A Febre das Moscas — Parte 5
O SACRIFÍCIO
Debaixo de um sol escaldante a inchada crava na terra seca daquele quintal.
Ainda é de manhã, mas o sol recém chegado já castiga o pobre velho Ademar. Dentro daquela casinha a telha e as paredes de barro conservam todo o calor do dia, e na hora de dormir aquilo ali fica tão abafado que tira o sono de qualquer um. E toda manhã, Ademar perde o sono com o quente daquele pequenos feixes de sol que entra pelos muitos buracos de sua nova casa. Ele demorou para acostumar com o trabalho pesado, mesmo velho, teve que aprender a sobreviver. E hoje dividi as tarefas do dia e o tempo que passa com Amalia.
O marido dela morreu tem um tempo, nunca tiveram filhos. Todo trabalho da casa sobrou pra ela. Cuidar de algumas vacas magras que tinham, pegar água no açude, plantar e colher batatas. Tudo que aparecia Amalia tinha que fazer sozinha. Por causa do isolamento tinha vezes que ela ficava sem falar uma palavra durante dias, seu silêncio já fazia parte dela.
Eis que em uma tarde ensolarada Ademar apareceu por lá. Mandado pelo governo, ele nunca podia falar de onde veio e nem conversar com ninguém sobre seu passado. A estratégia parecia que funcionava para enganar as temidas Moscas.
Foi quando ele chegou naquele fim de mundo, na frente daquela casa de barro com um quintal grande e alguns animais magros. Bateu na porta uma vez, ninguém respondeu. Bateu a segunda e nada de novo. Na terceira, a mulher abre a porta. Ademar carregava com ele (cedido pelo governo) quatro bois e cinco galinhas. Com aquilo, o velho tinha que recomeçar sua vida. Amalia chocou-se com tanta saúde daqueles animais. Em seu rosto castigado e melancólico um breve e pequeno sorriso desabrocha. Ela convida Ademar para entrar. Sempre acompanhada de seu silêncio, Amalia não fala nada. Ademar, cansado da viagem senta numa cadeira no meio da casa e mesmo sem conhecer a senhora, abusa do pedido.
- Meu nome é Ademar. Perdi toda minha família e só restaram meus animais e meu trabalho. Posso morar aqui com a senhora?
Amalia não pareceu surpresa com o pedido, seus pensamentos estavam naqueles animais saudáveis. Ela balança a cabeça que sim e poucas palavras caem da sua boca.
- Levas os animais latrais.
Ademar levanta, guarda os animais e volta para se familiarizar com sua nova casa.
renan monteiro
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