Sobre geléias, preguiça e maturidade…

Você acorda cedo[afinal a vida acorda cedo e dorme tarde],em uma hora tudo está arrumado, inclusive sua opinião sobre a situação do país, o que fazer para mudar o mundo e quem você não quer ter uma conversa que não levará a nada[sim, depois dos trinta podemos simplesmente ignorar alguém].

Trabalho é divertido, estressante, mas divertido. Quando se faz o que gosta, trabalhar 10 horas cansa, mas você fará de novo no próximo dia. Quanto mais louco e insano for sua rotina, mas rápidamente a labuta termina. Entre manhãs muito produtivas e preguiçosas, idéias fluem, projetos são finalizados e começados. Você promete para si mesmo que irá reduzir o ritmo. Pura balela! Secretamente você gosta desta rotina.

No almoço opta-se pela tranquilidade da marmita [obrigando-se a utilizar menos calorias e reais] ou aquele restaurante super charmoso que você e seus colegas mais cools irão fazer a terapia. Falar dos problemas e rir, bem alto, atrabalhando os engomadinhos da mesa ao lado.

Tardes passam, lembrando que aquele sol das quatro da tarde poderia estar bronzeando sua pele. Que aquela grama poderia ser cortada agorinha, ou que aquela pilha de roupa estaria maravilhosamente seca [se você tivesse cumprido suas obrigações domésticas].

Noites são os momentos em que você divide o tempo precioso com quem merece. Pode ser aquele fim de tarde na praia, aquela corrida gostosa[mentira! vou me restringir ao adjetivo “suportável”] jogar-se na frente da tv, brincar com o cachorro, com os gatos [observá-los, porque vossas majestades não brincam com qualquer ralé], aquele aconchego com uma xícara de café e outra de chá [com o love é claro], brigar para ver que não vai cozinhar ou esquematizar um plano secreto para pedir o lanchão da esquina [muahaha].

Nunca experimentei tal coisa. Este negócio de vida mimimi, sabe? Compras semanais no supermercado, a preocupação com uma comida saudável, o desejo insano de ir para casa para encontrar quem está te esperando. Alimentar os gatos todo dia, o cachorro [que parece possuir uma fome infinita], acordar cedo e esperar o comentário político e a previsão do tempo. Sábados tempestivos e domingos preguiçosos.

De repente você anseia para estar em sua cama [de preferência não por conta de uma ressaca]. Sim, bons jantares substituem baladas. Um belo café naquela cafeteria hipster [com certeza!]. Isto custará mais que o dobro no seu bolso, mas valerá cada gole [vidas superficiais matam a alma, mas pequenas superficialidades adoçam a vida].

Eu preparei geléia semana passada. Pense nisso, e por quê? Porque eu queria preparar! Quatro horas fazendo isso! Mas foi como terapia. Quando se trabalha demais com a mente, trabalhos manuais simples acabam tirando você do seu mundo de cálculos e fórmulas.

Cultivar plantas insignificantes [e nomé-las com nomes pomposos como Bóris]. Acordar de manhã e ter alguém que amo do meu lado, compartilhar a vida.Toda a manhã eu xingo minhas gatas que decidem morrer de fome as cinco da manhã, mas mesmo assim eu amo fazer isso. E assim que posso, eu abraço elas tão fortemente que ouço o ar saindo de seus pequenos pulmões de forma abrupta. E tudo isso é bom.

Nos ultimos tempos viver se tornou tão fácil. Tudo é tão tangenciável. Alguns dirão: Isso é amor! — Sim! Mas acho que é algo menos clichê. Isso é maturidade. Quando temos maturidade a vida é proveitosa. Maturidade nos faz explorar todo o potencial de um relacionamento, e com isso temos amor, em todo o seu sentido. Encarar o dia com maturida faz-nos aproveitarmos cada instante. Cada risada, cada lágrima, cada sorriso e cada olhar.

A vida é boa sim, está a cada dia melhor. Até quando? Só a entropia sabe[ou não?]. Só nos resta continuar a viagem e torcer para que a estrada continue boa.

[O texto original foi publicado em 2014 neste blog falido, a vida continua boa mas a entopia do país está me preocupando profundamente, tempos de estradas tortuosas]