Quando a “imbecilização” das redes sociais não é tão imbecil assim.

Esse é um textão resposta ao textão “A “imbecilização” das marcas nas redes sociais ou MATEM AS CAPIVARAS!” publicado pelo Eden Wiedemann pela manhã.

Quem me conhece profissionalmente, sabe que sou totalmente contra marca ficar conversando com outra marca só pra virar notícia no Adnews/Blue Bus/Qualquer outro site ególatra pra publicitário. É a tecla que eu bato tanto do publicitário comunicando para publicitário.

Outra coisa é a overbabacalização memética de marcas que, de repente, desaprenderam como comunicar sem ter uma piada, um desenho, um catchyzinho desnecessário pra entregar uma mensagem (desculpa Prefs).

não gosto mesmo, virou até quote num blog.

Mas, pela primeira vez gostei muito de uma conversa entre marcas a ponto de me fazer perder meia hora e redigir um textão contando os porquês.

Ambientando quem tá lendo, o que aconteceu foi isso:

Eis os meus porquês:

1. Real Time Content com interação de Second Screen: poucas marcas são rápidas em ter uma ideia, executar, aprovar e veicular uma piada sem perder o timing. Principalmente uma com um teor mais arriscado como essa.

2. Contexto: o “manda nudes” é um dos memes mais fortes da atualidade e foi criado um contexto legal pra isso, aos que não viram o Masterchef ontem, os participantes precisaram depenar um frango antes de poder cozinhar a ave.

isso sem contar as milhares de imagens

3. Entrega: a conversa culminou em um post com o hero da campanha atual de Knorr, o Meu Assado, entregando as principais features do produto: a praticidade de cozinhar e a instant gourmetização do prato, que também entra no contexto Masterchef.

4. A adequação de tom de voz: Há quem diga que o discurso não faz sentido com o contexto da marca, que o tom de voz empregado nessa conversa é outro. Mas pra conversar sobre isso, primeiro precisamos entender o fenômeno Masterchef.

O programa teve sua primeira edição nacional ano passado, começou super despretensiosamente, você pode ver isso lembrando que um dos quotistas de propaganda era uma marca chama EMBALIXO, que hoje disputa inserções com players gigantes da Unilever. O programa virou um fenômeno cultural, principalmente pelas possibilidades de interações em segunda tela e das conversas com os próprios participantes no Twitter. Antes do final da primeira temporada, o Masterchef já era o nosso SuperBowl semanal.

Esse fenômeno, junto à onda da gourmetização criou um movimento de “Cara, cozinhar é legal” e começou a levar jovens a cozinhar arriscando suas skills culinárias e com isso fica a pergunta: por que não aproveitar esse movimento e suavizar meu discurso direcionado ao clichê da mulher, 25–55, C/C+, dona de casa, que ama cozinhar para os filhos e apontar ele para os jovens que nesse momento também são meu publico potencial?

Então, falar que foi um engajamento puramente pelo número, desconexo do público, é no mínimo raso.

Fecho dizendo que se toda conversa de marca tivesse uma atmosfera, contexto e entrega como foi essa, talvez eu não seria tão reativo com esse tipo de ação.

Ps: Recomendo a leitura do artigo “A “PREFStização” dos orgãos públicos e a conta cobrada em 2016" escrito pelo Hilário Junior, que mostra uma visão interessante sobre essa necessidade de memetizar tudo a todo o tempo.