UX for all… robots!

Sim, estamos prestes a agregar às nossas vidas e familia um outro membro, a Rosie*. Quem se lembra da governanta robô dos desenhos dos Jetsons? Porém, apesar dos avanços em visão computacional, inteligência artificial para entendimento/aprendizado e execução de tarefas, outros aspectos se colocam como fronteiras para o uso de robôs no dia-a-dia (fora de um ambiente industrial ou em tarefas altamente especializadas).

*Rosie, a simpática governanta robô dos desenhos dos Jetsons.

Algumas dessas limitações se dão pela falta de complexidade motora — se comparada à nossa e à de outros animais que possuem grande diversidade na musculatura e articulações — que possibilita realizar tarefas complexas, que, aos nossos olhos e devido ao fato que algumas delas não necessitam de processamento cognitivo consciente, possam parecer banais. Além do mais, nossas capacidades motoras são frutos de eras de aprimoramento.

Neste video da Boston Dynamics há, logo no início, uma interação que me levou a refletir sobre como precisamos pensar o mundo para a experiência de uso para robôs. Na cena, o robô abre a porta através de uma maçaneta como as das portas de incêndio, que são facilmente acionadas ao se empurrar a barra para baixo. Ok, mas e dai? E daí que E SE houvesse outra maçaneta, como as que, para abrir, é necessário segurar e rotacionar? E SERÁ que o espaço entre essas maçanetas e a porta é suficiente para alojar a mão do robô? E SE ele precisasse destrancar a porta inserindo uma chave? Coitado!

Falamos acima dos esforços em inteligência artificial. No Google Research Blog tem um post bem interessante sobre como a deep learning está auxiliando no reconhecimento dos objetos e quais ações são necessárias para interação com eles (selecionar, segurar, etc) e como as experiências dos feedbacks de erro ou acerto guiam o aprendizado para interações futuras.

Ah! Esse video citado no post é surpreendente:

Ok! Vamos aprofundar no aspecto da experiência e usabilidade.

Precisamos pensar a experiência para um mundo com robôs.

Ou: Precisamos pensar a experiência do mundo para robôs.

A ideia aqui é refletir sobre como podemos pensar produtos e ambientes para as limitações atuais dos robôs. O inverso também pode ser explorado: quais configurações os robôs devem ter para conseguir ter interação com o meio.

Alguns exemplos de mãos robóticas com a estrutura de garra.

Uma dessas limitações é a forma da mão robótica. Existe um skeuomorphism ao se tentar replicar a mão humana, porém, na grande maioria das vezes, devido à complexidade de emulação e ao alto custo de produção, a construção dá no modelo de garra. Isso gera uma grande variedade de características impossibilitadoras, a exemplo: tamanho da garra e de suas extremidades (“dedos”) e modelos de articulção. Vamos levantar apenas alguns limitadores e como seria uma eventual exploração de solução.

Limitadores

  1. Alguns botões que não possuem relevo sobressalente podem impossibilitar o acionamento, assim como o tamanho da área do botão (exemplo: botões de elevadores são quase que planos). Botões em telas touch, botão ou alavanca de abertura da porta de microondas e uso de knobs (potenciômetros) também podem ser problemáticos.
  2. Puxadores como os de fogões, geladeiras e armários.
  3. O uso de maçanetas.
  4. Conectar plugs também pode ser uma tarefa laboriosa devido à flexibilidade do fio, tamanho do plug e encaixe dos pinos. Veja vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=arhlZ1r208k

Decidi restringir e não comentar o uso de utensílios. Mas uma analogia da capacidade de manuseio poderia ser a de robôs que efetuam tarefas altamente precisas como cirurgias ou a participação em linha de produção industrial. Porém foge ao tema deste escopo por serem máquinas totalmente projetadas para serem especializadas em somente uma tarefa, e não no contexto do robô doméstico realizando várias.

Soluções

  1. Sobre botões, uma configuração sobressalente poderia minimizar alguns problemas. Teríamos que pensar ainda sobre a distância entre botões e as dimensões dos mesmos. Para este e outros casos do item 1 dos Limitadores, uma comunicação entre sistemas (robô e objeto) como o que se tem usado em Internet das Coisas (IoT) resolveria problemas de acionamento.
  2. Nos itens 2 e 3, se puxadores e maçanetas fossem constituídas de material magnético e as mão dos robôs também pudessem ter tal capacidade, ou se as mãos fossem dotadas de ventosas, poderíamos resolver alguns problemas das ações de segurar, empurrar/puxar e rotacionar. A comunicação entre robôs e objetos como citado no item anterior também poderia ser uma exploração para abertura e fechamento de portas.
  3. Finalmente no item 4, os plugs macho e fêmea podem possuir capacidades magnéticas para conexão.

E, no fim, restam padrões.
Pra quê?

Até aqui citamos alguns pontos problemáticos e suas possíveis soluções, mas são casos específicos de uso. Pensar em standarização é um ótimo ponto para termos de guia na hora de projetar uma melhor experiência entre organismo (robô) e ecossistema (mundo+coisas+humanos). Alguns tópicos são:

  1. Proporção da mão, garras, dedos e suas extremimidades.
  2. Configuração das estruturas das mãos com: capacidades magnéticas, ventosas, uso de borrachas para aumentar aderência a objetos.
  3. Formas de comunicação entre robô e objetos (internet das coisas, protocolos de comunicação, formas de feedback entre os envolvidos: robô+coisas+humanos).

Esta foi uma breve reflexão sobre como temos que pensar a experiência de uso para todos. As experiências dos robôs refletirão na nossa experiência diária, isto já não é tema da ficção. Antecipar seus problemas e soluções é antecipar nosso próprio vislumbre.