Exposição de fotos discute memórias

Visitantes são convidados a refletir sobre o motivo das obras terem sido descartadas. Imagens de Manoela Tkatch.

Mostra com obra da artista Nicole Lima foi uma das atrações da Corrente Cultural 2015 no Museu da Gravura de Curitiba

Por Ketlin Cristine

“Segunda Infância: eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina” é uma exposição da obra da artista Nicole Lima que fez parte da programação Corrente Cultual de 2015. Há cerca de quatro anos, a artista coleciona negativos, slides e fotografias que, por algum motivo, as pessoas não querem mais. Na exposição é possível ver fotos cortadas, rabiscadas ou até mesmo trituradas. A intenção é fazer com que as pessoas refletiam sobre a trajetória de cada fotografia e porque foram tratadas e descartadas daquele modo.

De acordo com Nicole, as fotos descartadas tiveram suas histórias reveladas. Em entrevista ao Capital da Cultura, a artista explica como foi feita a separação dos espaços para a exposição. “São três salas. A primeira é uma coleção de fotografias que selecionei. Algumas, eu achava que tinha alguma mensagem atrás e um significado mais forte do que outras que foram trituradas. A segunda sala eu chamo de ‘A sala da separação’, com fotos que foram rasgadas e os slides, muitos deles de viagens de família. E na última sala, o resultado de uma entrevista que fiz com cegos que perderam a visão adultos em que relatavam sobre quais fotografias eles se lembravam”.

A última sala faz um contraponto com essa tentativa de destruição das fotografias. É o oposto disso, pois resgata das memórias. Por isso, o nome “Segunda Infância”, que, segundo a artista, “é como se essas imagens tivessem uma nova chance de ter outro significado”.

A exposição faz parte da Bienal de Curitiba “Luz do Mundo” e fica aberta para visitação até dia 10 de dezembro, no Museu de Fotografia de Curitiba.

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