Tan Ngiap Heng

Que bem canta na parede

Imagine, se quiser, a seguinte cena. Abertura de uma exposição de fotografia maioritariamente composta por boas narrativas, alguns mistérios e fracas “personildades”. Acaba por ser um entretenimento inofensivo, pouco inspirador, misturando sensações de quem está habituado a apresentações abertas ao público. Naquele momento, inexplicamente, tirei umas notas breves. Agora reconsidero o que escrevi, caso tivesse sido atacado por uma raiva inconprensível e afirmo que a pintura está morta; tipo anacrônica, realmente estúpida que se esfrega numa parede no século 21.

A “fotografia não é arte”, este debate é tão velho que nem vale a pena extender o pensamento da Susana Sontag ao quadradro, mas quando vemos serem atribuídos prêmios a retratos de animais selvagens tendo como base um critério bizarro, fico em pânico. Continuando as difamações, esta semana, discutiu-se o preço a que foi vendido a fotografia de Peter Lik, tornando-se a mais cara do mundo. Os mais céticos respondem: e qual é o problema? É o capitalismo global, ricos obscenos, com mais dinheiro que juízo. Ou gosto. Estas imagens recordam o típico fotografo intitulado artista explosivo em cachimbos e atestado de acessores que renovam o prazer da visão original. Relembro alguns fótografos a primeira vista cujo trabalho é arte: Diana Arbus, Hiroshi Sugimoto, Robert Frank, Nan Goldin entre outros priviligiados com um dom que torna a pespetiva do olhar uma forma diferente de ver o mundo.

Está maldita fotografia revela os colecionadores milionários famintos de qualquer balde de leilões que seja posto a sua frente apenas com o desejo de adrenalina que só o dinheiro proporciona, seja sopa de cavalo cansado ou canja de galinha. Sinceramente, podemos avaliar a saúde da arte comtemporânea como o preço a pagar pelo crânio em diamente de Hirst?

Tenho visto algumas instalações deprimentes ao longo dos anos, mas isso não significa que todos os artistas sejam idiotas e os seus trabalhos aborrecidos.

Se alguma coisa é anacrônica, que seja o debate “fotografia não é arte”. Polaroids de Warhol e livros medíocres de Ruscha acabam sempre cobertos de pó debaixo da cama. Observar o vulção da ilha do Fogo, em Cabo Verde é de cortar a respiração na sua nirvana e mistério. Fico aberto a convites onde as paredes criem um silêncio profundo. Acho que seja isso o poder da arte, certo?

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