Este projeto, mais do que um texto, é a declaração de um sonho, sonho sonhado a muitas mãos. Gostaríamos de agradecer àquelas pessoas que estiveram sonhando conosco desde o princípio: Irene Gadel (in memorian), Lêda Nascimento, Leila Palma, Sônia Palma (in memorian) e Teresinha Gadel (in memorian). Também agradecemos a Maria Cristina Viganó, Mônica Fujikawa, Hélvio Falleiros, Sergio Cury, Cleide Terzi, Madalena Freire e Deco Cury, que, cada um a seu modo, nos ajudaram a transformar nossas marcas nas ideias, palavras e imagens que aqui se apresentam como livro. E claro, à toda nossa equipe que, com garra e paixão, transforma a cada dia sonho em realidade.
Ana Cris, Carmen, Maira, Milena, Nair, Pnina e Stela
A escola é uma janela aberta para o mundo — a partir da rua, do bairro, da cidade, envolvendo o país e o planeta inteiro. É um feixe múltiplo e complexo de conexões com a história humana, no tempo e no espaço,…

que leva em conta o contexto geográfico, político e social em que a instituição está inserida. A escola, portanto, está situada em um tempo concreto, em uma realidade única, com uma comunidade singular e plural, formada por alunos, famílias, professores, equipe pedagógica, funcionários e todo o universo a sua volta.

Na segunda década do século XXI, quando iniciamos o trabalho de consolidar e consubstanciar num corpo textual, sólido e coerente, o nosso Projeto Político Pedagógico, levamos em conta conceitos e práticas pedagógicas lastreadas na contribuição de diversos autores e no conhecimento desenvolvido por nós, ao longo de quatro décadas. Ao retomar tais conceitos, fazemos escolhas que contrastam, aqui e ali, com certas formulações educativas ainda vigentes ou mantidas até em passado recente. Tais escolhas pressupõem novos percursos metodológicos que apontam para o aluno que queremos formar: crítico, consciente e capaz de diferenciar-se do status quo.

O ponto de partida deste Projeto Político Pedagógico — que traz o trabalho e a assinatura de toda a Equipe Carandá Vivavida Educação — é sua vinculação ao real, ao vivido. Não pensamos nosso projeto para um aluno abstrato, idealizado, que deve aprender conceitos prontos, ministrados em sequências pedagógicas lineares. Fundamos nosso trabalho educativo em conceitos estruturantes complexos, como o que propugna que todo aluno é capaz de construir conhecimento, de encontrar o seu jeito de aprender a aprender pela vida afora. Nosso Projeto Político Pedagógico é fundamentado no tripé Mobilização, Rigor e Desafio. Queremos, por meio dele, levar adiante uma ação pedagógica sólida, plural e diferenciada que nos leve a superar um dos grandes problemas da escola apontados pelo filósofo francês Pierre Bourdieu (1930–2002): a indiferença da escola à diferença dos alunos.

Ao tratar igualmente os desiguais, a escola que conhecemos ao longo da história contrata o fracasso da sua ação pedagógica. Assim, ao longo dos últimos três séculos, fizeram parte da história das instituições educativas: projeto abstrato, currículo inflexível e valorização do estritamente racional.

Serviram, parcialmente talvez, para um mundo caduco. Não servem mais para as características cada vez mais instáveis do mundo contemporâneo, em que prevalece progressivamente a perspectiva imaterial e cognitiva de todos os processos.

Fomos do átomo para a energia, do hardware para o software, dos conhecimentos duros para os conceitos flexíveis, da infraestrutura para a superestrutura, da certeza da física clássica para a probabilística e incerteza da física quântica, da fragmentação do conhecimento e do trabalho para o estímulo aos pensamentos e perspectivas aglutinadoras das diversas disciplinas e do trabalho em equipe.

Os profissionais mais requisitados, atualmente, são pessoas que saibam compreender, valorizar e aglutinar a contribuição dos múltiplos e singulares talentos e competências presentes nos mais diversos espaços: na empresa, na universidade, nas organizações não governamentais e em outras instituições de nossa sociedade.

As organizações de sucesso funcionam no mundo contemporâneo como grandes e complexas redes, atuando de forma cooperativa em diversas regiões do mundo para o desenvolvimento de um produto, a criação de uma nova tecnologia, serviço, aplicativo, plataforma… De maneira semelhante acontece com os países, cujas economias são cada dia mais interdependentes.

Este é o mundo de hoje, que nos chega carregado, sem dúvida, de desafios grandiosos.

No mundo líquido e instável em que vivemos, os desafios de ordem social são especialmente relevantes.

Para enfrentá-los, nosso aluno é mobilizado a olhar esse mundo e a si mesmo com densidade e espírito crítico, sendo capaz de agir de acordo com as reflexões que ele próprio desenvolveu com autonomia, liberdade e esforço pessoal. A consciência individual e a ação coletiva são as duas dimensões desse mesmo projeto que é a construção social de um futuro mais justo, solidário, humano. A cada geração temos que superar inúmeras barreiras, entre elas a representada, por exemplo, pelo aquecimento global que afeta a saúde do planeta e da vida sobre a Terra. Como reverter quadro de tamanha gravidade? Aqui, talvez mais do que em outras áreas, a única saída é a educação que estimula o trabalho coletivo, a ação solidária, pois não há alternativa a não ser a união entre os habitantes do planeta para a superação desse novo desafio.

Nossa escola existe justamente para isso: formar um aluno capaz de agir coletivamente, com consciência crítica e singularidade, lançando mão dos recursos que lhe são próprios e que foram desenvolvidos ao longo da sua vida e da sua escolaridade, neste novo mundo que se descortina à frente de todos.

Quem sente a necessidade de conviver e agir com o outro não é a dimensão fria e racional do homem, mas sua dimensão afetiva e subjetiva. Quando falamos em trabalho coletivo, esta emerge naturalmente como um dos pressupostos deste documento, no processo de ensino — aprendizagem. Não se aprende sem emoção, sem mobilização, só com a razão. É com o corpo, configuração genética, características pessoais, vínculos familiares, relações sociais, talentos, competências e limitações que aprende o ser humano, em sua integralidade.

Desde o início da trajetória da nossa escola — que é resultado da confluência de três instituições que começaram como escolas de educação infantil –, afetividade e subjetividade merecem lugar privilegiado.

Cercada de atenção, respeitada em sua individualidade, a criança brinca, conquista autonomia e ganha a confiança necessária para dar os passos seguintes, aceitando com mais segurança os crescentes desafios que a vida e a escola lhe apresentam.

Ao longo da escolaridade, o aluno é chamado a superar novas etapas, conhecer novos processos, desenvolver novas habilidades, descobrir novas disciplinas, buscar a solução de problemas, vencer limites, ampliar conhecimentos e assumir novas responsabilidades. Ele será provocado com a intensidade necessária para que se sinta mobilizado e dê o máximo de si na conquista de sua autonomia. Ao concluir o Ensino Médio, o aluno Carandá Vivavida deve conhecer as suas próprias características, potenciais, limites, competências e habilidades, estando preparado para fundamentar suas escolhas e a buscar os seus objetivos nas etapas subsequentes da vida — o que inclui escolhas profissionais, Enem e vestibulares. É um legado que ele levará consigo ao longo da vida. Contribui significativamente, para o alcance desse objetivo, o processo de avaliação e autoavaliação pelo qual passa o nosso aluno desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. A avaliação, para nós, é um recurso fundamental que deve estar a serviço do aluno, ser capaz de mobilizá-lo a construir um jeito singular de aprender e, ao mesmo tempo, ter consciência disso. Nesta perspectiva, a avaliação e autoavaliação possibilitam também:

  • Compartilhar a trajetória do aluno com os pais e professores;
  • Permitir ao aluno verificar sua progressão;
  • Permitir comparações com os outros alunos, de forma a medir o seu desempenho em relação aos demais.
  • Conhecer melhor o aluno para que os educadores possam projetar as suas intervenções;

A quem consegue alcançar um grau elevado de consciência sobre suas características pessoais, habilidades e limites, credencia-se uma inserção social, acadêmica e profissional mais produtiva, saudável e harmônica. Este é o objetivo maior da avaliação conduzida pela Carandá Vivavida Educação.

Nosso Projeto Político Pedagógico é mobilizador porque convida o aluno a expressar ideias e argumentos, a solucionar problemas, a construir um caminho próprio de aprendizagem. Para isso nosso currículo leva em conta as vivências e inquietações do aluno. Além disso, procuramos trazer o estudante integralmente para a ação efetiva do aprender, recorrendo a estratégias pedagógicas múltiplas e diversificadas.

Esse aluno mobilizado está pronto a aceitar desafios, entendendo desafio como aquilo que nos convoca a agir, aquelas questões que nos põem em movimento. Quem aprende a aprender está apto a superar limites e construir novos estágios cognitivos, que sugerem novas situações-problema, novos desafios.

Ressalte-se que esse aluno que aprende a aprender é tudo o que a sociedade, as empresas e organizações mais querem nos dias de hoje e de amanhã. Não vale tanto saber algo que já é de domínio de muitos.

O valor recai mais para quem é capaz de aprender coisas novas. Construir processos, sistemas, plataformas, estabelecer redes.

O rigor é a terceira base do tripé do nosso Projeto. É preciso rigor para estudar e aprender. Não se chega ao conhecimento acessando facilmente uma “vitrine de conteúdos”, que aliás já existe — é a internet. Para ter rigor, é preciso também compreender o sentido de totalidade do conhecimento, criando aproximações entre as disciplinas e entre as áreas. A rígida separação entre as disciplinas, ainda vigente muitas vezes no pensamento contemporâneo, não dá conta de desafiar o aluno a construir uma visão integrada e sistêmica de si próprio e da realidade.

Estudar cada disciplina em profundidade, compreender seu método e suas bases conceituais é muito importante, sendo o objetivo dos documentos oficiais, que servem de referência para a ação das escolas em todo o país.

Fundamental, porém, é…

auxiliar o aluno a perceber as fronteiras entre as disciplinas como permeáveis e que elas são constituintes de grandes territórios do saber humano, que se conectam…

e, desse modo, ampliam nossa capacidade de analisar e compreender o mundo e a humanidade.

Rigor para nós não tem o sentido de rigidez, é um caminho planejado e flexível que desafia o aluno a buscar a aprendizagem significativa, crescente, fundamentada nas conquistas históricas, científicas, sociais e tecnológicas do ser humano.

A Escola é um espaço público que deve ser permeável às demais esferas da sociedade. A comunidade escolar (professores, coordenadores, diretores, alunos, pais de alunos e funcionários) é parte ativa desse contexto. E isso vale para os debates de questões públicas, para as manifestações artísticas e culturais, para as festas e todas as atividades que mobilizam o coletivo.

Nosso aluno compreende desde cedo que o espaço da escola está ligado à rua, à comunidade, ao mundo. Inúmeras atividades pedagógicas, envolvendo diversas disciplinas, vinculam o aluno e o grupo aos espaços externos. Os muros da escola não pretendem nos separar da rua. Queremos preparar nossos alunos para lidar com essa realidade tão desafiadora e, por vezes, ameaçadora. A permeabilidade que procuramos desenvolver em relação às diversas dimensões do real visa, justamente, permitir que o aluno, coletivamente, orientado pelos educadores, construa uma visão singular de si mesmo, de seu corpo, do mundo, da esfera política e da dimensão social.

Nosso cuidado é desafiá-lo a elaborar opiniões e argumentos sólidos acerca dos fatos e fenômenos que nos afetam, com a consciência de que há outras visões sobre os mesmos assuntos que devem ser compreendidas e respeitadas.

Num mundo crispado por diferenças políticas, ideológicas, étnicas e religiosas, nosso trabalho é educar para a compreensão da diferença.

Aprendendo democracia no cotidiano da escola, quem sabe não estaremos oferecendo às novas gerações os recursos para que elas construam um mundo mais permeável às diferenças, mais democrático, justo e solidário?

Na Carandá Vivavida, a construção desse espaço coletivo acontece também por meio da exploração do lúdico, das festas. Desde sempre, gostamos de festas. E, para nós, as que escolhemos celebrar representam algo muito importante e fazem parte da visão que temos do universo pedagógico e cultural. A Festa é um fenômeno brincante, único, de integração de cada pessoa ao coletivo, de participação de todos numa comunidade concreta, real, singular — mas que se parece muitas vezes com uma comunidade humana atemporal. O aluno que discute política e problemas sociais na sala de aula é o mesmo que desfila na avenida, com uma Escola de Samba no Carnaval de São Paulo, ou que desce a rua Diogo de Faria cantando e dançando num bloco de Carnaval, acompanhado por pais, avós, vizinhos e pela comunidade de moradores da região.

Nossas festas mostram muito da nossa escola. Mostram que nossas semelhanças superam as nossas diferenças. Estas que, no entanto, não precisam — nem devem — ser apagadas. Mostram que a dimensão lúdica e corporal do ser humano pode e deve conviver muito bem com trabalho, esforço, disciplina e rigor.

Na Carandá Vivavida, fazemos educação considerando alguns pressupostos que ancoram toda a reflexão e ação de nosso dia a dia. São eles:

A. A ideia de rede

A ideia de conhecimento em rede está hoje integrada às concepções contemporâneas de ensino-aprendizagem e às novas concepções de ciência. Se isso é válido em grande escala, é válido também no plano interno. É fundamental que nosso trabalho se faça com a integração entre disciplinas, entre áreas, envolvendo a todos — alunos, famílias, professores e funcionários.

B. A perspectiva da problematização

A problematização é um dos eixos da nossa prática pedagógica. Desafiamos todos os dias o aluno a fazer perguntas, a investigar, a pesquisar. Queremos que ele seja mobilizado para a aventura prazerosa do conhecimento, mas com a consciência de que isso exige esforço, trabalho, concentração, estudo.
Motivado por situações-problema, o aluno vai além da procura pela “resposta certa”, buscando um caminho próprio para resolver a questão que lhe é apresentada. Este caminho dá um sentido real à aprendizagem e a torna mais profunda e significativa. Para isso, é preciso problematizar também o fazer e o pensar dos adultos que compõe nossa comunidade.

C. A perspectiva da partilha

A perspectiva da partilha está associada à ideia de conhecimento em rede. Se os elos não estiverem interligados, não haverá troca, essencial na escola contemporânea. Mobilizamos a comunidade, os professores, os alunos e os funcionários a sempre disseminar conhecimentos, experiências, informações.
Não queremos “donos” do conhecimento. Aqui, quem sabe, compartilha; quem recebe, reflete, incorpora e aprende. Esta é a postura que procuramos espalhar por toda a escola.

D. Registro e documentação

A finalidade principal do registro e da documentação é manter presentes na prática educativa, o norte, o destino, a história, a memória, as referências conceituais, a narrativa construída e o próprio Projeto Político Pedagógico. É fundamental, portanto, aprender a documentar e a ler a dinâmica da sala de aula e demais situações formativas para a construção do conhecimento.
Trata-se de um processo que permite identificar práticas bem-sucedidas e outras que não atingiram os objetivos pretendidos. Com isso, busca-se compreender, interpretar, tanto o sucesso quanto os fracassos em cada situação. Observar as causas prováveis para que seja possível dar um passo intencional adiante em cada momento de aprendizagem. Isso se dá no trabalho dos professores e, aos poucos, vai se transformando em ferramenta que os alunos levam consigo em sua vida dentro e fora da escola.

E. Arte e cultura

A Carandá Vivavida é uma Escola em estado permanente de atelier e instalação artística. Ao percorrer os nossos caminhos, as salas, os corredores, os muros, os murais, as árvores, o visitante verá fotos de uma peça recém-encenada, o cartaz de um show musical dos alunos, uma chamada para o sarau de poesia, uma frase e um desenho na parede, um verso, uma palavra.
Não é que sejamos todos poetas, escritores, pintores ou artistas plásticos. Aprendemos que arte e cultura são meios incríveis para acessar a sensibilidade, a emoção e o pensamento sensível. São canais por onde escoa a expressão de tudo o que não caberia por outras vias. De tudo o que não é só ciência, não é só matemática, nem só biologia. De tudo o que é, por isso mesmo, humano, imensamente humano.
Os alunos são extremamente mobilizados pela arte. Mesmo diante de manifestações poéticas ou pictóricas mais complexas, encontram, muitas vezes, um jeito de delas se aproximar. É a magia da imaginação e a força da sensibilidade, aproximando um aluno de 5 anos a uma tela de Van Gogh, por exemplo.
É esta dimensão que valorizamos desde sempre em nossa Escola. Não é propriamente nosso papel formar artistas ou escritores.

É nossa missão despertar em nossos alunos a sensibilidade para a expressão artística em todas as suas dimensões.

Queremos formar indivíduos sensíveis para, entre outras coisas, se comoverem com um conto de Clarice Lispector, uma música de Luiz Gonzaga, um prelúdio de Chopin, um romance de García Márquez. Ficamos todos mais ricos, mais abertos ao outro e à complexidade do mundo quando arte e cultura fazem parte de nossas vidas.
Somos seres múltiplos, de múltiplos talentos e habilidades. À escola cabe contribuir, conscientemente, para o desenvolvimento desses talentos, inteligências e sensibilidades, que são próprios dos seres humanos.


Currículo: saberes e práticas em ação

O Projeto Político Pedagógico declara as intenções educativas e a função social que esta escola assume a partir da análise dos cenários em que está inserida e do seu posicionamento frente a eles. O currículo da escola, ancorado nestes princípios, tem como objetivo dar corpo às intenções educativas constituindo-se no terreno dos saberes e das práticas em ação.

Ele se estrutura em grandes áreas do conhecimento (Línguas, Educação Física, Arte, Matemática, Ciências Naturais e Ciências Humanas). As áreas, que aglutinam disciplinas, são entendidas como territórios de saberes mais amplos e permeáveis, possibilitando conexões interdisciplinares.

“Toda pedagogia sedimenta-se num método. Maneira de ordenar, organizar com disciplina, a ação pedagógica, segundo certos pressupostos teóricos. Toda pedagogia está sempre engajada a uma concepção de sociedade, de política. É neste sentido que, nesta concepção de educação, este educador faz arte, ciência e política”.
(Madalena Freire)

Assim como sustentamos o trabalho com os alunos nos pressupostos que compõem nosso projeto, são também deles que lançamos mão ao pensarmos na formação dos nossos educadores. Contamos com muitos meios importantes para fazer com que quem ensina possa também aprender.

Somos, portanto, uma escola que aprende o tempo todo. É assim que entendemos o universo pedagógico.

As nossas reuniões pedagógicas constituem um desses canais importantes que se prestam à formação da Equipe. Elas reúnem a equipe pedagógica de todas as unidades, nas mais diferentes composições. Seja por segmento, por área, por grupos, seja com toda a equipe reunida (Unificada), as reuniões permitem garantir a unidade do projeto pedagógico da Escola. São fóruns fundamentais para a troca de informações e experiências entre os níveis e entre as especialidades, dos quais participam também funcionários envolvidos nas questões pedagógicas.

O papel da Direção Pedagógica é fundamental como instância aglutinadora do movimento que se desenrola nas diferentes reuniões. É da Direção a responsabilidade por validar os caminhos propostos e definir os meios para o alcance dos objetivos traçados coletivamente, sempre levando em consideração a importância das ideias de rede, de problematização, partilha, registros e documentações, arte e cultura.

O Centro de Estudos Madalena Freire é um importante veículo para formar professores e aprimorar o trabalho da Equipe.

A sua criação, em espaço próprio, especialmente projetado para a realização de estudos e encontros de cunho pedagógico, representou, para a Carandá Vivavida, a concretização de um sonho. Acalentamos desde sempre a perspectiva de que uma escola viva, com projeto pedagógico flexível e dinâmico, deve ser uma escola que ensina e que aprende sem parar.

No início, o projeto pareceu maior do que nossa capacidade de realização. A parte mais difícil não foi, na verdade, a concretização do espaço — ainda que este desafio também tenha representado uma barreira de complexa transposição. Mais desafiador foi dar substância efetiva ao sonho, mobilizar profissionais internos e externos, criar um corpo conceitual para dar conta dos objetivos e da missão que queríamos atribuir ao Centro.

Dez anos após sua criação, o Centro de Estudos Madalena Freire é uma realidade e começa a ser conhecido e reconhecido pelos formadores de opinião dentro do universo pedagógico e educacional. Ao atribuir ao Centro o nome da educadora Madalena Freire, fizemos o reconhecimento de tudo o que essa mulher generosa fez e faz por nós e pela Educação no Brasil.

Expressamos, além disso, nossa proximidade técnica, conceitual, pessoal e política em relação aos conceitos acolhidos por Madalena e por seu pai, o grande educador brasileiro Paulo Freire.

Desenvolvemos no Centro uma série diversificada de ações e projetos. Ele tem, para nós, o papel fundamental de promover a formação continuada de nossa equipe de auxiliares e professores.

O Centro é um espaço privilegiado para a escola abrir suas portas e compartilhar conhecimento com uma comunidade expandida. Recebemos profissionais que refletem e dialogam sobre Educação, a partir de experiências diferentes das nossas, ampliando os saberes, além de termos a oportunidade de espalhar o conhecimento que construímos no cotidiano com nossos alunos.

Sobre formação de estagiários

Cerca de 60 estagiários compõem a equipe pedagógica da escola. Cada um deles desenvolve, no convívio com nossos alunos em sala de aula, sob orientação de professores e coordenadores, um projeto de pesquisa, que é apresentado, no final do ano, no Congresso de Estagiários, organizado no Centro de Estudos. É um trabalho extenso e intenso, que produz resultados efetivos para a ação pedagógica, além de reforçar nossa responsabilidade na formação de educadores, aptos aos desafios que a Educação traz.


Projeto 26 Letras

Apenas 26 letras separam muitos brasileiros da cidadania plena. O domínio do alfabeto e da linguagem, em suas mais diversas manifestações, constitui passos necessários para que os indivíduos ampliem o exercício da cidadania.

Com o objetivo de aproximar o universo da linguagem e do conhecimento de jovens e adultos que não tiveram acesso à educação básica, especialmente por dificuldades de natureza social ou econômica, criamos o projeto “26 Letras”.

Criado por nossa escola em 1997, o projeto, de caráter voluntário, conta com funcionários, professores, alunos e pais de alunos norteando a ação pedagógica. As possibilidades são muitas, envolvendo desde a alfabetização à preparação para o ingresso na EJA — Educação de Jovens e Adultos (supletivo) para alcançarem a formação na educação básica, além do ensino de idiomas.

Trata-se de um projeto caro à nossa escola. O 26 Letras mobiliza nossa comunidade, aproxima pais da escola e pais de seus filhos, numa ação que resulta em avanços efetivos no desenvolvimento cognitivo dos alunos que participam do projeto. É comovente ver a trajetória feita, por exemplo, pelo zelador da nossa escola: junto com os seus colegas de turma, escreveu um livro sobre jardinagem e receitas culinárias. A ação dele e de seus colegas sobre a realidade ganhou outra dimensão, mais ampla e profunda.

O Espaço Cultura Viva foi planejado especialmente para as atividades culturais, esportivas, de estudo e recreação. Os alunos fazem parte de programações específicas, de acordo com as opções das famílias, entre Período Integral, Semi- integral e Atividades Avulsas. São muitas opções de opções de práticas esportivas, atividades culturais, de estudo, recreação e repouso.

O Espaço Cultura Viva promove a socialização das crianças através da diversidade etária. São oferecidos vários cursos nas áreas artística, cultural e esportiva. Através de atividades lúdicas, de recreação, de maneira afetiva e desafiadora, propiciamos trocas e aprendizados com olhar tanto para o coletivo, quanto para as necessidades individuais das crianças. Tudo isso através de um projeto estruturado que visa o desenvolvimento integral da criança.

Buscamos nos diferenciar da dinâmica do período regular, também por uma forma específica de rotina. O planejamento procura lidar com os tempos e movimentos no espaço de forma mais fluida, a partir de uma lógica da brincadeira, em que início e fim são mais determinados pelo esgotamento do interesse e das possibilidades de uma atividade, do que pelo tempo cronológico. A exploração diferenciada dos espaços, somada à elasticidade dos tempos, permite o aprendizado da utilização de bens comuns, brinquedos, fantasias, jogos etc.

Ainda que exista uma divisão dos grupos por faixas etárias ampliadas, a possibilidade de realizar atividades entre diferentes idades expande o repertório das mais novas em diferentes aspectos, e permite às maiores exercitar a posição de parceiro mais experiente, que cuida e já pode “ensinar” o que aprendeu.

Em um espaço especialmente planejado para este fim, estabelecemos uma dinâmica em que planejar e fazer junto se evidenciam. Trabalhar e valorizar o trabalho em equipe, a cooperação, a solidariedade, o respeito às diferenças de saberes e de ritmos são marcas importantes da nossa escola, reforçadas aqui. Os jogos, em suas mais diferentes modalidades e arranjos, nos possibilitam exercitar no coletivo esses princípios.



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