FOTOGRAFIA GESTALT, ARTE E PRODUÇÃO DE CONTEÚDO.

Imagem retirada da internet

A fotografia não era aceita no campo das artes, e um dos pontos que justifica tal afirmação é o modo de produção de cada um. Os trabalhos artísticos eram considerados manuais, que designavam habilidade e técnica, ou seja, “congelar” uma imagem através de um equipamento pronto não poderia ser arte. Mas, divergir duas formas de comunicação que buscam dar significado a expressões, sentimentos e se coloca como espelho de uma realidade é no mínimo ignorar o significado do uso das técnicas empregadas por ambos. No livro “Lendo imagens” de Alberto Mangue, o autor traz análises de artistas como Pablo Picasso, onde no texto “A imagem como violência” traz pinturas como “Mulher chorando” (1937). A imagem como violência consiste em extrair sentimentos para a construção da imagem. Exemplo disso era a forma como Picasso expunha seus próprios sentimentos através das mulheres que pintava, extraia sua alma, dando a suas telas significado. Picasso desde sua época trazia a imagem como conteúdo, algo próprio, extraído de si. Uma de suas obras mais marcantes analisadas no livro é o de “Dora Maar”, uma mulher que chegou a ter um relacionamento com o pintor e em decorrência da forma abusiva que era tratada pelo mesmo chegou a desenvolver problemas psicológicos. Porém, na tela “mulher chorando” Dora era exposta de outra maneira. As técnicas que Picasso usou direcionam o olhar das pessoas para determinadas áreas, através das cores, das linhas quando por meio de acusações intencionais ele mostrava uma outra face de Dora.

Mulher Chorando, 1937, Pablo Picasso, óleo sobre tela, 60,8 x 50 cm, Tate Gallery, Londres — Imagem retirada da internet

Na fotografia existe uma troca de olhares entre o que há de ser fotografado e o fotógrafo, mas como na pintura de Picasso, quem fotografa induz o olhar do receptor, através de técnicas como a Gestalt, uma técnica que consiste em produzir uma interação entre os elementos das fotos através de princípios de organização perceptual como: proximidade, continuidade, semelhança, segregação, preenchimento, unidade, simplicidade e figura/fundo, o que leva o fotógrafo a posicionar o que será fotografado pensando em toda a imagem como forma de passar o conteúdo da maneira em que o fotógrafo vê, pensando na estética da fotografia. 
A espera, a paciência em ver a imagem se formar, os conceitos que são trabalhados por essa técnica esperam prender o olhar ereconhecer o espaço que é fotografado.
Como disse fotógrafo, professor e Dr. Celso Guimarães em uma aula aberta “o computador não faz a imagem, o equipamento não faz fotografia. O que faz a fotografia é o olhar, a consciência do que do fotógrafo quando aponta a câmera.”

Produção feita para a disciplina de Fotografia, ministrada pelo professor Cecílio Bastos.

Referências:

MANGUEL, Alberto (2000). Lendo imagens: uma história de amor e ódio. Tradução de Rubens Figueiredo, Rosaura Eichemberg, Cláudia Strauch. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

LEIS DA GESTALT. Disponível em:<https://www.google.com.br/amp/s/valdetaro.wordpress.com/2011/07/28/leis-da-gestalt/amp/> Acesso em 04 de set. de 2017.

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