A escola é uma janela aberta para o mundo — a partir da rua, do bairro, da cidade, envolvendo o país e o planeta inteiro. É um feixe múltiplo e complexo de conexões com a história humana, no tempo e no espaço,…

que leva em conta o contexto geográfico, político e social em que a instituição está inserida. A escola, portanto, está situada em um tempo concreto, em uma realidade única, com uma comunidade singular e plural, formada por alunos, famílias, professores, equipe pedagógica, funcionários e todo o universo a sua volta.

No mundo líquido e instável em que vivemos, os desafios de ordem social são especialmente relevantes.

Para enfrentá-los, nosso aluno é mobilizado a olhar esse mundo e a si mesmo com densidade e espírito crítico, sendo capaz de agir de acordo com as reflexões que ele próprio desenvolveu com autonomia, liberdade e esforço pessoal. A consciência individual e a ação coletiva são as duas dimensões desse mesmo projeto que é a construção social de um futuro mais justo, solidário, humano. A cada geração temos que superar inúmeras barreiras, entre elas a representada, por exemplo, pelo aquecimento global que afeta a saúde do planeta e da vida sobre a Terra. Como reverter quadro de tamanha gravidade? Aqui, talvez mais do que em outras áreas, a única saída é a educação que estimula o trabalho coletivo, a ação solidária, pois não há alternativa a não ser a união entre os habitantes do planeta para a superação desse novo desafio.

Nossa escola existe justamente para isso: formar um aluno capaz de agir coletivamente, com consciência crítica e singularidade, lançando mão dos recursos que lhe são próprios e que foram desenvolvidos ao longo da sua vida e da sua escolaridade, neste novo mundo que se descortina à frente de todos.

Desde o início da trajetória da nossa escola — que é resultado da confluência de três instituições que começaram como escolas de educação infantil –, afetividade e subjetividade merecem lugar privilegiado.

Cercada de atenção, respeitada em sua individualidade, a criança brinca, conquista autonomia e ganha a confiança necessária para dar os passos seguintes, aceitando com mais segurança os crescentes desafios que a vida e a escola lhe apresentam.

  • Permitir ao aluno verificar sua progressão;
  • Permitir comparações com os outros alunos, de forma a medir o seu desempenho em relação aos demais.
  • Conhecer melhor o aluno para que os educadores possam projetar as suas intervenções;

Estudar cada disciplina em profundidade, compreender seu método e suas bases conceituais é muito importante, sendo o objetivo dos documentos oficiais, que servem de referência para a ação das escolas em todo o país.

Fundamental, porém, é…

auxiliar o aluno a perceber as fronteiras entre as disciplinas como permeáveis e que elas são constituintes de grandes territórios do saber humano, que se conectam…

e, desse modo, ampliam nossa capacidade de analisar e compreender o mundo e a humanidade.

Num mundo crispado por diferenças políticas, ideológicas, étnicas e religiosas, nosso trabalho é educar para a compreensão da diferença.

Aprendendo democracia no cotidiano da escola, quem sabe não estaremos oferecendo às novas gerações os recursos para que elas construam um mundo mais permeável às diferenças, mais democrático, justo e solidário?

A. A ideia de rede

A ideia de conhecimento em rede está hoje integrada às concepções contemporâneas de ensino-aprendizagem e às novas concepções de ciência. Se isso é válido em grande escala, é válido também no plano interno. É fundamental que nosso trabalho se faça com a integração entre disciplinas, entre áreas, envolvendo a todos — alunos, famílias, professores e funcionários.

B. A perspectiva da problematização

A problematização é um dos eixos da nossa prática pedagógica. Desafiamos todos os dias o aluno a fazer perguntas, a investigar, a pesquisar. Queremos que ele seja mobilizado para a aventura prazerosa do conhecimento, mas com a consciência de que isso exige esforço, trabalho, concentração, estudo.
Motivado por situações-problema, o aluno vai além da procura pela “resposta certa”, buscando um caminho próprio para resolver a questão que lhe é apresentada. Este caminho dá um sentido real à aprendizagem e a torna mais profunda e significativa. Para isso, é preciso problematizar também o fazer e o pensar dos adultos que compõe nossa comunidade.

C. A perspectiva da partilha

A perspectiva da partilha está associada à ideia de conhecimento em rede. Se os elos não estiverem interligados, não haverá troca, essencial na escola contemporânea. Mobilizamos a comunidade, os professores, os alunos e os funcionários a sempre disseminar conhecimentos, experiências, informações.
Não queremos “donos” do conhecimento. Aqui, quem sabe, compartilha; quem recebe, reflete, incorpora e aprende. Esta é a postura que procuramos espalhar por toda a escola.

D. Registro e documentação

A finalidade principal do registro e da documentação é manter presentes na prática educativa, o norte, o destino, a história, a memória, as referências conceituais, a narrativa construída e o próprio Projeto Político Pedagógico. É fundamental, portanto, aprender a documentar e a ler a dinâmica da sala de aula e demais situações formativas para a construção do conhecimento.
Trata-se de um processo que permite identificar práticas bem-sucedidas e outras que não atingiram os objetivos pretendidos. Com isso, busca-se compreender, interpretar, tanto o sucesso quanto os fracassos em cada situação. Observar as causas prováveis para que seja possível dar um passo intencional adiante em cada momento de aprendizagem. Isso se dá no trabalho dos professores e, aos poucos, vai se transformando em ferramenta que os alunos levam consigo em sua vida dentro e fora da escola.

E. Arte e cultura

A Carandá Vivavida é uma Escola em estado permanente de atelier e instalação artística. Ao percorrer os nossos caminhos, as salas, os corredores, os muros, os murais, as árvores, o visitante verá fotos de uma peça recém-encenada, o cartaz de um show musical dos alunos, uma chamada para o sarau de poesia, uma frase e um desenho na parede, um verso, uma palavra.
Não é que sejamos todos poetas, escritores, pintores ou artistas plásticos. Aprendemos que arte e cultura são meios incríveis para acessar a sensibilidade, a emoção e o pensamento sensível. São canais por onde escoa a expressão de tudo o que não caberia por outras vias. De tudo o que não é só ciência, não é só matemática, nem só biologia. De tudo o que é, por isso mesmo, humano, imensamente humano.
Os alunos são extremamente mobilizados pela arte. Mesmo diante de manifestações poéticas ou pictóricas mais complexas, encontram, muitas vezes, um jeito de delas se aproximar. É a magia da imaginação e a força da sensibilidade, aproximando um aluno de 5 anos a uma tela de Van Gogh, por exemplo.
É esta dimensão que valorizamos desde sempre em nossa Escola. Não é propriamente nosso papel formar artistas ou escritores.

É nossa missão despertar em nossos alunos a sensibilidade para a expressão artística em todas as suas dimensões.

Queremos formar indivíduos sensíveis para, entre outras coisas, se comoverem com um conto de Clarice Lispector, uma música de Luiz Gonzaga, um prelúdio de Chopin, um romance de García Márquez. Ficamos todos mais ricos, mais abertos ao outro e à complexidade do mundo quando arte e cultura fazem parte de nossas vidas.
Somos seres múltiplos, de múltiplos talentos e habilidades. À escola cabe contribuir, conscientemente, para o desenvolvimento desses talentos, inteligências e sensibilidades, que são próprios dos seres humanos.

Currículo: saberes e práticas em ação

O Projeto Político Pedagógico declara as intenções educativas e a função social que esta escola assume a partir da análise dos cenários em que está inserida e do seu posicionamento frente a eles. O currículo da escola, ancorado nestes princípios, tem como objetivo dar corpo às intenções educativas constituindo-se no terreno dos saberes e das práticas em ação.

Desenvolvemos no Centro uma série diversificada de ações e projetos. Ele tem, para nós, o papel fundamental de promover a formação continuada de nossa equipe de auxiliares e professores.

O Centro é um espaço privilegiado para a escola abrir suas portas e compartilhar conhecimento com uma comunidade expandida. Recebemos profissionais que refletem e dialogam sobre Educação, a partir de experiências diferentes das nossas, ampliando os saberes, além de termos a oportunidade de espalhar o conhecimento que construímos no cotidiano com nossos alunos.

Sobre formação de estagiários

Cerca de 60 estagiários compõem a equipe pedagógica da escola. Cada um deles desenvolve, no convívio com nossos alunos em sala de aula, sob orientação de professores e coordenadores, um projeto de pesquisa, que é apresentado, no final do ano, no Congresso de Estagiários, organizado no Centro de Estudos. É um trabalho extenso e intenso, que produz resultados efetivos para a ação pedagógica, além de reforçar nossa responsabilidade na formação de educadores, aptos aos desafios que a Educação traz.

Projeto 26 Letras

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Uma escola nova e experiente, fruto da união de projetos educacionais de tradição e reconhecimento na cidade de São Paulo, na Vila Clementino.

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Carandá Vivavida

Carandá Vivavida

Uma escola nova e experiente, fruto da união de projetos educacionais de tradição e reconhecimento na cidade de São Paulo, na Vila Clementino.

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