O Acampamonstro de Jim

Não sou lá muito do infanto-juvenil, literatura essa que, enfim, hoje agrada tanto a molecada quanto aqueles que lá atrás curtiam essa seara e hoje continuam buscando material semelhante. Acho que depois da Coleção Vagalume, parei de vez com os livros “pra minha idade” e fui procurar aventuras em outras mídias. E meio que armado contra o que iria tentar consumir, fui lá e comprei A Batalha do Acampamonstro, de Jim Anotsu.

Nesse volume inicial da série “Escoteiros & Monstros”, somos apresentados aos irmãos Nemo e Louise, filhos de lendários guerreiros que salvaram o mundo de um grande mal antigo, o Rei Pálido, que queria impor uma nova ordem derrotando a rainha e…melhor não contar tanta coisa ainda. O livro nem começa com essa carga toda, primeiro somos apresentados ao universo de aventuras que esses garotos e seus amigos tem por meio do escotismo. Sim, ser um escoteiro aqui é a porta de entrada para o mundo adulto na Ilha do Enforcado, e entre fazer nós e correr de monstros, Nemo almejava se tornar um grande marinheiro, enquanto sua irmã, sempre com seu estilingue e respostas rápidas na língua, queria ser pirata. Que na cabeça dela era sem regras e muito mais emocionante do que virar uma marinheiro engomadinho.

No universo do autor, tem lugar pra tudo. O mundo das 7 ilhas (Sete?Desculpe, não guardei o número correto) é uma costura de elementos já vistos na cultura pop, em cima de um dos elencos mais originais que vi em materiais voltados para o mesmo público. Você reconhecerá ali coisas de anime, Senhor dos Anéis, filmes de terror, games, mas pelos olhos de: um núcleo principal formado por pessoas negras, com direito à uma matriarca ultra poderosa (e mau humorada); uma garota-zumbi repórter; o menino múmia que é o maior nerd do acampamento; um prefeito vampiro e muitas outras criaturas esquisitas, ou engraçadas.

Em certas partes não achei tanta coesão nessa mistura, já que cada nome me remetia à uma obra que normalmente não ornaria com o tema “escoteiros”, mas conforme a trama avança e as aventuras dos moleques ficam mais importantes que descrever o mundo em si, fui me sentindo parte daquele grupo (no melhor estilo Goonies) e entendo como aquele lugar funcionava, fazendo descobertas e me surpreendendo junto com eles. E após o desfecho contra o vilão da vez, ficou aquela vontade de continuar por ali se aventurando com meus novos amigos.

E claro que preciso ressaltar que rolou uma grande identificação com os protagonistas, é algo que não vi ser dito em nenhuma divulgação do livro (acredito ser decisão editorial) mas o elenco é carregado de representatividade, já que está lá a família negra sendo a mais importante da trama e mesmo os coadjuvantes em maioria não são exatamente caucasianos. Pô, tem até um escoteiro gato (rival do Nemo) que tem seu próprio ruivo Hering de capanga.

Sim, fui lá na Bienal e peguei direto da mão do autor e fui enrolando a leitura em detrimento de outros gêneros. Erro meu, acabei sendo conquistado por esse universo e quero logo a continuação. E também quadrinhos, jogos, desenhos animados