhamento para os pais enquanto eles guiam e apóiam filhos que questionam gênero. Os leitores podem assinar aqui para receber a newsletter e o PDF de Sasha sobre como encontrar terapeutas críticos de gênero em lugares improváveis.

Sasha tem uma agenda cheia e uma longa lista de espera, então não está disponível para aceitar novos clientes. No entanto, Sasha oferece uma conta no Patreon para assinantes com vídeos elaborados para ajudar pais a se engajarem num diálogo honesto e produtivo com seus filhos e filhas com ROGD.

Conforme seu tempo permitir, Sasha está disponível para interagir na seção de comentários desta entrevista.

Conte-nos sobre sua formação, treinamento e trabalho como terapeuta.

Na faculdade, eu estudei Psicologia e História. Minha pós-graduação foi focada em psicologia de counseling ou a prática clínica de terapia. Eu trabalho na área de terapia comportamental e saúde mental em Houston, Texas, desde 2005, e em capacitação de aconselhamento desde 2008. Eu passei muitos anos trabalhando com crianças pequenas no espectro autista através de terapia comportamental aplicada. No campo de violência doméstica e sexual, eu trabalhei tanto com terapia individual quanto de grupo com mulheres e crianças. Eu também desenvolvi e coordenei o primeiro programa de aconselhamento numa casa pública de acolhimento para adultos com dificuldades intelectuais e doenças mentais co-ocorrentes. Nos últimos anos, eu trabalhei como conselheira escolar para comunidades em situação de vulnerabilidade numa escola charter (3) de ponta.

Eu no momento estou trabalhando integralmente com atendimento particular, aqui em Houston. A maior parte do meu trabalho é conduzida on-line e eu vejo clientes adolescentes e jovens adultos de todo o país e internacionalmente. Eu me especializei em trabalhar com adolescentes que estão lutando com o gênero e a maior parte dos meus clientes é formada por meninas. Eu também conduzo ocasionalmente consultas para famílias que têm crianças mostrando Disforia de Gênero de Surgimento Repentino e crio conteúdo para a minha newsletter mensal e para a minha série de vídeos.

Eu sou uma Conselheira Profissional Licenciada (CPL) no Texas e tenho um mestrado em Educação.

O que especificamente despertou seu interesse em trabalhar com adolescentes e adultos que têm questões sobre identidade de gênero?

Meu interesse nestas pessoas se desenvolveu e cresceu organicamente a partir do meu próprio desejo de entender melhor o crescente fenômeno. Quando eu era uma jovem estudante de graduação, minha compreensão desta questão era limitada e eu era superficialmente familiar com os exemplos de livros convencionais sobre disforia de gênero na infância: uma pessoa, que desde tenra idade, está totalmente convencida de que seu corpo está “no sexo errado”. Nesses casos, o autoconceito de corpo errado se desenvolve, supostamente, de forma independente das normas sociais e influências ambientais. Eu costumava pensar: “que experiência estranha e complicada: acreditar realmente que você tem um corpo com o sexo errado”.

Mesmo naquela época, eu no fundo me mantinha cética em relação a essa narrativa, fortemente baseada em preferências e comportamentos atípicos de gênero que forneciam “evidências” de que a criança está na verdade no “corpo errado” e portanto precisaria transicionar socialmente e medicamente. Por volta de 2012 eu comecei mais profundamente a investigar essa ideia de identidade de gênero apenas por interesse pessoal e curiosidade profissional. Tenha em mente que isso foi antes do enorme boom de crianças trans-identificadas nos anos que viriam. Eu comecei a imaginar como a socialização e as normas de gênero poderiam desempenhar um papel na ideia de “corpo errado”. Eu também questionei as suposições subjacentes da “identidade de gênero”: a de que o sexo biológico “correto” ou o “autêntico eu” está sempre correlacionado com sentimentos de congruência entre mente, espírito e corpo (i.e. identidade de gênero inata).

Conforme o tempo foi passando, eu finalmente descobri o trabalho e os escritos de pessoas que destransicionaram. Eu li sobre como eles foram “afirmados” (4) rapidamente e guiados para um caminho de intervenções médicas, impedindo qualquer oportunidade de uma investigação psicológica profunda ou de autoconhecimento. Eu fiquei muito incomodada pelo que parecia ser uma falha dos profissionais de saúde mental, que eram responsáveis pelo cuidado deles, de olhar para estes jovens como indivíduos inteiros e complexos. Estariam tantos da nossa área simplesmente cegos para a miríade de fatores, tanto sociais quanto subconscientes, que podem interagir e forjar a ideia de estar “aprisionado num corpo com o sexo errado”? Eu fiquei bastante perplexa que os terapeutas tratassem a identidade de gênero sem nada da consideração, da intuição ou mesmo da curiosidade clínica tipicamente empregada para outros problemas que aparecem — sem contar o cuidado historicamente exigido pelos padrões éticos da psicologia. Olhando para o crescente número de meninas subitamente adotando uma identidade trans durante a puberdade, ficou óbvio que alguma coisa tremendamente importante e peculiar estava acontecendo.

Eu finalmente me deparei com esta entrevista brilhante em podcast com Lisa Marchiano e meu queixo caiu por ouvir outra profissional falando corajosamente o que pensa e ecoando os mesmos medos que eu tinha. Eu a procurei imediatamente e logo entrei em contato com o seu trabalho no 4th Wave Now, no Transgender Trend e em muitas outras fontes fantásticas.

Então, em 2015, na qualidade de conselheira escolar, eu fui convidada a participar de um treinamento sobre “Apoiando a Juventude Trans e em Diversidade de Gênero”. Para a minha decepção (mas não minha surpresa), o apresentador falhou totalmente em demonstrar uma análise com nuances, reflexiva, e até mesmo evitou as questões quando eu as trouxe durante o treinamento. Eu consegui vários encontros com minha coordenadora na época, a diretora do programa de aconselhamento — meu objetivo era educá-la sobre o enorme fenômeno e sobre alguns problemas menos óbvios com o treinamento que estávamos recebendo. Ela graciosamente e pensativamente ouviu minhas preocupações mas admitiu que tinha tantas coisas que ela não entendia sobre as mudanças no movimento LGBTQAI e que ela sentia que era importante continuar desenvolvendo nosso programa de aconselhamento de acordo com os ativistas da ideologia de gênero. Eu acredito que os proponentes da ideologia de gênero deliberadamente usam “novilíngua” (5) e palavras inventadas para confundir os profissionais e levá-los a duvidar de si mesmos e subsequentemente desprezar sua própria intuição e conhecimento clínico. E é exatamente o que eu acho que aconteceu com a minha coordenadora, que é uma assistente social incrivelmente brilhante, experiente e competente.

Nesse momento, eu decidi que não mais tomaria parte em organizações que estão comprometidas com esse sistema de crenças, sem abertura real para outras formas de encarar a disforia de gênero. Além do mais, algumas dessas organizações promovem essa visão parcial sem questionar sua equipe de saúde mental e as crianças que elas alegam atender. Eu também percebi que há uma escassez de terapeutas trabalhando com estas crianças de forma que não seja incondicionalmente afirmativa. Outros terapeutas parecem evitar ou bloquear qualquer tipo de exploração acerca do gênero e da sexualidade, o que também é prejudicial ao cliente. Então, eu resolvi formular o tipo de prática terapêutica que eu achei que estava em falta para jovens identificados como trans. Eu comecei minha prática atendendo meio expediente em 2016 e estou trabalhando de forma independente na clínica privada em tempo integral desde julho de 2017.

Você tem algum interesse pessoal nesta questão? Você tem parentes ou amigos que foram afetados pela onda atual de crianças e adolescentes de identificando como transgêneros?

Não até recentemente. Poucos anos atrás, quando eu trabalhei como conselheira de middle school (6) havia uma criança que era especialmente marcante; eu passava muito tempo com ela, tanto como minha cliente quanto durante as atividades extracurriculares durante meus três anos naquela escola.

Ela se destacava dos seus colegas de várias maneiras. Apesar de ter muitos colegas brilhantes e criativos, ela tinha excelência nas mais variadas áreas, sendo fantástica como desenhista, dançarina, escritora e no aprendizado acadêmico. Ela tinha notas impecáveis em todas as matérias e tratava os amigos com gentileza e justiça. Ela criou logos e desenhos de camiseta para os clubes e eventos escolares e desempenhou papéis de liderança em muitos grupos do colégio: anime, drama, orquestra, artes e mais. Eu tenho várias peças de arte lindas que ela criou para mim ao longo dos anos, na maioria retratos de personagens femininas, lembrando mangás japoneses. Sua aparência também era inspirada e criativa: ela passava por vários cortes de cabelo, estilos e cores e expressava seu próprio senso de moda (e inclinações políticas progressistas) através de bijuterias gráficas e buttons na sua bolsa-carteiro. Eu sempre a elogiei por extrair seu próprio senso de estilo e individualidade.

Ela se identificava como bissexual na época e era uma ótima monitora no meu clube GSA (7), mostrando iniciativa e frequentemente assumindo responsabilidade por grande parte dos nossos encontros. Eu era sempre cautelosa quando nós navegávamos por conversas sobre gênero e identidade de gênero e ela parecia estar firme na sua expressão única da identidade feminina. Ela nunca foi particularmente feminina, especialmente na sétima série, quando há uma pressão social imensa para ser de um certo jeito. Ela sempre teve muitos amigos, estava em geral bem feliz e era uma dessas crianças com quem eu nunca pensei que precisaria se preocupar. Eu a imaginava começando uma companhia de design gráfico um dia, ou talvez sendo uma desenvolvedora de jogos de videogame. Sinceramente, suas opções eram infinitas.

Eu descobri recentemente que ela se apresenta como trans e que ela quer se transferir para uma outra escola para começar sua nova vida como um “menino trans”. Nas horas e horas em que estive com ela, ela nunca expressou pensamentos de disforia de gênero, embora eu de fato me lembre que um dia ela desenhou a imagem de uma personagem “não-binária” pensativa e da namorada “deles” (8).

Parece que as nossas melhores meninas, mais brilhantes, mais criativas e únicas, estão sendo sugadas por este vórtex de confusão. Os garotos e garotas que eu atendo na minha clínica já são apresentados para mim lutando com o gênero, mas é bastante intenso ter conhecido alguém antes da mudança de identidade, quando eles eram felizes e cheios de vida. Pensar que agora ela se desconectou do seu eu feminino é muito perturbador. Parece que seus pais aceitaram totalmente a explicação de corpo errado e alegam que “sempre souberam que ela era um menino”.

Na atmosfera atual, os profissionais que questionam a atual abordagem terapêutica “afirmativa” para crianças trans-identificadas podem estar arriscando suas carreiras. Você acha que a preocupação é exagerada?

Esta é uma área delicada, por isso quero começar dizendo que entendo as pressões que os terapeutas sentem de suas instituições para fazer escolhas e declarações politicamente favoráveis. Muitos profissionais também são responsáveis por suas próprias famílias e sentem as pressões financeiras para não virar o jogo. No entanto, todos nós fizemos juramentos de altos padrões éticos e seguir a abordagem afirmativa enfraquece nossos deveres morais e profissionais.

Pessoalmente, ao considerar essa questão, me pergunto: qual é o sentido de ter uma carreira baseada em ajudar os outros se você tiver que mentir todos os dias sobre o mal que está sendo feito? E o que o impacto coletivo e cumulativo da mentira e do silêncio sobre essa questão representa a longo prazo?

Sinceramente, eu não sei o que vai acontecer nos próximos cinco, dez ou vinte anos. Nos últimos tempos, sempre que aparecem artigos céticos, inteligentes e diferenciados sobre a transição de crianças, muitas vezes há um esforço perigosamente agressivo e irrefletido de descartar e diminuir esses argumentos. Do jeito que estão indo, eu não ficaria surpresa se as coisas piorarem antes de melhorar. Dito isso, não estou preocupada com o trabalho que estou fazendo porque acredito que seja a coisa certa a fazer. Levantar-se em defesa do que é certo sempre envolve um risco e uma responsabilidade pessoal, um fardo que me sinto profundamente comprometida a assumir.

Eu encorajo fortemente outros clínicos a falar a verdade e serem honestos sobre o que eles estão vendo, porque o silêncio cúmplice só abre espaço para o absurdo e a confusão.

O que será necessário para que mais terapeutas se manifestem publicamente oferecendo alternativas terapêuticas à abordagem afirmativa da transgeneridade?

Que indivíduos ouçam seus instintos, se questionem ativamente, se eduquem e, finalmente, ajam com honestidade e coragem. Porque quando falo com as pessoas cara a cara há um profundo e intrínseco entendimento de que as coisas saíram do controle quando se trata da transição de crianças, mas elas têm medo de pensar profundamente sobre isso, questionar qualquer coisa, buscar conhecimento ou falar.

A American Psychiatrich Association — APA (9) emitiu “diretrizes” para o tratamento do que eles chamam de clientes TGNC (10). Embora não sejam obrigatórias, essas diretrizes são consideradas “boas práticas”. Você concorda com elas? Se não, como um membro da APA pode recomendar mudanças?

Eu não faço parte da APA, já que sou uma Conselheira Profissional Licenciada (11) e não uma psicóloga clínica. No entanto, a APA é uma organização poderosa e suas diretrizes são vistas como princípios aspiracionais que têm impacto significativo sobre como a terapia é informada e praticada. Não concordo com as diretrizes e acredito que elas violam alguns dos padrões éticos mais básicos, incluindo a beneficência, a prevenção da maleficência, o rigor e a responsabilidade. Acredito que a infiltração da ideologia política em organizações não-políticas seja o principal elemento de confusão na capacidade de uma organização de aderir a esses valores profissionais.

Em relação aos TGNC, alguns transativistas basicamente cooptaram a não-conformidade de gênero sob o “guarda-chuva trans”. Ninguém é 100% “conforme” quando se trata de expressão típica de gênero. Como você sabe, nós do site 4thWaveNow apoiamos essa atipicidade de gênero em nossos filhos, mas resistimos fortemente à noção de que isso significa que eles sejam de alguma forma “transgêneros”.

Eu concordo — até mesmo tentar juntar pessoas “não-conformes com o gênero” em algo que pareça um grupo é uma tarefa impossível, já que, como você disse, ninguém é 100% “conforme”. Todos nós exibimos traços de masculinidade e feminilidade e é absurdo tentar encontrar alguma linha do que constitui ser “cis” e “trans” — de acordo com algumas das definições desses termos que têm surgido por aí.

Quais são seus pontos de vista sobre a possível influência da dinâmica dos pais em relação a crianças que se identificam como transgênero?

Está ficando cada vez mais difícil os pais manterem seus filhos seguros de ideologias questionáveis, já que elas se infiltraram em nossas instituições médicas e educacionais. Mas eu recomendo algumas ferramentas razoáveis com as quais os pais podem proteger seus filhos:

1) Um esforço diligente para conhecer os tipos de ideias ensinadas ao seu filho: desde o ensino básico até a universidade. Eu sei que é uma tarefa assustadora!

2) Faça o que puder para monitorar o uso da internet de seu filho e converse ativamente com ele sobre algumas das ideias que ele encontra. Se conecte com seu filho e realmente escute: deixe-o compartilhar seus pensamentos, use esse tempo para coletar informações e construir segurança em torno de certos tópicos delicados. Em seguida, envolva-o em análises cuidadosas, críticas e profundas (de maneira ponderada e apropriada para a idade). Como nota adicional, nunca me imaginei como alguém que recomenda a invasão da privacidade do seu filho; eu sempre fui bastante aberta. Mas passar muito tempo online provou ter um potencial muito perigoso, então o papel fundamental dos pais de estabelecer e criar limites é crucial aqui. Monitore com frequência o uso da internet para ter uma noção do material que está sendo visualizado. Isso ajudará você a avaliar o que precisa de cuidado. Em geral, quanto mais você puder mantê-los offline, envolvidos em atividades reais, melhor. Saiam juntos, deixem seus telefones em casa, façam caminhadas, leve-os para pescar e, em geral, restabeleçam uma conexão com a natureza.

3) Ajude-os a regular seus ciclos de alimentação e sono, que desempenham um papel crucial no humor e na depressão. Às vezes as crianças ficam acordadas, olhando para a tela toda a noite, enchendo sua mente com lixo que produz ansiedade. Estabeleça o horário de dormir, tire seus telefones durante a noite e certifique-se de que eles estejam comendo regularmente, fazendo bastante exercício físico, brincando na vida real e interagindo socialmente.

4) Tenha uma noção clara da ética e dos valores da sua própria família. No que você crê? O que realmente orienta suas decisões, comportamentos, crenças etc.? Dê-lhes uma base sólida fundamentada do que você mesmo acredita. Seja o exemplo do que você quer que eles aprendam. Não seja dogmático, mas ajude-os a estabelecer conexões com o que é verdadeiro e apóie seu bem-estar a longo prazo. Mesmo que explorem outras ideias na adolescência, ter uma base amorosa e estável lhes dará um lugar para onde voltar ou de onde se possa construir algo.

5) Não fique obcecado com gênero, mas também não tente fingir que é completamente irrelevante. Defina limites em torno de qualquer tipo de manipulação física ou intervenção médica. Achatamento dos seios (12) é uma manipulação física que pode ser prejudicial a longo prazo. Hormônios e cirurgias devem estar fora da discussão. Mas não fique preso a cortes de cabelo ou roupas.

6) Não discuta com seu filho se ele é “realmente trans” ou não é. Não se preocupe em repassar mentalmente a infância deles, quebrando a cabeça em busca de “sinais” de diferença ou não-conformidade. Uma abordagem mais pragmática é pensar sobre o desconforto real que eles estão sentindo e encontrar maneiras de lidar com isso que não exijam uma transformação completa em uma nova pessoa; é por isso que reduzir o tempo dos seus filhos na internet é tão importante. Em minha experiência clínica, a maioria dos jovens com disforia de gênero de surgimento repentino não tinha qualquer incongruência com o gênero até descobrirem do que se tratava em sites de mídia social. Dito isso, aproveite o tempo para realmente ouvir as queixas que elas têm com o “papel de menina”. Elas provavelmente têm algumas observações e ideias muito contundentes a serem compartilhadas.

7) Não tenha medo de emoções (suas ou deles) em conversas com seus filhos adolescentes. Não tenho certeza se isso é cultural, mas às vezes fico surpresa com o medo que os pais têm de contrariarem os filhos. Eu venho de uma família e uma cultura em que a expressão aberta das emoções é onipresente e descobri que pode ser muito curativo quando feito com cuidado. Ser honesto sobre o que você pensa é incrivelmente importante e conversas profundamente emocionais com seu filho vão ficar turbulentas — e tudo bem. É necessário dizer a seus filhos a verdade, discordar e mostrar a sua própria vulnerabilidade. Vá em frente e explique amorosamente por que você não concorda com o pensamento deles. Eles precisam ouvir a verdade, porque não vão ouvir de amigos ou da internet.

(1) Tradução do texto “Toward a more nuanced exploration: an interview with Sasha Ayad” (“Por uma investigação com mais nuances:: uma entrevista com Sasha Ayad”), publicado em 20/9/2018 pelo ótimo site 4th Wave Now. Link para o original aqui.

(2) A expressão foi recentemente traduzida em português como Disforia de Gênero de Surgimento Repentino (DGSR). Você pode ler mais sobre no site Parents of ROGD Kids (Pais de Crianças com DGSR .

(3) Nos EUA, uma escola charter é aquela organizada por grupos de pessoas, em geral de pais e mestres, e que recebe financiamento público.

(4) O “modelo afirmativo” ou affirmative model estimula a aceitação da “identidade transgênera” das crianças e adolescentes, seja com práticas como a “transição social” (mudança de nomes, pronomes etc.) seja com intervenções corporais químicas e cirúrgicas.

(5) “Newspeak”, no original. O termo advém do livro “1984”, de George Orwell, e descreve um uso autoritário das palavras, seja com a proibição do uso de algumas, seja com o uso de outras fora do seu significado verdadeiro.

(6) Expressão que nos EUA designa as séries escolares ao final do que é o Ensino Fundamental no Brasil. Durante a middle school, as crianças têm entre 11 e 14 anos.

(7) Grupos GSA (sigla para Gay-Straight Alliance, traduzível como “Aliança entre Gays e Heteros”) são organizações de estudantes que existem em algumas escolas de Ensino Médio dos EUA e Canadá.

(8) Uma pessoa que se autoidentifique como “não-binária” (nem homem, nem mulher) em países como Estados Unidos e Canadá pode exigir o uso do pronome they (“eles”).

(9) A APA é a Associação Americana de Psiquiatria (a qual, apesar do nome, não representa todos os psiquiatras das Américas do Norte e Latina mas sim apenas os dos Estados Unidos).

(10) TGNC é uma sigla em inglês para “transgender and gender non-conforming children”, que significa “crianças transgêneras e em desconformidade de gênero”).

(11) Sigla em inglês para Licensed Professional Counselor, “conselheiro profissional licenciado”, uma das áreas nas quais psicólogos (as) nos EUA podem trabalhar.

(12) Meninas com extremo desconforto com seu corpo podem vir a achatar os próprios seios com uma faixas extremamente apertadas conhecidas como binder. O uso de binder pode trazer problemas sérios nos pulmões e nas costelas.

No Corpo Certo

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Não se nasce odiando o próprio corpo: se é ensinado a odiar.

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