Positive Tracks, o programa de rádio que ajuda a combater a depressão.

A depressão é uma doença que vem preocupando cada vez mais o mundo todo. E não é por menos. Nos últimos 10 anos, os casos da doença aumentaram mais de 20%. E o que é mais preocupante: há 1 suicídio a cada 40 segundos no mundo. No Brasil, os números também não são bons. Ao contrário do que parece, por ser um país alegre e festeiro, somos o país que mais tem casos de depressão na América Latina, segundo a Organização Mundial da Saúde. Hoje, mais de 11 milhões de brasileiros sofrem com a doença.

Os números são alarmantes. E, mesmo assim, encontramos muito preconceito. Há quem diga que a depressão não é uma doença, é uma frescura. Que para ficar melhor é só ter força de vontade. Que para se ajudar tem que sair de casa. E por aí vai. São muitas frases prontas disseminadas culturalmente na sociedade.

Porém, entre tantas notícias ruins, surgem estudos de universidades do mundo todo que apontam para uma informação que anima: a música pode ajudar — e muito — no combate à depressão. E foi essa boa notícia que serviu de insight para um projeto que temos muito orgulho de ter colocado na rua: o Positive Tracks, um programa criado para a Mundo Livre FM que toca apenas músicas que ajudam a combater a depressão e coloca a rádio como uma companheira em momentos de solidão.

Para selecionar as músicas que tocam na rádio, contamos com a ajuda de músicos, musicoterapeutas e psicoterapeutas para entender o que faz uma música ser considerada positiva e adequada para ajudar a combater a doença. Além da ajuda destes profissionais, encontramos diversas referências e estudos que apontavam para algumas direções de como avaliar e categorizar as músicas.

A pesquisa que mais chamou atenção foi a do neurocientista holandês Jacob Jolij, que analisou centenas de músicas e definiu um parâmetro importante: as músicas que nos fazem sentir melhor possuem entre 140 e 150 batidas por minuto.

Além dessa variável, nossos estudos com musicistas nos levaram a adicionar mais uma: a tonalidade maior das músicas. E as conversas com os musicoterapeutas e terapeutas nos levaram a mais duas variáveis: letra da música e histórico da banda. Utilizar apenas critérios numéricos ou musicais não seria correto, já que uma música pode ter uma tonalidade maior e batidas por minuto entre 140 e 150, porém pode ter uma letra muito triste — o que não ajudaria em nada no nosso objetivo.

Com essas informações em mãos, criamos uma fórmula própria para selecionar as músicas do programa. Duas variáveis da fórmula podem ser processadas automaticamente, as chamadas variáveis acústicas, como as batidas por minuto (BPM) e a tonalidade maior (TOM). As outras duas, chamadas de cognitivas, foram definidas manualmente, como a letra da música (ADL) e o histórico da banda (HdB).

A fórmula, batizada de “Taxa de Positividade”, faz um cálculo de 4 variáveis.

1ª — TOM. O TOM identifica se a música está em tom maior ou menor. Se estiver em tom maior ganha nota 1, se estiver em menor ganha nota 0 (Se zerar esse valor a taxa de positividade é automaticamente 0). O TOM serve para validar a música — é o primeiro parâmetro que diz se essa música faz parte ou não do Positive Tracks.

2ª — BPM. Se a música ganhar nota 1 em TOM, ela passa para a segunda variável: as Batidas Por Minuto. Quanto mais perto de 145 BPM, maior a nota que ela vai receber. Por exemplo: se alguma música tiver BPM 145 ou mais ela ganha nota 1. Se tiver BPM 110 ganha 0.76 ou se tiver BPM 175 ganha 0.86.

3ª — ADL. Se a letra for triste ela ganha uma nota menor que 0.5. Se a letra for neutra ganha uma nota igual a 0.5. E se a letra da música é feliz e passa uma mensagem positiva, ela ganha uma nota maior que 0.5.

4ª — HdB. Se a banda tem um histórico de suicídio ou qualquer história que passe algo negativo, ganha nota 0 nesse quesito. Se não houver nenhum histórico negativo, ganha nota 1.

A fórmula que calcula a taxa de positividade das músicas.

Com todas estas informações colocadas na fórmula, foi definido o resultado, indicando a Taxa de Positividade da música. Se a Taxa de Positividade for maior que 70%, ela será selecionada para o programa. Se for menor que 70%, ela será excluída.

Todo esse estudo foi concluído com uma fórmula matemática que funcionou em uma planilha do Excel, facilitando a criação da playlist a ser tocada no programa.

Tela do Protótipo do software que calcula as taxas de positividade.

O programa vai ao ar todos os dias na Mundo Livre FM e toca em intervalos durante toda a programação. Abaixo, confira o videocase completo, com depoimento de músicos e terapeutas.

Indique o Positive Tracks para o seus amigos.