Se inspirar é ótimo, se espelhar é péssimo

Palavras tão parecidas, mas tão diferentes

Imagem: Pixabay

Esse texto nasceu de uma pequena crise. A crise de cogitar a hipótese de que eu não conseguia fazer algo suficientemente bom, igual as pessoas em que me espelhava. Então, ouvi uma frase mágica, parei uns minutinhos pra pensar e me dei conta de que eu não preciso tentar fazer algo parecido com o de alguém.

Inspirar-se é aspirar. Suscitar. Incutir. É ver, sentir e ter ideias pra criar algo novo. Só seu. E quem gera inspiração é provocador de algo.

Se espelhar é, de forma direta, colocar um espelho na sua frente e esperar ver aquela pessoa que você almeja ser igual. É tornar alguém/algo um modelo a ser seguido. É auto sabotar. Achar que o que você faz não tem um devido valor por não estar parecido com o do outro.

Esse mundo é imenso demais pra não ter espaço pro novo, né? Então por que o seu novo não pode fazer parte desse disso?

As pessoas não têm histórias iguais. Trajetórias iguais. É justamente essa diferença de caminhos que torna tudo que fazemos particular. É muito mais fácil — e menos frustrante — admirar o trabalho de alguém e usá-lo como gatilho para você ter novas ideias.

Quer um exemplo?

Eu estava sem ideias pra escrever textos, pois, toda vez que começava, acabava me comparando com autores de blogs que sigo.

“Péssimo. Não tá parecido. Não chega nem perto! Quem vai querer ler?” — Meu eu no lado sombrio da força.

Quando ouvi uma pessoa muito próxima a mim dizer que “se inspirar é ótimo, se espelhar é péssimo”, refleti sobre aquilo e entendi que o fato de o meu texto não estar parecido com o de outra pessoa era muito bom! Naquele momento descobri que precisava me inspirar, não me espelhar.

“Tudo faz sentido agora! Não precisa ser igual! Eureka!” — Meu eu no lado luminoso da força.

Quando a gente se inspira em várias coisas ou pessoas, alimentamos referências na nossa cabeça que nos possibilitam criar algo.

Mas e essas tais referências?

Buscar inspiração é, também, criar uma fonte mental de referências. Ou seja, um conjunto de elementos que estão guardados em nossa cabeça e que nos auxiliam na elaboração de ideias. Grande parte das coisas que fazemos vêm de referências cultivadas ao longo do tempo. Uma criança desenha um carrinho porque tem referências de carrinhos. Você almoça usando um garfo porque tem referências culturais do uso do garfo na hora de comer. E por aí vai.

Cada pessoa se inspira de uma forma. E isso é fascinante. (Imagem: Pixabay)

As séries que assistimos, os livros que lemos, os lugares que passeamos, as músicas que ouvimos. Tudo é referência. Cada pontinha disso contribui pro desenvolvimento do nosso pensamento. Misturar tudo isto em prol de um projeto é mágico. É como juntar vários ingredientes sem seguir exatamente o que diz a receita. No final, cria-se algo novo e até maior. Um prato só seu!

Você tem sua própria bagagem, e ela te torna único no que faz.

Espero que, assim como eu, você pegue seus rascunhos esquecidos, peça desculpas a eles e volte à ativa o mais rápido possível. Busque suas inspirações. Alimente suas referências. Depois mostre para o mundo seus próprios pratos.


E aí, quem te inspira?