Problema meu, sintomas nossos

[ou porque devemos prestar mais atenção à sala de aula]

Seja qual for a sua profissão, você já ouviu alguma crítica à minha: a mais comum é a de que realizamos a nossa atividade da mesma maneira desde a Idade Média, não acompanhamos o curso da História e, sobretudo, das tecnologias. É provável que sua crítica venha até carregada de um certo rancor de seus tempos de sala de aula e certamente as boas lembranças que tenha guardado são referentes à maneira que você “burlava” as aulas:

a habilidade em pular o muro, em fugir para a enfermaria ou como, mesmo em sala de aula, criava infindáveis maneiras de “não estar lá”. Falo, sem restar nenhuma dúvida, com conhecimento de causa. Dos dois lados.

Sala de aula é isso, não é mesmo? É contar cada minuto para sair logo dela — e sempre tem aquele professor com o dom de parar o tempo: depois dele iniciar a sua fala enfadonha por horas, você olha o seu relógio e não passaram ainda 10 minutos. Foi isto, inclusive, que o fez compreender aquele lance de tempo psicológico/metafísico e tempo cronológico/histórico, obrigatório em Literatura.

No entanto, mesmo você tendo sido o pior dos alunos, daqueles convidados por diversas vezes a sair de sala ou até mesmo do colégio, você deve ter pelo menos um professor importante em sua vida, ao menos um que o fazia esquecer de olhar o relógio ou ir à enfermaria ou pular o muro e quando menos esperava, vupt, a aula já era. Talvez o conteúdo da aula nem seja mais tão presente na sua memória, mas isso não diminuiu em nada a importância dessa figura em sua formação e você sabe bem disso.

Quando decidi ser professora, já dava aulas imaginárias. E não sabia ao certo como o faria, mas naturalmente, queria parecer mais com aqueles “mágicos” que aceleravam o tempo e menos com os “mágicos” que o congelavam. E não, não é fácil. É o tipo da “doença” que tem diagnóstico fácil e exige tratamento profundo.

Os sintomas são muitos e extremamente complexos e a “alopatia” dos professores engraçadões e as multidões em cursinhos talvez até alivie um ou outro problema de forma mais rápida, mas estamos longe da cura.

Uma possibilidade “homeopática”, com pequenas doses, em um tratamento mais prolongado, é apresentada no vídeo abaixo por Castells. Não é um vídeo novo, mas só o conheci recentemente.

O que mais me chamou atenção foi uma sugestão mais plausível e, mesmo que óbvia, pouquíssimo exercitada em salas de aula [e aqui posso falar de forma mais concreta de graduação que é onde atuo]: menos memorização e mais recombinação — é este, no fim das contas, o caminho para a criatividade e é este que deve ser o caminho da educação. Quem aí tá disposto, levanta a mão. \o

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