Montar um hackintosh nunca fez tanto sentido

OSX 10.11 El Capitan

Hackintosh: instalar o sistema operacional da Apple em um computador comum.

OBS: O leitor pode encontrar encontrar diversos erros de digitação durante a leitura. Um oferecimento da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

Se você é um designer, programador, editor de vídeos ou produtor musical profissional, as chances do leitor ser um usuário Apple são grandes. Quando o assunto é iPhone, as pessoas usam o argumento de que o smartphones da maçã não passam de um recurso para mostrar uma realidade que muitas vezes não existe. O mesmo não pode ser dito dos computadores feitos pela empresa. Mac Minis, iMacs e MacBooks Pro sempre foram sinônimos de velocidade, simplicidade e segurança.”Apenas Funciona”, eles diziam. Bom, isso deixou de ser uma verdade absoluta na última semana.

ad do novo MacBook Pro

No dia 27/10 a Apple apresentou a sua nova linha de MacBooks, e com ela a empresa basicamente confirmou que se existia algum respeito por parte da empresa pelo seus clientes, esse respeito já não existe mais. Não existe mais porque lançar um computador com hardware de 2012 em 2016 é brincar com a inteligência do consumidor. O respeito não existe mais porque a Apple é a única empresa que consegue implantar o dólar a R$6,00 em um mercado que reclama do dólar a R$4,20. É por isso que montar um hackintosh nunca fez tanto sentido, e agora eu mostro os motivos que sustentam essa ideia que já foi considerada uma aventura desnecessária e hoje se tornou uma realidade até para profissionais que vendem e compram em dólar.


Motivo #1: A única vantagem em se comprar um Mac hoje é o seu sistema operacional, que é exatamente o que um hackintosh oferece.

build de um hackintosh feito com sucesso. É interessante notar que periféricos são também são da maçã.

Se você é um usuário Windows que nunca usou um computador da Apple e está interessado em adquirir um produto da empresa, saiba que a única coisa que valida essa necessidade atualmente é o sistema operacional da maçã. Embora o Windows 10 seja um excelente sistema para tarefas casuais e infinitamente superior quando o assunto é jogos, o sistema da Apple reina quando falamos de atividades criativas. A maioria das agências de publicidade usam Mac, assim como os profissionais que trabalham com audiovisual, programação e design. Lembro da primeira vez que vi um aparelho da Apple de perto, era um iPad de primeira geração que era operado pelo meu empregador num evento que estávamos fazendo na cidade de Sorocaba/SP. Perguntei a ele o porquê do investimento tão alto se a única coisa que precisávamos fazer era cuidar da iluminação e som do evento, coisa que fazíamos com certo sucesso e sem a ajuda do iPad. Foi aí que ele me disse:

“Este investimento é o que me permite voltar quatro horas mais cedo pra casa todo final de semana.”

O iPad tinha um aplicativo que permitia que meu patrão na época controlasse todos os testes de iluminação e som do palco principal enquanto ele estava próximo das mesas onde os convidados ficariam. Em menos de uma hora ele configurou tudo e estávamos liberados para irmos embora. Funcionava. É por momentos assim que as pessoas compram iMacs e MacBooks. O Designer não quer ter problemas com o Photoshop, assim como o editor de vídeo quer trabalhar com o Premiere e o After Effects sem se preocupar com outras coisas. Profissionais criativos precisam focar na sua arte e não em problemas técnicos. As pessoas escolhem a Apple porque o MacOS sempre trouxe um excelente balanço entre performance e usabilidade. 
Os programas são visualmente melhores que as suas versões para Windows e com performance superior. Sem contar que muitas vezes as empresas lançam softwares apenas para o sistema operacional da maçã, nunca lançando a sua versão para Windows ou atrasando em anos o seu lançamento. Um exemplo atual é o Sketch 3, aplicativo utilizado pela maioria dos Designers que criam interfaces para a Web e smartphones. Os profissionais precisam criar e encontram as ferramentas necessárias no sistema da Apple, o problema é que o motor responsável pela performance desse ecossistema criativo já deixa a desejar faz alguns anos. A comunidade de editores e programadores pediam uma atualização na linha de MacBooks desde 2014, e quando isso aconteceu a Apple lançou um aparelho com foco em estudantes (Macbook 12”), e depois uma linha com a mesma capacidade dos computadores dos profissionais da mesma área que usam Windows, caso eles estivessem em 2010.

A Web não é a mesma de 2010. Até os vídeos mais simples já usam elementos de Motion Design, as músicas atuais são criadas com a ajuda sintetizadores virtuais que demandam muito mais CPU, assim como as atualizações dos produtos da Adobe. Trabalhar em 2016 com um motor de 2012 não faz sentido em quase nenhum mercado criativo. Dos 19 milhões de programadores que existem no mundo, boa parte desse número é responsável pela venda dos 19 milhões de MacBooks vendidos desde o seu lançamento. Me pergunto, de verdade, quantos ainda continuarão a usar iMacs e MacBooks quando até os mais fervorosos defensores da empresa decide montar seu próprio Hackintosh.

O MacOS é excelente. A sua estabilidade é notável e os programas exclusivos são um plus, mas o potencial do sistema é capado no momento em que a empresa responsável por ele decide segurar a evolução de seus componentes. O iPhone só tinha 1 GB de RAM até duas gerações atrás. Me pergunto por onde andam os defensores que diziam que o iOS não precisava de mais de 1GB de RAM porque o sistema era otimizado. Provavelmente estão aproveitando seu iPhone 7 com 3 GB, que hoje a Apple tem orgulho em dizer que é 26565x mais rápido que a versão anterior. . A própria Touch Bar não é uma adição tão revolucionária quanto parece. Muitos dos exemplos citados na verdade atrapalham o workflow de qualquer profissional que precise olhar constantemente para a tela do computador. A Touch Bar é um excelente exemplo do atual momento criativo da empresa de Cupertino. Se a nova barrinha é a razão pela qual tivemos que esperar por tanto tempo por novos Macs, o futuro não me parece muito animador.

Fica difícil defender a compra de um produto ultrapassado já em seu lançamento(a adição da Touch Bar não salva os novos lançamentos). Um hackintosh consegue entregar um desempenho muito melhor por 1/3 do preço. Com a facilitação da instalação do MacOS em computadores comuns e o preço de incríveis R$ 13,000 em um computador de entrada, fica difícil de defender a compra dos novos MacBooks. E por falar em dinheiro….


Motivo #2: Os valores cobrados são injustificáveis

até que enfim, hein?

Se você for até o site americano da Apple e pesquisar pelo modelo mais caro lançado no último dia 27, o leitor vai encontrar o modelo de 15” com a tal TouchBar por incríveis $2,799. O valor já é alto até para os padrões americanos, mas a coisa fica ainda mais interessante quando convertemos o valor citado para o Real. Numa conta simples de 2,799 x 3,19 (valor do dólar no dia 30/10) chegamos ao resultado final de R$ 8,298,00. Pagar mais de R$ R$ 8,000,00 em um computador não está nos sonhos de nenhum brasileiro. 
Mas ainda existem aqueles que vêem a compra com um investimento a longo prazo, assim como meu antigo patrão com seu iPad. Pois bem, se você for até a Apple Store brasileira e procurar pelo mesmo modelo com 16 GB de RAM com a Touch Bar você não vai encontrar a versão de R$ 8.290. Não se preocupe. A Apple vai trazer o modelo para cá, só que um porém: ele custará R$ 21.299,00 aqui na terra de Ney Latorraca, Inês e Rodrigo Souto. Não parece um investimento tão bom, não é mesmo? A não ser que você tenha R$ 19,169,00 dando sopa por aí e realize o pagamento numa parcela só.

“não vejo a hora”

Após uma pesquisa rápida você consegue encontrar notebooks com a mesma capacidade por até 1/3 desse valor, e desktop customizados com o dobro da capacidade pela metade do preço. Se pagar R$21,299,00 num computador com as duas alternativas citadas ainda faz sentido para você, por favor, me diz o que você está tomando porque parece ser bom.


Motivo #3: As decisões da Apple de Tim Cook lembram a Microsoft de Steve Ballmer

boa sorte.

A Microsoft anunciou o seu Microsoft Studio pouco antes do lançamento da nova linha de MacBooks da Apple. Enquanto o mundo se impressionava com a apresentação da Microsoft - que com a excessão do Windows Mobile, tem apresentado boas soluções -, a apresentação da Apple soava como um grande “meh”.

Steve Jobs dizia que a função da Apple era tornar o trabalho das pessoas que iriam mudar o mundo mais fácil. Hoje ela representa justamente o contrário. A função de uma ferramenta é se tornar invisível no processo da pessoa que está utilizando-a, para que ela possa se concentrar na tarefa de criar, assim como eu disse no começo do texto. O problema começa quando você precisa mover os arquivos do seu cartão SD ou Pen Drive, ou quando o usuário precisa usar a porta HDMI de seu notebook. Com os novos MacBooks isso não é possível. “Mas a Apple está forçando algo que iremos agradecer no futuro, assim como aconteceu com a remoção das entradas para CD/DVD”, você pensa. Acontece que essa remoção aconteceu quando já tínhamos alternativas superiores e difundidas. O apressadinhos sempre sofrem, é verdade. Agora matar um processo que funciona por causa da estética de um produto não é um decisão muito inteligente. Os usuários dos finíssimos iPhones estão aí para me dar razão. Se você tem um Pen Drive eles não podem ser utilizados nos novos MacBooks. Uma coisa é oferecer um futuro com opções funcionais e mais simples, outra coisa é forçar um futuro onde a solução do presente não só funciona como é uma necessidade.

Caso isso ainda não tenha lhe convencido, saiba que o novo iPhone, lançado um mês atrás, não pode ser carregado nos novos MacBooks sem um adaptador de $25,00.

“Categoria de produtos de maior crescimento na Apple”

Este é o planejamento da maior empresa do mundo. Vale lembrar que a empresa lançou um MacBook mais simples, sem a Touch Bar, e chamou-o de *MacBook Pro*. Eu não sei se foi um erro interno ou se empresa está realmente testando a nossa capacidade intelectual, mas você não pode dizer que o computador é um “potencial” substituto do MacBook Air e chamá-lo de Pro. A verdade é que nenhum dos lançamentos dessa última semana deveria carregar esse nome. A mensagem que a Apple passa é que a empresa da maçã é uma especialista em adaptadores que por acaso vende computadores e smartphones. Uma visita a página de acessórios no site da empresa mostra o quão sem graça essa piada de adaptadores se tornou.


Motivo #4: Nunca foi tão fácil montar um hackintosh

A maior dificuldade em se montar um hackintosh sempre foi a falta de informação. Muitas pessoas gostariam de ter maior controle sobre o hardware que compravam já que modificar o software era praticamente impossível. Hoje essa barreira é menor, bem menor.

Com alguns cliques é possível encontrar sites que sugerem peças que se aproximam bastante do que é entregue por cada categoria dos produtos da Apple. Caso o usuário precise de um computador que ofereça o mesmo poder de um Mac Mini ele pode encontrar as peças necessárias para realizar o procedimento. Além disso, é possível encontrar diversos tutoriais detalhados sobre como preparar o computador, resolver possíveis problemas e a lidar com as eventuais atualizações do sistema. Os grupos que debatem a atividade também são bastante movimentados. No Brasil existem fóruns e grupos dedicados a pratica do hackintosh, a maioria no Facebook.

Grupo de Hackintosh no Facebook

É bem provável que você já conheça alguém que tenha tentado criar um hackintosh, e também é provável que essa pessoa não tenha obtido muito sucesso e tenha culpado o método pelo fracasso. Isso acontece pois montar um hackintosh sem uma pesquisa de compatibilidade é um erro comum. As pessoas querem que as suas maquinas atuais rodem o MacOS perfeitamente, coisa bastante improvável. É importante salientar que muitas vezes até mesmo um hackintosh montado com muita pesquisa pode apresentar problemas que só serão resolvidos depois de muitas horas de mais pesquisa. É por isso que as comunidades são importantes. Montar um hackintosh hoje é mais fácil do que era em 2009 e a tendência é de que isso continue acontecendo. As fabricantes de peças voltadas ao público gamer estão focando cada vez mais em atualizar os seus produtos do que lançar novas opções no mercado, o que é excelente para a comunidade de hackintosh, já que é possível dar suporte com mais atenção para configurações cada vez mais semelhantes. Um exemplo é o número de placas de vídeo compatível com MacOS. A dor de cabeça é inicial. Não lembro de ter tido um problema sequer depois de ter instalado o sistema em meu computador.


Respondendo possíveis perguntas

1 — E quanto a portabilidade? MacBooks são mais caros mas eu posso levá-los pra qualquer lugar

R: Você ficaria surpreso com número de pessoas que compram MacBooks e usam o notebook como desktop com o auxílio de uma dock. Isso acontece porque as pessoas geralmente precisam de mais poder que um Mac Mini pode oferecer mas não podem pagar por um Mac Pro, por exemplo. Além disso, existem diversos notebooks potentes que são compatíveis com a instação do MacOS. Basta procurar.

2 — Nem todo mundo precisa de mais de 16 GB de RAM. Alias, quem precisa de 32 GB de memória RAM?

R: Nem todo mundo precisa de mais de 16 GB de RAM HOJE, mas isso não quer dizer que não vá precisar daqui dois anos. Vale lembrar que nem todo mundo troca de computador todo ano, e como os novos modelos não permitem o upgrade de componentes, você será obrigado a ficar com os 8 GB do modelo mais básico. Boa sorte renderizando um vídeo complexo com esse computador “Pro”. Respondendo a segunda pergunta, muita gente precisa de mais de 16 GB de RAM. Se você trabalha com texto ou usa o computador para o lazer, dificilmente será utilizado metade disso ao mesmo tempo. O mesmo não acontece com outros profissionais, já que maioria esmagadora usa fácil os 16 GB de RAM durante seus testes, revisões e exportações. Se não usam, com certeza gostariam de usar. Um computador vai respeitar o limite de hardware da sua máquina, mas se você oferecer alimento ele vai aceitar de muito bom grado (estou falando de você, chrome).

3 — Mas não estou prejudicando a Apple ao instalar o seu sistema num computador que não foi produzido por ela?

R: Sim, está. A verdade é que esse é o único argumento que eu não consigo refutar. Cada hackintosh é um computador a menos que Apple vende, e sem dinheiro a empresa não pode dar manutenção ao sistema que alimento o hackintosh. Só que estamos falando da maior empresa do mundo. Tenho quase certeza que a empresa de Cupertino poderia acabar com a festa dos hackintosh’s mais rápido que imaginamos, mas ela não o faz porque no final não faz tanta diferença. O processo é complicado o suficiente para que o usuário padrão ainda prefira comprar o produto oficial da marca. É interessante notar que os usuários de hackintosh nem sempre são pessoas má intencionadas. Muitos usuários, principalmente os mais jovens, apenas instalam o sistema como um desafio, voltando ao Windows dias depois (because games), enquanto a grande maioria dos usuários de hackintosh escolhe o método por acreditar na real necessidade de um maior poder de processamento utilizando o sistema da maçã. Boa parte dessas pessoas, principalmente no exterior, poderiam comprar um computador Apple sem muitos problemas, mas a compra acaba não se justificando.

4 — Se eu fizer o processo de hackintosh meu computador será 100% compatível?

R: Depende. Se você já tem um computador e pretende fazer o procedimento nele, provavelmente não. Agora se você está precisando de um computador novo e pretende dar uma chance ao hackintosh, é possível montar um hackintosh praticamente perfeito. Praticamente porque nunca se sabe o quão compatível um computador é se comparado ao oficial já que não é possível testar todas as funcionalidades de um sistema. Montei meu primeiro hackintosh em 2015 e não tive um problema de compatibilidade até agora. Nunca recebi um “VOCÊ NÃO PODE INSTALAR O PROGRAMA XYX PORQUE VOCÊ ESTÁ UTILIZANDO UM COMPUTADOR NÃO OFICIAL”. Isso simplesmente não acontece. Tenho o iMessage funcionando, assim como as atualizações diretamente da Apple Store e o computador conversa com outros acessórios e dispositivos da Apple normalmente.

5 — E se eu não quiser realizar o procedimento nem comprar um computador da Apple?

R: A Microsoft provavelmente não vai parar no Microsoft Studio. A empresa parece realmente ter percebido que dá pra fazer um casamento de hardware e software tão bom quanto o da Apple. O Android também já não é o mesmo de 2010. O sistema amadureceu bastante e hoje bate de frente com o iOS. Investir em Linux também sempre é uma opção.


Conclusão

“Montar um hackintosh foi ago divertido, mas vocoê não consegue a mesma confiança, compatibilidade e suporte em atualizações que eu necessito como um usuário integral”

A Apple já não é a mesma e isso não é de hoje. Se você concorda é porque vem notando essa estagnação não só na empresa de Cupertino, mas em quase todas as gigantes da tecnologia; se você discorda não é o meu texto que vai mudar a sua opinião. O Marques Brownlee, conhecido por ser uma das maiores vozes quando o assunto é tecnologia na internet, teve um hackintosh em 2012, mas como o seu tweet do última dia 29 diz, não foi algo que ele pôde continuar usando por muito tempo. Vale lembrar que o cara trabalha com isso e tem um leque de opções muito maior do que a grande maioria dos outros profissionais.

A comunidade de hackintosh começou como uma solução para quem não podia pagar pelos produtos caríssimos da maça e hoje é mais uma alternativa para quem tem 2020 na cabeça e apenas 2012 nas mãos.

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