A Catarse das Valquírias

O projeto já está disponível no Catarse para quem quiser colaborar

Juliana Fiorese é dessas pessoas que fazem a gente acreditar em unanimidade como algo possível: não há alguém que a conheça e não se renda às suas sensíveis ilustrações. Dona de um traço único e um jeito tímido, Fiorese é incapaz de passar despercebida — nem ela, tampouco o seu trabalho. Convidamos essa queridíssima ilustradora para falar um pouquinho sobre Valquírias, o seu atual projeto disponível no Catarse. Se você adora ilustrações e flerta com questões de gênero, não pode perder nada que vamos contar para vocês por aqui. A nossa conversa você confere logo abaixo:

Em que consiste o “Valquírias”?

Bom, o projeto Valquírias é um livro de ilustrações com o total de 112 páginas que está em processo de captação no site de financiamento coletivo, Catarse; o link é esse aqui. O livro traz minhas representações ilustradas de personagens femininas da mitologia nórdica, dos quadrinhos, dos desenhos animados, dos jogos e dos filmes, levando em consideração essa contradição tão poética entre o leve e o pesado que existe em cada uma delas, e que acaba sendo uma reflexão de toda mulher. Minhas ilustrações — todas feitas à mão, com nanquim — trazem um traço leve, emanando movimento; trazendo mais sensibilidade, amor e arte para as pessoas que escolhem fazer esse projeto acontecer e levar o meu trabalho com elas.

As Valquírias eram um tipo específico de deusas guerreiras da mitologia nórdica, as quais recolhiam os combatentes mortos para levá-los aos salões do Valhalla, um salão reservado aos guerreiros que morriam em combate honrosamente. E eu achei isso tão bonito e ao mesmo tempo tão forte, que resolvi homenagear todas as personagens do livro com esse título. Sou encantada por esse tipo de história.

Como surgiu a ideia do projeto?

O livro contará com 112 páginas, todas as ilustrações foram feitas à mão e em nanquim.

A ideia do projeto começou com o desenvolvimento de personagens femininas representando as deusas da mitologia nórdica e a grande contradição entre o leve e o pesado que cada uma trazia. Eram deusas que emanavam a leveza dos seres celestiais e, ao mesmo tempo, tão fortes e guerreiras. E, como falei, acredito que essa contradição poética e bela está presente em todas as mulheres; fortes quando precisam ser e, ao mesmo tempo, tão sensíveis. Comecei a traduzir essas reflexões em desenhos. A ideia foi evoluindo, e resolvi ampliar o projeto homenageando tantas outras guerreiras com um traço delicado.

Para você, como foi desenvolver a sua própria identidade artística, o seu traço…?

Na verdade, para mim, o processo de identidade artística própria ainda está acontecendo, assim, aos pouquinhos. Esse aprimoramento do meu traço pessoal é uma busca diária, pois estou sempre procurando melhorar um pouco mais tanto o meu traço quanto as técnicas de desenho e pintura.

É uma busca cotidiana e fico muito contente por não ter caído na zona de conforto.

Está sendo incrível; cada melhora que percebo no meu trabalho me emociona, como se fosse o primeiro desenho. É muito desafiador, mas ao mesmo tempo é muito entusiasmante e tem me deixado cada vez mais feliz.

É possível viver de ilustração no Brasil?

Acredito que é possível sim, viver de ilustração no Brasil. Temos exemplos de grandes ilustradores que trabalham e se mantém com a ilustração; Anna Anjos, Amanda Mol, Nina Pandolfo, são exemplos maravilhosos, entre muitos outros artistas incríveis que temos no nosso país. Mas chegar aonde elas chegaram não é fácil.

Eu sempre soube que seria difícil — e está sendo, de fato. Esse processo exige muito, muito trabalho e, além disso, essa produção precisa ser divulgada, precisa ser conhecida. É um desafio muito grande, mas eu realmente acredito que um dia eu vou conseguir.

Acredito que toda essa dificuldade me incentiva a sempre buscar melhorar um pouco mais e, de certa forma, é o que me fascina. Sou apaixonada pelo trabalho que escolhi fazer e estou nessa busca constante, de viver de ilustração.

Para quem tem interesse em seguir a mesma área que você, quais os aprendizados que poderia compartilhar?

Eu sempre falo que produzir muito é essencial — e realmente é, principalmente no início da carreira, onde me encontro atualmente. Mas também é importante saber separar a vida profissional da vida pessoal. Sair, observar o comportamento das pessoas, da natureza, refletir sobre as situações do dia-a-dia é essencial, pois é o que vai proporcionar referência visual, o que é muito importante para a criatividade.

Manter uma rotina, desenhar muito, errar e aprender com os erros, pesquisar ilustradores e artistas que você gosta vão ajudar muito na jornada em busca do seu estilo próprio de desenho.

Ter consciência que é uma caminhada difícil também é muito importante, e por isso exige uma força maior da pessoa que escolhe trabalhar com desenho. Vão surgir momentos de questionamentos, por isso, de todos os pontos que falei aqui, o mais importante é que se tenha amor pelo que faz. Sem o amor pela profissão — e isso vale para todas as áreas — dificilmente o que você escolheu vai dar certo. Ame o trabalho que você escolheu fazer.

A graduação em Design Gráfico — e agora, a pós, contribuíram para sua formação como profissional? De que maneira?

Os dois cursos contribuíram sim, e estão contribuindo muito para a minha profissão.

Foi no curso de Design Gráfico que eu decidi me dedicar exclusivamente ao design em si, e à ilustração. Foi exatamente nesse curso que eu descobri que queria e podia trabalhar com o que eu amo fazer: desenhar.

A pós graduação em Comunicação e Marketing para Mídias Digitais tem me ajudado muito na divulgação do meu trabalho nas redes sociais e na internet. Toda a minha formação auxilia o meu trabalho com à bagagem visual que eu fui e estou absorvendo ao longo do tempo e das aulas, e isso, de alguma forma acaba sendo refletido nos meus desenhos. Os exemplos de profissionais e cases que os professores sempre trazem para as salas de aula alimentam ainda mais a minha vontade de querer crescer profissionalmente, e me estimulam sempre a melhorar o que estou fazendo. Isso me instiga muito e acaba ajudando bastante no desenvolvimento meu trabalho.

Este já é o seu terceiro projeto no Catarse e, se tudo der certo, ele também será financiado. Quais os caminhos para fazer com que ele chegue ao seu objetivo?

Espero que seja financiado sim, ahah, estou muito ansiosa com o resultado. E ansiosa também por uma das etapas que eu mais gosto de fazer: montar as embalagens com todo o carinho e amor que os apoiadores merecem. O primeiro caminho que qualquer pessoa que pensa em colocar um projeto em captação nos sites de financiamento coletivo é se informar bastante sobre como a ferramenta funciona. Antes de colocar o projeto no ar, é importante fazer todo o planejamento para o projeto em si e para a campanha de divulgação. Por essas etapas eu já passei. Agora é continuar mantendo o meu comprometimento com a divulgação diária do projeto (essa divulgação é muito, muito importante para alcançar o objetivo no Catarse) e, caso seja financiado, entregar todas as recompensas para os apoiadores no prazo que estimei.

Para terminar, quem te inspira?

As ilustradoras que já citei aqui me inspiram bastante: Anna Anjos, Amanda Mol, Nina Pandolfo. Também cito os artistas Mark Ryden e Nicoletta Ceccoli, dos quais estou sempre pesquisando seus trabalhos, seja em livros ou na internet mesmo. A Luiza Souza, a Rebeca Prado, a Sirlanney, a Bianca Pinheiro, a Frannerd, também são inspirações. E muitos outros artistas; eu adoro procurar e conhecer novos trabalhos.

O cotidiano me inspira, as situações diárias, os livros, os filmes, as músicas… O amor pela vida e pelo meu trabalho também me inspira bastante.

*** Para quem quer saber mais sobre Valquírias e ajudar esse projeto a se tornar realidade, um videozinho da própria Ju, aqui, ó:

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