Como BeDream Fund transformou a maneira de administrar o meu tempo

Inscrevi o Contos de Garagem no Bedream Fund com a maior descrença do mundo. Contudo, eu o fiz mesmo assim porque desejava, lá no fundo, passar por uma prova de fogo, desejava também mostrar para o mundo o quanto esse processo que idealizei e tenho aprendido tanto nos dois últimos anos está mudando a maneira como eu me relaciono com a vida, com as pessoas e o como é bom saber que isso impacta positivamente a vida de outras pessoas também.

E se não tínhamos nada a perder, por que não, então?

E aí essa parte vocês já sabem, nosso projeto foi selecionado. \o/

No dia 8 de julho de 2016 eu recebi uma ligação da Bel Pesce — que transmitia ao vivo em sua página no Facebook a reação dos 9 selecionados para participar de um processo de mentoria durante 21 dias. Logo depois de ter desligado o telefone, senti que estava pulando num vazio de incertezas. Nunca ganhei nada nessa vida! Miss Caipirinha, rifa da igreja, sorteios, bingo, buquê de noiva… Nada!

Não fazia a menor ideia do que viria. E, ao fazer as contas, percebi que faltariam-me braços para atender a demanda tanto na minha agência (para quem não sabe, sou uma “startup de uma pessoa só”… rs), quanto nos encontros de escrita criativa ou como host Airbnb.

Desses 21 dias, não houve um dia sequer que não me sentisse num redemoinho de emoções… Senti que tinha perdido o controle das coisas, das certezas, dos objetivos de vida… tudo! Confundi o nome dos meus hóspedes, trocava lençóis dos quartos enquanto fazia hangout com a as mães e amigos em Itanhaém, levava roupas para passar e lavar às 23h na casa da minha mãe (que fica em outra cidade) e, como se não bastassem todas essas coisas para resolver ao mesmo tempo, o meu notebook pifou e, claro, eu não tinha grana para mandar arrumar imediatamente. Isso me obrigou a me conectar e negociar um rodízio com pessoas próximas para trabalhar o máximo que pudesse dentro daquelas 2 ou 3 horas que eles podiam me emprestar.

A pressão dos prazos - e a consciência de que quanto mais eu produzisse, maiores seriam as chances de obter feedbacks da equipe BeDream — me deixaram, em algumas situações, paralisada pela ansiedade…

E agora, José?

Todos falam muito sobre os benefícios da abundância na vida, mas saber dançar -uma Salsa- com a escassez é muito mais divertido!

Assistam ao meu vídeo ~lindo~ aqui: https://goo.gl/0vl9Cv

Listei atividades indispensáveis para cada um dos dias e que dependia exclusivamente do notebook. O restante das coisas eu tentava resolver pelo iPad ou celular. Salvo a restrição de memória disponível nesses aparelhos (eu não tinha onde despejar o meu conteúdo), percebi que dei às coisas a real importância que elas tinham.

Mais uma vez a meditação foi excelente para administrar o estresse nesses dias. Quem já adicionou esta prática no dia a dia sabe que nos primeiros 5, 10, 15 minutos de meditação são preenchidos por listas de coisas a fazer. Em vez de negar o check list mental, eu simplesmente colocava o despertador para tocar e, após 15 minutos de pseudo-meditação, eu anotava tudo o que me vinha de insights. Depois transformava isso em post it’s e enfileirava o caos em diferentes colunas usando o método Kanban para administrar o fluxo das tarefas.

É óbvio que eu não tinha a menor consciência do que estava acontecendo: estava encontrando o meu jeito de misturar as ferramentas que já conhecia e personalizando uma maneira de otimizar o meu tempo.

Nesses momentos que me sentava em frente ao painel Kanban fixado provisoriamente na parede da minha sala, respirava fundo, e analisava qual a atividade demandaria o mínimo de recursos possível e que pudesse ser realizada nas horas seguintes.

Isso me ajudou a ser protagonista no uso do meu tempo. O mantra era: “Se felicidade é fazer bom uso daquilo que temos… O que eu tenho agora que pode me fazer feliz?”

Hoje, dia 11 de agosto de 2016, comemoro o primeiro mês que esse processo iniciou oficialmente e avalio o quanto aprendi sobre o uso do meu tempo, procurando não perder energia lamentando o fato de as coisas não funcionarem do jeito esperado e buscando soluções imediatas para não deixar o pessimismo tomar conta.

Nesta última semana tive conjuntivite nos dois olhos de uma só vez e precisei dar um tempo em tudo… Procurei me divertir usando chapelões e óculos escuros para caminhar na rua e borrifava álcool gel na mão das pessoas com quem interagia.

Essa loucura de equilibrar pratos em projetos tão diferentes entre si me ajudou a compreender que nós podemos escolher, dentre tantas possibilidades, o que fazer e o que sentir diante das adversidades e restrições.

Por notar essa transformação em minha rotina, por ter encontrado tantas pessoas maravilhosas no caminho, por ter recebido tanta ajuda e ter procurado agir de forma mais flexível e resiliente possível…

#SoulGrata.

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