Presidente da Desportiva Ferroviária se explica sobre polêmico acordo com a CBF

Wilson de Jesus assinou acordo com a CBF em julho de 2013 (Foto: Henrique Montovanelli/ Desportiva)

O presidente da Desportiva Ferroviária, Wilson de Jesus, se explicou sobre o acordo firmado com a Confederação Brasileira de Futebol em 2013. Em comunicado enviado à imprensa nesta segunda-feira, o dirigente grená negou que o documento seja falso e disse que tinha respaldo legal para representar o clube na época. O acordo que abriu mão de uma ação indenizatória movida pela Desportiva Capixaba contra a CBF foi julgado como inválido e falso pela Justiça do Espírito Santo.

Além de Wilson de Jesus, o documento tinha assinaturas de José Maria Marin — então presidente da CBF e atualmente preso na Suíça -, do ex-presidente da Federação de Futebol do Espírito Santo, Marcus Vicente, e do diretor jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes. A ação foi movida em 2004 por representantes da Desportiva Capixaba por conta da exclusão do time da Série C daquele ano.

O juiz Jaime Ferreira de Abreu, da 3ª Vara Cível de Vitória, concluiu que Wilson de Jesus não poderia ter entrado em acordo com a entidade máxima do futebol brasileiro sem o consentimento da Capixaba. O presidente ferroviário citou o estatuto do clube para se defender.

“O próprio Estatuto Social da Desportiva Capixaba S.A., na Seção II, Artigo 15, sobre a composição da Diretoria Executiva — documento que provavelmente não foi analisado no caso — comprova a minha competência para responder sobre as questões tratadas no acordo, sendo a Desportiva Ferroviária a sucessora da Desportiva Capixaba S.A., e eu o presidente da Desportiva Ferroviária e do Conselho Diretor da agremiação”, disse.

O acordo foi feito no dia 3 de julho de 2013. A Justiça alegou que o documento não poderia ter sido assinado pelos ferroviários, já que nessa data a Ferroviária já havia rompido a parceria com a Capixaba, do empresário Marcelo Villa-Forte.

Marin e Vicente também assinaram o documento (Foto: Divulgação)

Em nota, Wilson de Jesus afirmou que Serra e Estrela, campeão e vice do Capixabão 2004, respectivamente, eram os merecedores da vaga na terceira divisão. Naquele ano, a FES indicou Rio Branco e Desportiva para a competição nacional, deixando o Tricolor e o Alvinegro do Sul de fora. Os clubes entraram com recurso no Tribunal de Justiça Desportiva e conseguiram disputar a competição.

O presidente grená também questionou o valor da indenização divulgado pelos representantes da Capixaba. De acordo com Wilson de Jesus, o pedido inicial do processo era de R$ 100 mil, distante dos R$ 90 milhões.

“Questiono ainda a informação citada pelos representantes da Capixaba para a imprensa, de que a indenização estaria hoje no valor exorbitante e aproximado de R$ 90 milhões, sendo que o pedido inicial de indenização do processo era de R$ 100 mil e que o mesmo ainda não está definido”, escreveu.

Confira a nota na íntegra

“Diante das recentes notícias publicadas na imprensa sobre o acordo entre a Associação Desportiva Ferroviária Vale do Rio Doce, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Federação de Futebol do Espírito Santo (FES), esclareço algumas questões levantadas. Primeiramente, o documento assinado por mim, Wilson de Jesus, presidente da Desportiva Ferroviária, no dia 03 de julho de 2013, não foi entendido pela Justiça como falso, mas quando como sem legitimidade. Entendo que a imprensa utilizou mal as palavras e acabou insinuando que todos os participantes do acordo são falsificadores, o que constitui uma acusação muito séria e sem fundamento. Entretanto, o próprio Estatuto Social da Desportiva Capixaba S.A., na Seção II, Artigo 15, sobre a composição da Diretoria Executiva — documento que provavelmente não foi analisado no caso — comprova a minha competência para responder sobre as questões tratadas no acordo, sendo a Desportiva Ferroviária a sucessora da Desportiva Capixaba S.A., e eu o presidente da Desportiva Ferroviária e do Conselho Diretor da agremiação.

O processo AREsp 221.396/ES era, inclusive, desconhecido pela gestão do clube, até a CBF nos comunicar da existência do mesmo, antes da Desportiva Ferroviária disputar a fase da Pré-Copa do Brasil, em 2013, participação essa conquistada pelas vitórias do time dentro de campo, não tendo qualquer ligação com o acordo com a entidade. Sendo, respectivamente, a Sociedade Desportiva Serra Futebol Clube e o Estrela do Norte Futebol Clube o campeão e vice-campeão do Estadual em 2004 — portanto os reais e merecidos representantes do Espírito Santo no Campeonato Brasileiro da Série C de 2004 -, e tendo a decisão do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) sobre o caso, a Desportiva Ferroviária entende como sem fundamento o pedido de indenização contra a CBF, cujo processo tramitava na Justiça há quase dez anos, pedindo então o arquivamento do processo e a consequente desistência do pedido de indenização por perdas e danos. Em virtude disso, questiono ainda a informação citada pelos representantes da Capixaba para a imprensa, de que a indenização estaria hoje no valor exorbitante e aproximado de R$ 90 milhões, sendo que o pedido inicial de indenização do processo era de R$ 100 mil e que o mesmo ainda não está definido. Revelo ainda que o terceiro parágrafo do texto documento cita a cota de participação da Desportiva Ferroviária na Pré-Copa do Brasil de 2013, no valor de R$ 120 mil repassado a todos os clubes participantes da competição nacional, verba legal que contribuiu na época para a montagem, manutenção e premiação do time. Lembro que a gloriosa história do querido clube de Jardim América é de conhecimento geral e que todos sabem que o declínio da Desportiva, dentro e fora de campo, começou a partir de 1999 e que desde o retorno às atividades, em 2011, o clube convive com sérios problemas financeiros, com o pagamento de dívidas milionárias oriundas do grupo Oliveira Empreendimentos e Participações S/A. Observamos ainda que, desde que a dissolução da Desportiva Capixaba foi decretada pela Justiça, no dia 01 de dezembro de 2014, os representantes da outra parte tentam tumultuar a mídia local, chegando ao ponto de afirmar, neste ano, que disputaria o Campeonato Capixaba no lugar da Desportiva Ferroviária — o que obviamente não se concretizou -, e que essas tentativas não preocupam a vida política do clube e não interferem no nosso funcionamento. No mais, seguimos com todo o empenho em prol da Desportiva Ferroviária e aguardamos os desdobramentos dos processos na Justiça.

Wilson de Jesus

Presidente da Associação Desportiva Ferroviária Vale do Rio Doce”

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