A vida e morte do Instagram
Em 2010 o Instagram surgiu com a ideia de criar uma interface onde fosse possível capturar imagens, aplicar filtros vintage nelas e arquivar em no seu perfil. Seis anos depois isso soa simplório e despretensioso, mas o app-wannabe-rede-social acabou criando um revolução.
Com a popularização do aplicativo, os usuários passaram a moldar um comportamento sócio-antropológico, originou-se daí o conceito que o filósofo Daniel Kahneman chamou de “memória antecipada”.

O Instagram dava ao usuário a possibilidade de escolher a forma que ele irá lembrar o seu passado, empoderando com a capacidade de forjar memórias digitais. Com ele posso escolher quais fotos e vídeos irão simbolizar uma determinada lembrança. Junto a isso, o prefixo insta, criando o paradóxo de escolher no presente momento o que eu vou me lembrar daqui a anos. Junte isso o modelo de aplicação social e pronto, agora é possível não só escolher as suas memórias antecipadas, mas acompanhar cronologicamente as memórias de meus amigos.
Com a possibilidade de moldar o passado, os usuários, mesmo que inconscientes de tal, começaram a fabricar esses momentos. Raras são as fotos tiradas no primeiro click que vão para o feed, perdendo a espontaneidade e se distanciando do conceito de instantâneo.
Em 2012, Mark Zuckerberg viu na rede social um negócio em potencial que o motivou a desembolsar US$ 1 bilhão por sua compra e quando uma empresa com renda baseada em venda de anúncios, como o Facebook, aparece na jogada é preciso saber que uma hora a conta virá e muito provavelmente na forma de exposição constante e ininterrupta de anúncios.
Em 2016 os anúncios já fazem parte da experiência do aplicativo e o número de anunciantes não para de aumentar. O problema é que para exibir mais anúncios é necessário prolongar o uso do aplicativo, que leva aos necessários algoritmos de relevância que leva a perda da camada temporal do app.
Em outras palavras um código vai interpretar com base naquilo que você curte, comenta e assiste na plataforma para escolher arbitrariamente o que é melhor para você.
Só a notícia de que isso poderia acontecer, fez diversos perfis postarem uma seta convidando os seguidores a assinar suas postagens, gerando uma notificação sempre que uma fotos ou vídeo novo fosse postado. Não preciso comentar o quanto você receber notificações sempre que alguém postar algo é inviável e chato.
Com o Snapchat e seu imediatismo tomando cada vez mais o espaço do instantâneo e o Instagram se tornando cada vez mais Facebook, o aplicativo tem um sombrio caminho que atualmente leva para o limbo das redes sociais que as pessoas vão parar de usar.