Não se engane: o seu tempo é APENAS seu

Carina Xavier
Sep 4, 2018 · 3 min read

Um texto para acalmar os corações ansiosos com o tic-tac do relógio

Conheço senhoras da terceira idade que se casaram depois de sentirem que precisavam de um recomeço amoroso. Conheço pré-adolescentes que queriam oferecer algo ao mundo; prestaram vestibular e passaram. Conheço mães e pais de família que abriram mão de seus projetos pessoais para trabalhar, cuidar dos filhos e da casa. Depois de certa idade, terminaram seus colegiais, fizeram seus cursos e, veja bem, concluíram suas graduações.


Casamentos aos 80. Vestibulares aos 14. Diplomas universitários aos 55. Se isso não lhe soa normal, você precisa refletir sobre sua noção do que realmente é o tempo.

Obrigatoriamente, o tempo segue uma linha cronológica crescente. Você não vai acordar amanhã com 25, caso tenha 24 anos de idade (nem qualquer outra, né!?). Tampouco vai voltar à idade média em alguns minutos — apesar de que viagem no tempo é algo extremamente atraente. Mas, apesar de existir essa sequência lógica em que vivemos (de dia após dia), os acontecimentos da nossa vida não precisam seguir exatamente essa linha metódica e imaginária.

Existe uma pressão para formar-se no ensino médio aos 17 anos, entrar na faculdade em seguida — possivelmente tomando uma decisão precipitada — e graduar-se aos 22 anos. Encontrar um parceiro aos 24, casar-se aos 26 e ter filhos até os 30 anos. Aparentemente, viver andando sobre uma linha previamente elaborada e, finalmente, aguardar o fim da vida.

Faz sentido para você?

Claro que a regra não é essa, mas este caminho está quase intrínseco à formação da nossa vida.

Lá no fundo, acredito que você também não vê muito sentido nesta ideia. Eu não via, mas acabei vivendo um pouco dessa pressão até precisar reprovar 5 anos seguidos no vestibular. Nesse meio tempo, houve 4 escolhas de cursos. Fui do que eu mais achava que precisava fazer até o que eu realmente queria fazer.

Uma breve história real

Enquanto estava vivendo a época do vestibular, me sentia muito infeliz. Medo, dúvidas, insatisfação, incertezas e vontade de fugir da decisão do vestibular. Aquela sensação de que o tempo estava passando e eu estava ficando velha demais tomaram conta da minha cabeça. Até que, no penúltimo ano de tentativa, juntei todos os meus esforços para procurar o que eu realmente gostava, desapegar de pensamentos impostos pelo meio em que eu vivia e decidir o que eu realmente queria. O que me deixaria realmente satisfeita. Fui. Ainda bem que fui.

Alguns podem achar que foram 5 anos jogados fora. Outros, como eu, podem achar que foi um tempo extremamente necessário para cuidar do meu futuro e da minha própria felicidade. De amadurecer decisões. De ver que o que eu poderia ter feito talvez não fosse o melhor naquela hora. 5 anos para descobrir que meu tempo era apenas meu.

Se não houvesse esse período, com toda certeza, eu estaria fazendo algo que detesto, sem perspectivas e sem a chama da empolgação que existe quando temos um sonho e queremos alcançá-lo. Esse texto, por exemplo, nem teria sido escrito.

Esta seria eu, num escritório, às 7h da manhã, se tivesse seguido minha primeira opção de curso.

Nem tudo está perdido

Portanto, a gente não deve — e nem pode — ficar desesperado com algumas coisas que achamos que não estão acontecendo. A frase “tudo no seu tempo” pode até ter morada num condomínio piegas, mas é verdadeira e faz sentido.

As crises de idades vão chegar, não posso mentir. Mas posso te ajudar! Assim que elas baterem na porta, cabe a você se perguntar:

“Poxa, eu mesmo(a), faz sentido sentir isso agora?”

Garanto que sua intuição dará um jeito de te dar a melhor resposta, assim como a minha me deu.

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