
Fulô
Ela me olhava enquanto eu tocava uma canção de amor para o meu povo. Cantava comigo, ignorava que eu era um louco.
Aí ela sumiu.
Nos trombamos algumas vezes pela cidade. Ela me olhava sempre com os mesmos olhos, eu lhe dava um abraço e dizíamos Oi.
Menina Ariana, perigosa e sagaz. Cheia de malícia. Falava alto. Pra ela a vida era uma delícia. Sorriso cheio de verdade, a escrita vazia da vaidade dos homens.
Aí ela me viu.
Eu e o meu violão. As minhas cordas faziam ela querer dançar. Ela sorria, gesticulava, se insinuava e eu amava.
Saímos pela noite. Nos tornamos a chuva e a escuridão. Fomos a calmaria e um arrastão.
Aí ela foi embora.
Falô. Até mais. Ela me deixou uma fulô e duvidou que eu fosse capaz de me lembrar dela um dia.
Tão bonita a fulô. Teu cheiro é terapia.
Acho que me gabei demais por você. Eu amei te conhecer.

