Tive um sonho e acordei com medo.

Era uma daquelas eras em que existir era tão real que coçava.

Meus olhos perceberam der repente um silêncio muito grande, como se todas as estrelas sussurrassem.

Devagarinho ouvi o sol se meter de volta na meia noite de onde viera.

A melodia que por uma fração de segundo fora humana, voltava à compor as cordas e partituras,fibra de um todo.

Não perceptível mas sensata, uma vibração entre tons e subtons de azul índigo se alastrava no ar denso da efemeridade fotográfica e quase opressora daquele momento.

Um gato passeava na lua cheia, pé ante pé, cantando. Rindo.

Sua risada era um engrenagem fora do eixo, uma bicicleta com a correia solta, um relógio portados de segundos (h)à procura. Uma luz comprida.

Não admitia o equilíbrio, assim que acionada largava-se numa gargalhada fatalística, enorme e solar.

Talvez por nunca ter-se limitado. Por não ser escravo de um fim e nem filho de um começo. Podia se permitir a só estar no tempo, e por lá presente.

Como que à sapatear, me veio então uma felicidade repentina que desenvolvia-se sorrateira em partes serenas e,por isso,respeitei.

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