Mães: vilãs e heroínas
Desde criança tenho um olhar carinhoso em relação as mães. O amor delas sempre me impressionou. Nessa época, quando morava no interior, numa cidade muito pequena, daquela que sabemos quem nasce e quem morre, presenciei algumas vezes a tristeza profunda e duradoura de mães, quando perdiam seus filhos.
Observava também outros tipos de sofrimento, mas não percebia nenhum sofrimento que demonstrasse ser tão doído quanto a perda de um filho. Eu sentia muito quando alguém morria e deixava uma mãe. As perdas de outros entes queridos, eu encaro com mais naturalidade. O amor de mãe é, de fato, muito especial. Embora não acredite que apenas a maternidade permita viver um amor incondicional. Mas isso é assunto para outro texto. O assunto mãe rende muito mesmo, é nela que nossa vida começa.
Proporcionalmente a esse amor estão as cobranças. Aí eu pergunto — será o amor proporcional as cobranças? Pois, normalmente, quanto mais amamos mais cobramos. As mães são muito cobradas por nós, inclusive elas mesmas que pedem para não cobrarem, por vezes, cobram das outras mães, das suas mães e sobretudo delas próprias.
Eu também já julguei as mães. Quem nunca? Inclusive, recentemente eu estava num supermercado e vi uma criança escandalizando, esperneava, queria bater uma senhora que empurrava o carrinho. Aparentemente não era nada, só birra. A suposta mãe olhava para o garoto, com voz firme, pedia para ele parar. Mas ele continuava, até que se aquietou. Eu, do outro lado (podem me julgar!), com vontade de que aquele fofo, que já não estava tão fofo, recebesse um tapinha.
Dessa vez não julguei a mãe, coitada, naquele momento não tinha muito o que fazer. Também pensei: a depender de quem estivesse olhando, essa mãe seria julgada qualquer que fosse a postura adotada. Ser mãe não deve ser fácil.
Então, mães, posso estar enganada, mas vocês nunca escaparam do julgamento, a não ser o do seu próprio em relação a você. Vocês podem se cobrar menos, entenderem que antes de serem mães, são humanas. Desculpe, mas é com amorosidade o que vou falar — vocês não são seres extraordinários, ainda que amem extraordinariamente. Ademais, é sempre bom lembrar que seus filhos não são extensões de vocês. São seres individuais, únicos. Ok, eu não sou mãe, mas se fosse, gostaria de pensar assim, penso que seria mais saudável e respeitoso.
Com empatia, de uma mulher com alma de mãe
Carla Oliveira
Curtiu? Clique no ícone da palminha abaixo.
